Conheça alguns dos novos modelos de ‘escritórios do futuro’ antecipados pela pandemia

 

Não é nenhuma novidade que a pandemia, desde março do ano passado, trouxe desafios a vários setores da economia. Na outra ponta, também proporcionou novos ares e metodologias. Além de maneiras diferentes de se pensar a forma de trabalho dentro dos escritórios e das empresas.

O home office precisou ser adotado às pressas, até mesmo por empresas que não tinham qualquer interesse ou propensão em fazê-lo a médio ou longo prazo. Com isso, o trabalho e a casa se misturaram (assim como suas rotinas). E adaptações das mais variadas tiveram de ocorrer.

Por muitas vezes, a mesa de casa, antes usada exclusivamente para fazer as refeições com a família, assumiu outra função. Ela se tornou cenário para reuniões online, treinamentos e muito trabalho remoto.

Mas a pandemia em breve dará uma trégua – assim esperamos com o avanço da vacinação – e com isso, a retomada gradativa aos escritórios acontecerá. Já vimos diversas empresas do segmento de tecnologia e setor financeiro, por exemplo, declararem retorno das atividades presenciais já a partir deste mês de junho. Outras estão se organizando para julho, agosto e setembro.

O contrário também já foi registrado: empresas que decidiram seguir com o home office definitivo em 2021 e até posteriormente à pandemia.

Embora cada empresa tenha sua metodologia ou maneira de operacionalizar as atividades, o mercado de trabalho precisou ser remodelado – de várias formas diferentes – para atender a nova demanda trazida (ou imposta) pela crise da saúde.

A exemplo disso, a Buildings visitou recentemente o novo escritório da Ecogen Brasil, em São Paulo. Essa visita conferiu de perto as mudanças promovidas no espaço – e que não foram poucas. Para ler matéria completa e assistir o vídeo da entrevista, clique aqui.

Quais mudanças e quais tendências já estão no radar?

Em artigos publicados anteriormente na Revista Buildings, trouxemos conteúdos que tratam justamente deste momento e das novas tendências que o mercado de escritórios está e vai vivenciar nos próximos meses e anos.

No artigo intitulado “Como será a adaptação nos projetos de escritório pós-pandemia“, alguns tópicos relacionados que deverão ser aplicados aos novos espaços de trabalho corporativos são:

  • Distanciamento controlado
  • Mobiliário de fácil higienização
  • Salas de reuniões menores e ampliação dos espaços abertos
  • Flexibilização de horários
  • Ambientes híbridos
  • Biofilia terá seu lugar no mercado dos novos escritórios

Noutro artigo intitulado “A transformação do workplace: os caminhos para as novas relações de trabalho“, as ferramentas e inovações digitais ganharam destaque. O texto aposta, ainda, que o futuro do workplace em qualquer setor é que, quando as medidas de combate à pandemia forem extintas, as empresas tenderão a adotar jornadas de trabalho adaptáveis como o anywhere office ou o modelo híbrido, no qual os trabalhadores terão mais flexibilidade de agenda e local de trabalho.

Isso vai proporcionar a escolha pelo formato ideal de sua jornada, sejam híbridas, revezando ao longo da semana, dias no escritório e dias em casa, modulares com períodos alternados, como um mês no escritório e outro não, ou disruptivas com o trabalho sendo realizado 100% remoto.

Leia também:
– Como as empresas de tecnologia estão lidando com seus escritórios na pandemia?
A transformação do workplace: os caminhos para as novas relações de trabalho
– Como a aceleração digital está ressignificando o workplace

Cada empresa terá seu modelo ideal

Embora o retorno definitivo aos escritórios ainda dependa da vacinação e das determinações dos governos, cada empresa tem avaliado suas operações e diagnosticado se suas equipes se conectam mais quando estão juntas em um mesmo ambiente ou se isso não interfere na produtividade e resultados esperados.

Não à toa, o CEO da WeWork, Sandeep Mathrani, gerou polêmica há poucas semanas ao afirmar que pessoas menos comprometidas com o trabalho “são as que se sentem mais confortáveis trabalhando em casa”.

O que o executivo quis dizer, e que pode ser sido interpretado incorretamente, é que apesar deste modelo ter se tornado uma realidade para muitos trabalhadores, isso não muda o fato de que o escritório é uma parte importante da construção da cultura de qualquer empresa, além de promover colaboração e inovação para os negócios.

A Buildings promoveu uma Pesquisa de Mercado afim de conhecer a relação da sua empresa com o escritório. O quanto isso mudou neste último ano. Para participar, clique aqui.

Alguns dos modelos de ‘escritórios do futuro’ já adotados

No artigo “Como a aceleração digital está ressignificando o workplace” já se constata o que a pandemia jogou diante de nossos olhos: que o ambiente de trabalho pode ser em qualquer lugar com conexão à internet, denominado como workshifting.

Segundo o texto, o espaço de workplace, por exemplo, é o local onde podemos ser muito produtivos. E todo avanço da tecnologia proporcionou muitos benefícios e melhorias, tais como: acesso a diferentes plataformas de conferência virtual; aplicativos que proporcionam reserva de estações de trabalho para empresas que optam pelo free seeting; consultas online através da telemedicina, entre outras vantagens do mundo virtual.

David Mott, um investidor de risco, sócio fundador da Oxford Capital, uma firma de investimento imobiliário em Londres, compartilhou em entrevista à BBC News Mundo sua visão – a partir de discussão com suas equipes – sobre como serão os espaços de trabalho daqui para frente.

Abaixo, seguem algumas tendências prováveis que ele relacionou:

1. O escritório totalmente remoto

Segundo Mott, com a pandemia e a obrigatoriedade do trabalho em casa, abrimos nossos olhos para as maravilhas do trabalho remoto. “O Zoom e outras plataformas de videochamada não são perfeitos, mas nos libertaram do escritório. Os nômades digitais já faziam isso e agora aprendemos com suas experiências”, explica.

Embora o home office seja uma possibilidade real para muitos negócios e tenha funcionado muito bem para outros, não podemos esquecer que ele exige trabalho e muita tecnologia para funcionar de maneira plena.

Uma das principais vantagens apontadas por Mott é a “possibilidade de novas contratações em lugares distantes, para expandir talentos, além da economia de custos”.

2. O modelo híbrido

Esse modelo consiste em trabalhar um ou dois dias por semana no escritório e o restante em casa.

É um padrão no qual Marco Minervini, pesquisador de design organizacional da escola de negócios Insead, em Singapura, também aposta. Segundo ele, trata-se de combinar trabalho remoto com trabalho de escritório.

Nicholas Bloom, professor de economia da Universidade de Stanford e especializado em trabalho remoto, disse à BBC que dois dias de trabalho em casa por semana é o modelo ideal para alcançar um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, reduzindo o estresse e o tempo de deslocamento entre caso e escritório.

Porém, é sempre válido destacar que ele pode não funcionar para todos, principalmente aqueles que preferem uma rotina mais estabelecida. E também para colaboradores que não têm espaço ou acomodações adequadas em suas casas.

3. Modelo remoto ‘plus’

Uma semana no escritório, seguida de três semanas trabalhando remotamente.

“Esse modelo permite que as pessoas fiquem longe, mas façam o esforço de passar o tempo trabalhando ao lado de sua equipe uma vez por mês”, diz Mott.

Não é o modelo mais difundido, mas algumas grandes empresas, como a Estée Lauder, decidiram aplicá-lo em breve depois de deliberarem com os funcionários.

Ela diz que considera que trabalhar de casa “tem muitas vantagens, mas estar no escritório e em contato com os colegas também tem. Não sou menos produtiva para trabalhar três semanas de casa, mas é verdade que ir para o escritório nessa semana pode ser bom para o trabalho em equipe”.

4. Hub e Spoke

Este modelo leva o nome de um paradigma de distribuição radial, que se expande a partir do centro, como uma espécie de “raios” de sol.

Consiste na “expansão da empresa, com escritórios remotos em outras cidades ou países, para aproveitar as competências locais”, explica Mott.

“Se, por exemplo, 10 colegas morarem na mesma área, eles podem se socializar com mais frequência nesses espaços ou colocar em prática o conceito WFA (trabalhe de onde quiser pelo tempo que quiser)”.

Ou seja, ele é uma variante do escritório híbrido com mais opções locais, dependendo do layout da equipe.

5. Tempo de qualidade

Este quinto modelo diz respeito à empresas que priorizam a qualidade da produção, sem fiscalizar tanto o horário de trabalho: não importa que os funcionários trabalhem das 9h às 17h; cada pessoa é diferente e tem seus compromissos. O importante é o resultado do trabalho.

“Há flexibilidade para adaptar o trabalho a outros compromissos, ao invés de subordinar a vida familiar aos compromissos de trabalho”, resume Mott.

O outro lado da moeda de trabalho flexível está relacionado à confiança nos colegas e funcionários. Afinal, quando as pessoas estão em casa, não é possível saber o que estão fazendo o tempo todo. É por isso que este modelo requer um alto nível de confiança.

“Mas quem não gosta de confiança no trabalho? Eu não ficaria feliz na minha organização se as pessoas não confiassem em mim”, conclui Mott.

O futuro já chegou

trabalho em equipe

Ambiente de trabalho em equipe mais produtivo.

 

As novas tecnologias impulsionaram mudanças na forma de trabalhar e na produtividade das equipes, mas talvez não tanto nos espaços de trabalho.

“É claro que a revolução digital mudou muito nos últimos 10 ou 20 anos. Algumas empresas como Google, Facebook ou Bloomberg investiram em escritórios realmente modernos e inovadores — há quem diga que isso era para as pessoas ficarem mais tempo no escritório —, mas isso é coisa do passado”, pondera o investidor.

Para Sylvia Fernandes, da Trio Arquitetura e Engenharia, as 10 habilidades mais importantes para o profissional do futuro, de acordo com o World Economic Forum, serão todas comportamentais e não técnicas.

“Nesse novo mundo normal, precisaremos saber como pensar e não o que pensar, além de aprender e nos aprimoramos constantemente, uma vez que a tecnologia continuará a avançar em escala exponencial”, disse.

A verdadeira mudança, segundo Mott e outros especialistas da área, está chegando agora, com a pandemia.

“O hábito de ir trabalhar todos os dias em um escritório foi alterado, e quando um hábito se quebra, você pode criar um novo. A era da mesa permanente acabou”, resume.

E você, o que acha destas tendências e mudanças? Deixe seu comentário abaixo.

Fonte: com informações da BCC News

 

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