Resumo da Semana: notícias do mercado imobiliário corporativo #77

Apresentamos abaixo as notícias mais recentes do mercado imobiliário corporativo, de 20/05 a 26/05, além de artigos e conteúdos com temas relacionados.

Lojistas de shoppings sofrem com os reajustes de aluguéis

24/05 – Diário do Comércio

Apesar da retomada pós-Covid, a situação dos lojistas de shopping ainda está longe do mundo ideal. As vendas estão crescendo lentamente e os comerciantes ainda enfrentam altos aluguéis, com pouca margem para negociações.

Foto: Unsplash

O cenário atual certamente é melhor do que o dos últimos dois anos.

De acordo com o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping), Alexandre Dolabella.

“O segmento de confecções e acessórios melhorou bastante, porque os eventos e festas, como as de casamento, voltaram. O setor de vestuário foi o que mais sofreu durante a pandemia e agora está indo melhor, seja ele feminino ou masculino. Mas a demanda ainda está muito devagar”.

Os lojistas estão sofrendo também com os preços dos aluguéis.

A situação está pior para os antigos, obrigados a absorver reajustes pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) – que inclui diversas variações da cadeia produtiva, inclusive insumos, e, por isso, tem sido maior que o IPCA.

“O aluguel ainda é alto e isso acontece em um cenário de vendas menores. Às vezes, os shoppings parcelam, diminuem alguma coisa, mas o reajuste fica em 18%, 19%, o que é um absurdo. Eles estão negociando muito pouco e com poucos clientes”, acrescenta o dirigente.

Os novos lojistas, por sua vez, estão procurando marcas melhores, franquias mais fortes, o que contribuiu para ampliar o mix dos shoppings, que está ficando mais diversificado. Mas o movimento ainda está longe do que era antes da pandemia, reforça Dolabella. Segundo ele, as medidas governamentais de incentivo pouco valeram para o comércio até agora.

Para melhorar mesmo, não tem outro jeito: a inflação tem que cair, os juros também e o País tem que voltar a crescer em índices mais robustos. 

Bancos mantêm equipes em home office e trabalho híbrido

22/05/2022 – Folha de S.Paulo

O home office e o trabalho híbrido permanecem sendo adotados por algumas das maiores empregadoras do país – sobretudo bancos -, e a expectativa é que sejam mantidos, mesmo com o avanço da vacinação e diminuição dos casos da pandemia.

Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho e Previdência, fazem parte da lista as instituições bancárias (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco e Itaú), os Correios, empresas do setor de alimentação (BRF e Seara), de teleatendimento (Atento) e de saúde (Raia-Drogasil).

Imagem: FreePik

Com quase 100 mil colaboradores hoje, o Itaú Unibanco chegou a migrar metade de seu quadro para o modelo remoto, com o início da pandemia, em 2020.

Em fevereiro deste ano, já com a vacinação em estágio mais avançado, o banco passou a adotar três modelos de trabalho nos escritórios administrativos: presencial, para os colaboradores cujas funções demandam presença no banco todos os dias; híbrido, para times que precisam trabalhar nos escritórios com frequência ou em situações predefinidas; e flexível, que prevê mais autonomia.

No Bradesco, há a expectativa de manter cerca de 30% do quadro de funcionários no sistema híbrido para as áreas administrativas com atividades elegíveis.

Eles também têm a avaliação de que, em algumas áreas, essa modalidade de trabalho passou a ser relevante para a atratividade e a retenção de talentos.

A Caixa chegou a ter mais de 56 mil empregados (35,6% do total) trabalhando de casa, em razão da pandemia, e teve um retorno positivo por parte dos que atuaram remotamente, sobretudo pela maior autonomia e possibilidade de conciliação entre trabalho e família.

“Com isso, considerando o cenário atual, estudam-se a implantação e percentuais aplicáveis para manutenção do trabalho remoto na empresa”, diz a assessoria do banco.

Depois de usar a modalidade durante a pandemia, o Banco do Brasil implantou o trabalho de formato híbrido, com até dois dias na semana fora do escritório. Atualmente, são cerca de 4% dos 86,3 mil funcionários alternando entre o trabalho remoto e o presencial.

Torre icônica da Faria Lima, Infinity Tower é avaliada em 1,4 bi em venda privada para grupo

19/05/2022 – Brazil Journal

A GTIS Partners efetuou a venda de 62% do que detinha da Infinity Tower, o edifício icônico localizado no principal polo comercial de São Paulo – a Avenida Faria Lima. 

A gestora internacional vendeu sua participação por R$ 850 milhões, numa transação que avaliou o ativo em R$ 1,37 bilhão.

A transação é o maior preço/metro já pago por um ativo único no Brasil: o valor de R$ 39.170 o m².

O cap rate da transação ficou em torno de 6,7%. Vale destacar que o imóvel não tem dívida.

O comprador é um grupo formado pelas empresas Lucio, do empresário Firmino Lúcio – que é grande na Zona Leste e começou a comprar terrenos no Itaim Bibi/Vila Olímpia em 2005 – a Omar Maksoud e a AMY, de Antonio Yunes. Este grupo já detinha uma participação desde que o prédio foi lançado em 2012, e agora passa a ter 100% do edifício.

Maristela Val Diniz, diretora sênior de desenvolvimento e gestão de ativos da GTIS destacou em entrevista.

“Já tivemos outras janelas de desinvestimento, mas para nós o supreendente foi o valor por metro quadrado alcançado mesmo nesse momento em que estamos do ciclo”.

O Infinity Tower era até agora um ativo de dois fundos: o Brasil Fundo 1 e um veículo de coinvestimento. Ambos são geridos pela GTIS e estão na fase de desinvestimento.

Essa transação ocorreu um dia após a Brookfield pagar R$ 6 bi por 80% dos ativos da BR Properties. Isso mostra que o mercado imobiliário de São Palo continua inspirando confiança e atraindo compradores para ativos triple A com localização premium.

Senso de urgência em FIIs de tijolo

25/05 – Valor Investe

Nas últimas semanas, algumas notícias movimentaram o mercado imobiliário. Dentre elas, a venda por R$ 6 bilhões de parte do portfólio da BR Properties para o Grupo Brookfield e a venda de R$ 1,4 bilhão do Infinity Tower, da GTIS Partners para um grupo de empresas que detinha posse do restante do imóvel.

No segundo caso, o ativo está localizado em uma das regiões mais primes de São Paulo – a Faria Lima. A transação registrou o maior valor pago por metro quadrado no país, cerca de R$ 39,2 mil/m².

Imagem: Getty Images/iStockphoto

Essas movimentações reforçam o apetite dos investidores profissionais por ativos de qualidade e bem localizados. Além disso, evidencia a grande diferença nas cotações do FIIs de Tijolo frente aos imóveis reais, negociados fora da bolsa de valores.

Cumpre ressaltar que a vacância física está diminuindo gradativamente, observando a absorção líquida tanto nas lajes corporativas, quanto nos ativos logísticos e industriais.

Além disso, os proprietários estão conseguindo repassar o ajuste inflacionário nos contratos de locação, assim como temos verificado a evolução do NOI (Net Operating Income) nos shoppings. Isso demonstra que a pior parte da pandemia ficou para trás.

Enquanto grande parcela dos FIIs de Tijolo negocia com desconto frente ao valor patrimonial e muitas vezes próximo ou abaixo do custo de reposição, o mercado imobiliário tem apresentado transações com valores reais que não refletem os preços do secundário.

Atribuímos isso principalmente pelo fato que os investidores olham apenas o Dividend Yield (DY) dos FIIs e os comparam cegamente com os ativos de Renda Fixa, os quais apresentam rentabilidades que são mais fáceis de identificar, isto é, são mais palpáveis.

Embora os investidores possuam a identificação com os imóveis, visto que historicamente investir em imóveis foi um bom negócio, acabam esquecendo de avaliar o retorno total dos FIIs de Tijolo. 

Na prática, comparam o DY com a Taxa Selic e deixam de lado o potencial de valorização no valor dos imóveis, que acabam refletindo na cota-patrimonial do fundo, e, que, na maioria das vezes, protege o investidor contra a inflação.

Infelizmente, a precificação dos fundos imobiliários está muito mais atrelada a evolução da curva de juros futuro do que a real capacidade em criar valor dentro dessa classe de ativos, além da injeção constante de recursos na economia, o que, de fato, contribui para o desenvolvimento do país.

Lembrando que também temos visto negociações de imóveis em FIIs, as quais apresentam TIR (Taxa Interna de Retorno) bem acima da rentabilidade que os investidores são acostumados a ver na Renda Fixa, por exemplo. Algumas transações apontam para TIRs entre 20% e 30%, o que facilmente superam a inflação, bem como a própria Taxa Selic.

Inflação continuará persistente apesar de desaceleração, dizem economistas

24/05/2022 – Folha de S.Paulo

Para quem olha apenas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação, o pior parece estar ficando para trás —mas isso não quer dizer que o consumidor sentirá um alívio no bolso tão cedo. Após provavelmente ter atingido o seu pico, a inflação tende a arrefecer de forma lenta nos próximos meses.

Imagem: FreePik

“A gente fala muito de desinflação, que é uma taxa de inflação menor. Isso significa preços acelerando menos, mas cada vez mais altos. Para o consumidor, ainda é um período pesado para os gastos”, afirma Júlia Passabom, economista do Itaú Unibanco.

No acumulado em 12 meses até abril, o IPCA ficou em 12,13%, maior nível desde outubro de 2003 (13,98%). Nesta terça-feira (24), o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) atingiu 12,20%, com elevação de 0,59% em maio, ante alta de 1,73% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O que ajudou a segurar o resultado de maio foi a deflação do grupo habitação (-3,85%), puxada pelo fim da cobrança extra na tarifa da conta de luz, com a passagem da bandeira de escassez hídrica à verde a partir de 16 de abril. Transportes e vestuário apresentaram taxas menores, alimentação e bebidas também recuaram.

De acordo com as projeções do Itaú, a inflação deve permanecer no ritmo de 10% até o fim do terceiro trimestre e sair do patamar de dois dígitos apenas em outubro. A expectativa do banco é de que o indicador encerre 2022 ainda pressionado, em 8,5%, refletindo preços administrados (combustíveis) mais elevados e desinflação de bens no segundo semestre.

ARTIGOS BUILDINGS

Antes de finalizar, te convido para conferir os artigos e outras notícias disponíveis na Revista Buildings e, também, no nosso canal no Youtube.

Nesta semana publicamos um vídeo com alguns dos melhores momentos do 10º Buildings Exclusive, realizado em São Paulo no início de maio. Leia artigo aqui.

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