Transparência ganha novas dimensões no mercado imobiliário, aponta estudo da JLL

Brasil aparece na 43ª posição entre 88 mercados analisados e permanece na categoria de mercados semitransparentes.

São Paulo, 8 outubro de 2026 – À medida que o mercado imobiliário se torna mais segmentado e incorpora novas classes de ativos e tecnologias, a transparência passa a ocupar um papel central na tomada de decisão que orienta investimentos.

Dados sobre preços, aluguéis e transações continuam relevantes. Contudo, investidores e ocupantes passam a demandar maior visibilidade sobre aspectos como infraestrutura, capacidade energética, custos operacionais, regulação e desempenho dos ativos.

É o que aponta o estudo Global Real Estate Transparency Index (GRETI) 2026, da JLL.

Embora dois terços dos 88 países analisados tenham avançado nesse quesito nos últimos dois anos, os mercados mais transparentes seguem concentrando a maior parcela do capital imobiliário global. Além disso, ampliaram ainda mais sua vantagem em relação aos demais.

Os números demonstram o quanto esse é um fator que tem reflexos positivos no mercado de real estate. Aqueles classificados como altamente transparentes registraram crescimento de 64% nos volumes de transações no período. Isso representa 20 pontos percentuais acima do restante do mundo.

Os 13 países desse grupo concentram 56% do estoque global de imóveis geradores de renda e mais de 80% do investimento direto. Ao mesmo tempo, mercados que vêm avançando no assunto, como Índia e Vietnã, registraram volumes de transações diretas em níveis recordes nos últimos dois anos.

Resultado pode evidenciar uma nova demanda

O Brasil caiu uma posição em relação à última pesquisa, realizada em 2024. Nesse sentido, aparece na 43ª posição, ainda na categoria de mercados semitransparentes. Mais do que uma fotografia da situação atual do país, o resultado pode evidenciar uma nova demanda.

“A transparência do mercado imobiliário está evoluindo junto com a própria complexidade dos ativos. Hoje, não basta conhecer apenas os indicadores tradicionais de um mercado: à medida que novos segmentos ganham espaço, aumenta também a necessidade de informações que permitam entender melhor como esses ativos operam e quais fatores podem afetar seu desempenho. É uma mudança importante na forma como investidores analisam oportunidades e riscos”, afirma Washington Botelho, CEO Brasil da JLL.

A tecnologia é parte central dessa transformação. Assim, segundo o GRETI, mais de 90% dos ocupantes e investidores imobiliários já utilizam ferramentas de inteligência artificial.

A capacidade de processar grandes volumes de informações amplia o potencial de análise do mercado. Ao mesmo tempo em que aumenta a importância da disponibilidade e da qualidade dos dados utilizados nessas análises.

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Aspectos operacionais, regulatórios e de infraestrutura

Em paralelo, classes de ativos alternativos, como data centers, já representam 20% dos volumes de transações diretas de imóveis no mundo, o dobro da participação registrada há uma década.

Nesses segmentos, a análise de um ativo exige informações que vão além dos indicadores imobiliários tradicionais, incluindo aspectos operacionais, regulatórios e de infraestrutura.

Consequentemente, a questão energética também ganha espaço na avaliação dos ativos.

O estudo aponta que investidores e ocupantes com alta demanda por energia, como operadores de data centers e empresas de manufatura avançada, precisam de maior visibilidade sobre a capacidade das redes e suas eventuais restrições. O Brasil é um dos países que vêm adotando exigências de divulgação relacionadas à sustentabilidade, uso de energia e riscos climáticos.

Para o mercado brasileiro, esse cenário reforça a importância de avançar não apenas na quantidade de informações disponíveis, mas na forma como elas são produzidas, organizadas e disponibilizadas ao mercado.

O GRETI identifica a digitalização, o aumento da frequência dos dados e mecanismos de reporte mais estruturados como alguns dos movimentos associados à evolução da transparência nos mercados analisados.

“Esse é um fator que beneficia a análise de preços e a mitigação de riscos, grandes exigências atuais dos investidores. Mercados estruturados sob a ótica da disponibilidade de dados e estruturas regulatórias são para onde o capital tende a fluir”, explica Botelho.

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