A sustentabilidade no mercado imobiliário

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Imagem: Google

A sustentabilidade no mercado imobiliário em tempos de crise

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Por Wagner Oliveira, gerente de consultoria do CTE

O respeito à natureza e a economia de recursos são importantes em momentos de baixa no setor

Após o boom imobiliário vivido no Brasil entre 2006 e 2013, o setor da construção civil perdeu energia e sofreu uma drástica desaceleração, em consequência da crise econômica e politica que assola o País. Esta desaceleração ocasionou uma redução significativa no número de lançamentos de edifícios no mercado imobiliário nacional e, por tabela, de edifícios sustentáveis.

No entanto, as práticas de sustentabilidade não retrocederam, e os empreendimentos corporativos e logísticos lançados após 2013 continuam a adotar premissas relacionadas ao respeito à natureza. A construção verde não foi uma moda passageira, mas sim um movimento consistente que, ao adotar conceitos, metodologias e tecnologias sustentáveis, passou a influenciar a construção civil brasileira.

Como termômetro deste movimento, dados do Green Building Council Brasil (BC Brasil) apontam que a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED®) registra, até o mês de junho de 2016, um número maior de projetos para obtenção desta certificação do que os números registrados no mesmo período de 2015 e 2014. Em junho de 2016, além de 349 edificações já certificadas, haviam 1.110 empreendimentos registrados em análise, em sua grande maioria edifícios comerciais e corporativos. Pela média, quase três empreendimentos por dia entram com pedido de registro para certificação LEED no Brasil.

Em paralelo à busca de certificação dos novos empreendimentos, observa-se, nestes últimos dois anos, um forte e crescente movimento focado na busca e adoção de estratégias sustentáveis em edifícios já existentes e em operação. Parte deste crescimento tem sido impulsionada pela demanda por ações que possam reduzir, principalmente, os consumos de água e de energia, devido à elevação das tarifas de energia elétrica e à crise hídrica enfrentada no último ano no País. Já a outra parte, decorre da necessidade de os empreendimentos mais antigos se modernizarem para se tornarem mais competitivos no mercado.

Há um fenômeno bastante interessante acontecendo no mercado imobiliário brasileiro, principalmente no mercado de galpões industriais e edifícios de escritório, decorrente do efeito denominado flight to quality. Um grande volume de empreendimentos novos e modernos está sendo entregue com baixos valores de locação e baixos custos operacionais, resultados da adoção de tecnologias e equipamentos mais modernos, aliados ao exercício de práticas sustentáveis nas fases de concepção, projeto e construção. Complementando este movimento sustentável focado em edifícios existentes, observa-se, também, o desenvolvimento de ações focadas no retrofit de edificações com viés de sustentabilidade.

Esta realidade vivida hoje no Brasil, mesmo em tempos de crise, fortalece a visão de que a adoção dos conceitos e práticas da sustentabilidade propicia um adicional de valor e um diferencial competitivo em curto, médio e longo prazo. Para os próximos anos, com a expectativa de melhoria do cenário politico e econômico nacional, tudo indica que o movimento da construção sustentável continuará crescendo por aqui.

Cabe ressaltar que as edificações brasileiras são responsáveis pelo consumo de 21% da água tratada, 50% de toda energia elétrica produzida no País e, ainda, geram 25% dos resíduos sólidos. Estas percepções são confirmadas em um recente estudo do World Green Building Trends 2016 – Developing Markets Accelerate Global Green Growth, publicado pela Dodge Data & Analytics. O estudo descreve as tendências do mercado imobiliário nacional e aponta para um salto de 6%, em 2015, para 36%, em 2018, na intenção das empresas de obterem alguma certificação de sustentabilidade para edificações em pelo menos 60% de seu portfólio. O estudo aponta, também, que 47% dos novos edifícios de escritório e 47% das atividades de retrofit contarão com algum tipo de certificação sustentável.

Os principais desafios para este crescimento são a falta de incentivos públicos e a falta de consciência da sociedade para a adoção de estratégias sustentáveis na construção e operação dos empreendimentos. Desafios, no entanto, que tendem a ser superados ao longo dos próximos anos, principalmente com o aumento da educação dos consumidores, da conscientização dos empreendedores em relação a essas questões e com a modernização do Estado Brasileiro.

2 Comments

  1. José Ruiz Reply

    Além de atentos ao meio ambiente, os profissionais do setor terão que se voltar de forma “muito intensa” para os interesses das pessoas.. relevados pela maioria dos profissionais do setor, que só pensam no mercado.. agora, ninguém arrisca financiamento, que bancava 80% das vendas.. o mercado imobiliário experimenta a soma do esvaziamento da bolha com a profunda crise econômica provocada pelo golpe (há quem diga que vai superar 1929).. acredito que pelo menos nos próximos 10 anos a especulação imobiliária (o tal investimento) estará fora de cogitação.. mas isso não significa de maneira alguma que o mercado vai parar.. os objetivos serão outros.. e isso acarretará uma profissionalização do setor.. só os bons vão sobreviver.. http://imoveisnabaixada.cim.br/o-futuro-do-mercado-imobiliario-na-baixada-santista/

  2. marcello dantas Reply

    Momento ideal para os profissionais de projeto e construção que tenham profundo conhecimento em sustentabilidade, saibam planejar utilizando bioclimatismo e eficiência energética, ou seja, a boa arquitetura e a boa engenharia civil.
    Momento oportuno justamente por romper com a bolha do mundo da fantasia propagandeada pelo governo anterior onde decisões equivocadas ,baseadas na ingênua crença de recursos infinitos, alimentaram a expansão de empreendimentos focados apenas na etapa de assinatura do contrato no stand de vendas.

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