Chucri Zaidan encara o teste da nova oferta após forte queda da vacância

Conteúdo Exclusivo — Por Ellen Costa

Com demanda em alta e vacância em trajetória de queda, Chucri Zaidan recebeu 14 mil m² de novo estoque no 2T 2026 e ainda terá mais 90 mil m² em duas torres corporativas.

São Paulo, 26 de agosto de 2026 — A Chucri Zaidan entrou em uma nova fase do ciclo imobiliário. A região, que já recuperou boa parte da ocupação perdida nos últimos anos, agora precisa provar que consegue absorver uma nova onda de oferta sem interromper a trajetória de recuperação.

Os dados mais recentes do Buildings CRE Tool mostram que o mercado de escritórios de alto padrão (Classe A e A+) avançou no segundo trimestre de 2026. A região recebeu 14 mil m² de novo estoque, após a entrega de 7,5 mil m², lá no quarto trimestre de 2023.

Mesmo com essa entrada, a demanda permaneceu firme. A absorção líquida chegou a 24 mil m² no período, acima dos 16 mil m² registrados no trimestre anterior.

Como resultado, a taxa de vacância caiu de 14,4% para 13,1%. A queda mantém uma trajetória iniciada no segundo trimestre de 2023 e reforça a recuperação estrutural do mercado.

Além disso, o movimento ganha ainda mais relevância diante do tamanho da região. Atualmente, a Chucri Zaidan reúne 35 edifícios de alto padrão e um estoque total de aproximadamente 913 mil m². E com promessa próxima de crescer.

A oferta aumentou, mas a vacância continuou caindo

A entrega do Éden Corporate ajuda a explicar o aumento do estoque no segundo trimestre. Ainda assim, a nova oferta não foi suficiente para interromper o avanço da ocupação.

Esse comportamento indica que a demanda corporativa continua absorvendo espaços em ritmo consistente. Além disso, mostra uma diferença importante em relação aos ciclos anteriores.

Quando a oferta cresce em um mercado com demanda enfraquecida, a consequência natural costuma aparecer na vacância. Na Chucri Zaidan, porém, ocorreu o movimento contrário.

A região adicionou 14 mil m² ao estoque e, simultaneamente, registrou 24 mil m² de absorção líquida positiva.

Isso significa que o setor absorveu mais área do que recebeu em novo estoque no trimestre. Portanto, a pressão sobre a vacância permaneceu positiva.

O desempenho também acompanha uma tendência observada em outras regiões de São Paulo.

Na entrevista ao Liga de FIIs, ocorrida há duas semanas, Fernando Didziakas destacou que seis das sete principais regiões monitoradas pela Buildings reduziram a vacância no segundo trimestre.

No panorama geral, Didziakas também ressaltou que São Paulo chegou a uma taxa de vacância próxima de 14% entre os edifícios corporativos. O indicador retornou ao patamar observado no primeiro trimestre de 2020, quando a pandemia começava a preocupar o país.

O gestor apontou que São Paulo possui hoje cerca de 1 milhão de m² a mais de escritórios ocupados do que em 2020, mesmo apresentando uma taxa de vacância semelhante.

Chucri ainda tem espaço para ganhar valor

A melhora da ocupação também começa a aparecer nos preços pedidos.

Embora o ajuste tenha sido pequeno se comparado a outras regiões, na Chucri Zaidan, o preço médio de aluguel avançou de R$ 110 para R$ 111,20 por m² no segundo trimestre.

O movimento ainda coloca a região abaixo de mercados mais consolidados, como Faria Lima e Paulista. No entanto, também evidencia uma recuperação gradual dos valores.

Durante a entrevista ao Liga de FIIs, Didziakas apontou que a Chucri apresentava preços médios próximos de R$ 110 a R$ 115 por m². Alguns edifícios, contudo, já alcançavam R$ 130 a R$ 140 por m².

A diferença de preço ajuda a explicar parte da atratividade da região. Enquanto a Faria Lima trabalha com valores muito superiores (na casa de R$ 300), a Chucri oferece uma alternativa para empresas que buscam padrão elevado sem assumir o mesmo custo de ocupação.

Assim, a redução da vacância pode abrir espaço para uma recuperação adicional dos preços.

Esse movimento, porém, dependerá da capacidade da demanda de acompanhar a próxima etapa de crescimento do estoque.

O verdadeiro teste começa agora

O principal desafio da Chucri Zaidan não está no estoque entregue no segundo trimestre. O ponto de atenção está nos próximos 90 mil m².

A região possui aproximadamente 90 mil m² de atividade construtiva relacionada às torres A e B do Esther Towers. Quando concluídos, os empreendimentos acrescentarão uma quantidade relevante de espaços corporativos ao mercado.

Considerando uma base superior a 900 mil m², isso representa aproximadamente 10% de acréscimo ao estoque. Por isso, a chegada dessa oferta pode provocar uma oscilação temporária na vacância.

Assim, o ponto decisivo será entender quanto dessa nova oferta o mercado conseguirá absorver e em quanto tempo.

Leia também:
– Escassez de galpões fica evidente: 80% das maiores locações do tri ocorreram antes da entrega
IA e dados podem ajudar a resolver o maior gargalo da construção: produtividade
– O prédio deixou de ser só um prédio, diz especialista do setor

A demanda por grandes áreas pode favorecer a região

Existe, entretanto, um fator que pode jogar a favor da Chucri Zaidan: o retorno das grandes ocupações.

Durante a pandemia, muitas empresas reduziram suas áreas corporativas. Agora, esse movimento começou a se inverter.

“Empresas que ocupavam 4 mil m² passaram para 7 mil m², enquanto outras avançaram de 7 mil para 10 mil m². Essa recomposição cria uma demanda relevante por edifícios capazes de oferecer grandes blocos contínuos”, destacou Didziakas durante a conversa com a InfoMoney.

Além disso, a escassez de grandes áreas já estimula movimentos de pré-locação no mercado corporativo.

Didziakas relacionou esse comportamento à falta de espaços consecutivos e à escassez de oportunidades para grandes ocupações.

Assim, se os novos empreendimentos conseguirem atender empresas que procuram grandes áreas e não encontram opções disponíveis no estoque atual, parte significativa da oferta poderá encontrar demanda antes mesmo da entrega.

A região chegou a apresentar vacância de aproximadamente 33% quando grande parte do estoque foi entregue. Naquele contexto, os novos espaços pressionaram fortemente o mercado.

Hoje, a realidade é diferente.

A região parte de uma taxa de 13,1%, absorção líquida positiva de 24 mil m² e preços em recuperação. Além disso, a demanda corporativa demonstra maior disposição para ampliar áreas e garantir espaços.

A região precisa absorver valor

O próximo ciclo será importante não apenas para proprietários e incorporadores. Ele também ajudará a definir o novo posicionamento competitivo da Chucri Zaidan dentro do mercado corporativo paulistano.

A questão agora é outra: a demanda continuará crescendo no mesmo ritmo da oferta?

Os números do segundo trimestre sugerem que existe espaço para otimismo. A absorção líquida superou o novo estoque, a vacância caiu e o preço médio avançou.

Contudo, os próximos trimestres serão decisivos.

Por fim, a região deixou para trás o ciclo de excesso de oferta e agora enfrenta um desafio diferente: provar que consegue crescer sem perder a recuperação conquistada nos últimos anos. Para conhecer e mapear o setor de escritórios de São Paulo, acesse o Buildings CRE Tool

Deixe uma resposta

Translate

Descubra mais sobre Revista Buildings

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo