Integrar informações e automatizar tarefas pode reduzir retrabalho e aumentar a eficiência em um setor no qual 92% dos projetos ultrapassam o orçamento, o cronograma ou ambos.
São Paulo, 21 de agosto de 2026 — A transformação digital está mudando a forma como empresas de construção e do mercado imobiliário corporativo projetam, desenvolvem, constroem e administram seus ativos.
Em um setor marcado por projetos complexos, alto volume de informações e pressão constante sobre custos e prazos, a capacidade de integrar dados e automatizar processos deixou de ser apenas uma vantagem operacional. Passou a influenciar diretamente a eficiência dos negócios.
Nesse sentido, a construção civil e o real estate corporativo produzem uma quantidade crescente de dados ao longo de todo o ciclo de um empreendimento. Vai do estudo de viabilidade e desenvolvimento do projeto à obra, comercialização, ocupação e gestão do ativo.
Quando essas informações permanecem dispersas entre diferentes sistemas, equipes e etapas, parte relevante do seu potencial se perde. Já a integração desses dados permite transformar informações operacionais em indicadores para apoiar decisões, antecipar riscos, reduzir retrabalho e melhorar a previsibilidade de custos e cronogramas.
Ness sentido, abre-se um precedente importante de ser analisado.
Por que a construção ainda não aproveita suas informações
Na avaliação de Theo Agelopoulos, vice-presidente global de Estratégia de Design para AECO da Autodesk, os projetos geram seis vezes mais dados. Apesar disso, as empresas deixam de utilizar cerca de 95% dessas informações.
Com tanta informação sem integração, o resultado aparece no caixa: 92% dos projetos acabam extrapolando o orçamento, o cronograma ou ambos.
Essa é a realidade global das empresas de Arquitetura, Engenharia, Construção e Operações (AECO), que têm encontrado na combinação entre inteligência artificial (IA) e automação um dos principais caminhos para transformar esse volume de dados em ganhos de produtividade.
A Autodesk apresentou essa análise durante o Design & Make Summit Brasil, evento multissetorial que reuniu mais de 100 líderes da indústria de AECO em São Paulo. E já passou por cidades como Londres, Seul, Tóquio e Sydney.
Dados fragmentados desafiam produtividade e controle na indústria de AECO
Segundo o executivo, o desafio passou a ser organizar e utilizar os dados gerados pelos projetos para apoiar decisões em tempo real.
“Parte significativa do tempo das equipes ainda se concentra na busca por informações espalhadas em diferentes sistemas. O objetivo é reunir esses dados em um ambiente integrado, permitindo que as equipes tomem decisões com mais rapidez e segurança”, explica Agelopoulos.
Na avaliação do executivo, a fragmentação dos dados ainda está entre as principais causas de atrasos. Além disso, envolve retrabalho e perda de produtividade das empresas de AECO.
Segundo ele, o segmento gera 149% mais arquivos do que empresas de outros setores com grau semelhante de complexidade, enquanto mais de 25% da semana de trabalho dos líderes é consumida pela busca e análise de informações sobre os projetos.
“A transformação digital que vivemos hoje é diferente daquela ocorrida no passado. As novas tecnologias permitem simular alternativas de projeto, identificar conflitos antes do início das obras, prever riscos e acompanhar os ativos durante a operação. Com isso, é possível reduzir o retrabalho e ampliar o controle sobre custos e cronogramas”, afirma Sylvio Mode, diretor-presidente da Autodesk do Brasil.
Essa mudança responde ao crescimento dos investimentos em infraestrutura no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), o setor recebeu R$ 280 bilhões em investimentos em 2025. Com isso aumentando a demanda por soluções que elevem a produtividade e melhorem o controle de custos, prazos e riscos.
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Dados como base para estratégia de negócios
Em um cenário de projetos mais complexos, os dados deixaram de ser apenas um recurso operacional e passaram a ocupar papel central na estratégia das empresas.
Segundo Sasha Crotty, vice-presidente de Estratégia de Dados para AECO da Autodesk, 98% dos líderes utilizam continuamente pelo menos uma ferramenta de dados, enquanto 65% das empresas já aplicam inteligência artificial em suas decisões.
A executiva também destaca o avanço dos agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas, analisar informações e coordenar fluxos de trabalho de forma autônoma.
Segundo apontou, 59% dos executivos esperam incorporar esse tipo de solução nos próximos 12 meses.
“Os líderes estão pensando em dados não só para aprimorar seus produtos e serviços. Também como base para a estratégia de negócios e a tomada de decisão. Além de identificar fatores de risco durante todo o projeto e sugerir um plano de ação”, reforça.
Design & Make movimenta US$ 31 trilhões
Nesse contexto, inteligência artificial, automação e ferramentas de análise de dados começam a avançar de aplicações pontuais para uma utilização mais estratégica. Para incorporadoras, construtoras, proprietários e gestores de imóveis corporativos, a tecnologia passa a atuar não apenas na execução das tarefas.
Também se destaca na identificação de oportunidades, no planejamento de projetos e na gestão de ativos ao longo de sua vida útil.
A economia Design & Make, que reúne setores como arquitetura, engenharia, construção, manufatura, mídia e entretenimento, emprega aproximadamente 300 milhões de profissionais. Além disso, deve gerar cerca de US$ 31 trilhões em valor econômico projetado, segundo a Autodesk.
Nesse cenário, a evolução da IA, da automação e da análise de dados indica a passagem da experimentação para a integração dessas tecnologias à estratégia dos negócios. E isso gera impactos sobre produtividade, colaboração, custos e decisões.
Por fim, a tendência aponta para um mercado em que dados deixam de ser apenas registros produzidos pelas operações. Eles passam a funcionar como infraestrutura para a tomada de decisão. Em um cenário de empreendimentos cada vez mais complexos e de maior exigência por produtividade, controlar, conectar e interpretar essas informações pode ser tão importante quanto construir bem.
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