Escritórios assumem papel estratégico e elevam produtividade

Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa

Estudos mostram que cenário imobiliário atual impulsiona uma nova geração de escritórios mais flexíveis e centrados na experiência humana.

São Paulo, 6 de julho de 2026 – Durante anos, muitas empresas apostaram no retorno obrigatório ao escritório como solução para recuperar produtividade, fortalecer a cultura organizacional e ampliar o engajamento das equipes.

Entretanto, os resultados mais recentes indicam um cenário diferente.

Pesquisa global da CIPD revela que 74% das empresas ainda mantinham o modelo híbrido em 2025. Além disso, segundo o portal BRA1, 41% dos empregadores registraram aumento da produtividade, enquanto apenas 16% observaram queda no desempenho das equipes.

O levantamento também aponta ganhos consistentes na retenção e no recrutamento de talentos, além de avanços no bem-estar dos colaboradores.

Vale destacar que o crescimento do presencial aconteceu porque muitas empresas redesenharam seus escritórios para oferecer colaboração, cultura, networking, aprendizado e experiência — elementos difíceis de reproduzir totalmente em casa.

Por isso, os especialistas falam cada vez mais em “destination office”: o escritório como um lugar onde o funcionário quer estar, e não apenas onde precisa bater ponto. Leia também: O escritório não acabou: ele mudou de função

Assim, essa mudança de percepção aparece claramente nos números atuais do mercado paulistano.

Escritórios paulistanos em evidência

Os dados do segundo trimestre de 2026, apurados pela Buildings, mostram que o estoque total de escritórios da cidade alcançou 12,5 milhões de metros quadrados (de todas as classes), dos quais 10,6 milhões já estão ocupados.

Além disso, a taxa de vacância caiu para 14,7% ante 15,4% registrado no trimestre anterior, enquanto a absorção líquida positiva chegou a 96,3 mil metros quadrados.

O movimento é ainda mais evidente nos edifícios de alto padrão.

Os ativos Classe A e A+ registraram vacância de 12,7%, queda de 1 ponto percentual em comparação ao primeiro trimestre. Trata-se de uma recuperação firme e consistente, especialmente quando observamos os principais polos corporativos da cidade.

Na região da Nova Faria Lima, a escassez de espaços disponíveis se tornou um fator determinante. Nos edifícios corporativos A e A+, a vacância está em apenas 6,3%, índice considerado extremamente baixo para o mercado. Como consequência, o preço médio pedido de locação avançou de forma significativa, saindo de R$ 307,7 para R$ 322,3 o metro quadrado.

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Espaços flexíveis redefinem o mercado de escritórios

Nesse contexto, especialistas afirmam que o debate deixou de girar apenas em torno do local de trabalho. Cada vez mais, empresas percebem que o fator decisivo está na qualidade do ativo e da experiência oferecida aos profissionais.

O desafio passou a ser construir ambientes que favoreçam colaboração, criatividade e pertencimento.

Assim, em vez de grandes sedes permanentes e contratos tradicionais, empresas ampliam o interesse por modelos mais flexíveis, como escritórios BTS com serviços integrados e operações conectadas a espaços de coworking.

Além de reduzir a complexidade operacional, esse formato permite adaptar o ambiente às necessidades específicas de cada empresa ou operação.

Enquanto fornecedores especializados assumem a gestão da infraestrutura, as empresas direcionam esforços para fortalecer cultura, desenvolvimento de pessoas e estratégias de crescimento.

Consequentemente, o escritório passa a desempenhar uma nova função. Em vez de validar presença física, o espaço corporativo torna-se um ambiente voltado à inovação, à troca de conhecimento e ao relacionamento entre equipes.

Além disso, segundo a consultoria JLL, edifícios que oferecem serviços, conveniência, bem-estar e gestão da experiência dos ocupantes tornam-se mais competitivos para atrair empresas e colaboradores.

Em outras palavras, o diferencial deixou de ser apenas localização ou metragem; passou a incluir a capacidade do edifício de criar um ambiente em que as pessoas realmente desejem trabalhar.

Outro exemplo: a sede da CBRE Brasil, em São Paulo, foi concebida segundo o conceito global Workplace360, que substitui postos fixos por múltiplos ambientes de trabalho, amplia a flexibilidade e incentiva diferentes formas de colaboração ao longo do dia.

O projeto também privilegia tecnologia, integração entre equipes e localização com ampla oferta de serviços e transporte

Flexibilidade torna-se diferencial competitivo

O equilíbrio entre atividades presenciais e remotas permite responder às diferentes necessidades dos negócios, preservando produtividade, qualidade de vida e eficiência operacional.

Assim, o futuro dos escritórios não depende da disputa entre trabalho remoto e presencial. A principal mudança está na construção de ambientes capazes de atrair pessoas espontaneamente, fortalecer conexões e apoiar o desempenho das equipes.

Mais do que administrar imóveis, as empresas passam a investir em experiências que valorizam o capital humano e tornam os espaços corporativos verdadeiros ativos estratégicos.

Para conhecer todos os indicadores do setor de escritórios em São Paulo e mais 16 cidades do Brasil, acesse o Buildings CRE Tool e faça suas análises.

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