IA nas incorporadoras: mercado imobiliário acelera transformação digital

IA nas incorporadoras: pesquisa mostra que mais da metade das incorporadoras brasileiras já utiliza IA; para especialista, tecnologia deve liberar lideranças para decisões mais qualificadas e geração de valor.

São Paulo, 29 de junho de 2026 – A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de atendimento para se tornar uma plataforma de inteligência de mercado no setor imobiliário corporativo brasileiro.

Embora boa parte das discussões públicas ainda esteja voltada ao mercado residencial, as aplicações mais sofisticadas já avançam sobre os segmentos de escritórios e galpões logísticos. Nesses setores, o volume de dados e a velocidade das decisões exigem análises cada vez mais precisas.

Especialistas do setor apontam que o próximo estágio da IA no mercado imobiliário será o uso de agentes autônomos capazes de executar tarefas completas, integrando-se a CRMs, plataformas de dados, ERPs e sistemas de gestão.

Em vez de apenas responder consultas, esses agentes poderão gerar estudos de mercado, comparar ativos e identificar oportunidades. Além disso, podem sugerir estratégias de ocupação ou investimento com mínima a intervenção humana.

IA se transformou em diferencial competitivo

Assim, pesquisa inédita apresentada durante o Morada Summit 2026, realizado em São Paulo, revelou que 56,5% das incorporadoras do país já utilizam IA em alguma etapa de suas operações.

O levantamento, desenvolvido pela Morada.ai em parceria com a BCB Inteligência e a agência Upload, mostra que a adoção da tecnologia está gerando impactos concretos nos negócios.

Entre os principais benefícios apontados pelas empresas estão a melhoria do atendimento ao cliente (35%), aumento da produtividade (31,2%), redução de custos (30,8%) e apoio à tomada de decisões (30,8%).

O levantamento traçou ainda o perfil das empresas participantes.

A maior parte da amostra é formada por organizações com porte entre 51 e 200 colaboradores (36,5%), seguidas por empresas com 11 a 50 colaboradores (30,8%). As incorporadoras representam 52,7% dos respondentes, enquanto São Paulo concentra 41,4% da amostra, seguido por Minas Gerais (8,7%), Santa Catarina (8%) e Paraná (7,1%).

Para Irineu Guimarães, CEO da BLD Urbanismo, os números confirmam uma transformação que tende a redefinir a forma como o setor opera nos próximos anos.

“A inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta experimental para se tornar um diferencial competitivo. O mercado imobiliário trabalha com uma grande quantidade de informações, processos e análises. Quanto mais conseguimos automatizar atividades repetitivas, mais tempo as equipes ganham para se dedicar ao planejamento, à inovação e às decisões estratégicas”, afirma.

Nesse sentido, a pesquisa mostra ainda que a maior parte das empresas utiliza soluções desenvolvidas por terceiros (67,9%). E apenas 15,4% optaram por criar ferramentas próprias.

Além disso, outro dado relevante é que 41,7% das companhias já trabalham com inteligência artificial há pelo menos um ano. Com isso, demonstram que a tecnologia começa a entrar em uma fase de consolidação dentro do setor.

Tendências específicas para escritórios e logística

No segmento corporativo, a expectativa é que a IA evolua principalmente em quatro frentes:

  • Análise preditiva de oferta e demanda: antecipando movimentos de vacância, absorção e novos empreendimentos;
  • Busca inteligente de ativos: permitindo consultas em linguagem natural sobre edifícios e galpões;
  • Automação da produção de relatórios: transformando grandes volumes de dados em insights executivos;
  • Integração de múltiplas bases de dados: reunindo informações de mercado, infraestrutura, ESG, mobilidade e indicadores econômicos em uma única plataforma para apoiar decisões mais rápidas e fundamentadas.

Evento do GRI Institute, realizado na sede da GoodStorage, em São Paulo, reuniu especialistas em tecnologia, investidores e operadores imobiliários para debater como a IA generativa tem avançado no setor. Entre os principais insights do encontro, destacaram-se:

  • O Brasil saltou de R$ 2 bilhões em gastos com IA em 2024 para mais de R$ 13 bilhões em 2025. Além disso, tem projeção de ultrapassar R$ 30 bilhões em 2026 segundo a International Data Corporation;
  • Enquanto a taxa média global de experimentos de IA que chegam à produção gira em torno de 12%, laboratórios especializados na América Latina já alcançam 80% de sucesso ao adotar sprints curtos de 45 dias com foco rigoroso no problema de negócio e patrocínio executivo forte;
  • A transposição da IA do ambiente digital para o físico, como robótica em armazéns, veículos autônomos e captura inteligente de dados em edifícios, deve redesenhar a tipologia de produtos imobiliários residenciais e comerciais nos próximos cinco anos. Saiba mais aqui.

Produtividade é apenas o começo

Embora o aumento da eficiência apareça como um dos principais resultados da adoção da IA, Irineu acredita que o maior impacto da tecnologia ainda está por vir.

“Existe uma tendência de associar inteligência artificial apenas à redução de custos ou ganho de produtividade. O verdadeiro potencial está na capacidade de qualificar as decisões. Quando um gestor deixa de gastar horas analisando informações operacionais, ele pode dedicar mais tempo a compreender tendências, antecipar movimentos do mercado e pensar estrategicamente.”

Segundo o executivo, esse cenário é especialmente relevante em um setor que exige decisões de longo prazo e investimentos de grande porte.

“No urbanismo e no mercado imobiliário, as decisões tomadas hoje impactam cidades e comunidades por décadas. Ter acesso a análises mais rápidas e precisas permite reduzir riscos e aumentar a assertividade dos projetos.”

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Marketing, obras e gestão lideram transformação

O estudo aponta que as áreas de marketing comercial e gerenciamento de obras são atualmente as que mais utilizam inteligência artificial, ambas com 31,6% das menções. Em seguida aparecem projetos de engenharia, controle financeiro e automação de processos.

Para Irineu, essa expansão demonstra que a IA deixou de ser uma ferramenta restrita aos departamentos de tecnologia.

“Estamos vendo a inteligência artificial avançar para áreas diretamente ligadas ao negócio. Isso mostra que ela não é mais uma inovação isolada, mas um recurso capaz de impactar toda a cadeia de valor de uma empresa.”

Outro dado que chama atenção é a diversidade de plataformas adotadas pelo mercado. Entre as ferramentas mais utilizadas estão Claude (22,7%), ChatGPT (19,9%), Gemini (13,1%) e Copilot (9,1%), indicando que o setor ainda experimenta diferentes soluções e modelos de aplicação.

O desafio agora é transformar tecnologia em vantagem competitiva

Na avaliação de Irineu Guimarães, o próximo passo das empresas não será apenas ampliar o uso da inteligência artificial, mas aprender a utilizá-la de forma estratégica.

“A tecnologia está se tornando cada vez mais acessível. O diferencial competitivo não será simplesmente utilizar IA, mas saber como aplicá-la para gerar melhores resultados, tomar decisões mais inteligentes e criar valor para clientes, investidores e para a sociedade.”

Para o CEO da BLD Urbanismo, a tendência é que a inteligência artificial assuma progressivamente atividades operacionais, enquanto profissionais e lideranças passem a concentrar esforços em competências que continuam essencialmente humanas.

“O futuro dos negócios passa pela combinação entre tecnologia e visão estratégica. A inteligência artificial pode processar dados em segundos, mas continua sendo responsabilidade das pessoas interpretar cenários, fazer escolhas e construir o futuro das empresas e das cidades.”

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