Escassez de grandes lajes acelera disputa por escritórios em Santiago

Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa

Oferta restrita de escritórios em Santiago com metragem acima de 2.000 m² reforça o poder de negociação dos proprietários. 

São Paulo, 6 de agosto de 2026 – O mercado de escritórios de Santiago atravessa um momento de consolidação, impulsionado pela busca das empresas por ativos mais eficientes, modernos e alinhados às novas estratégias de ocupação.

Ao mesmo tempo, a oferta de grandes áreas contínuas permanece restrita, cenário que aumenta a competição pelos melhores edifícios. Além disso, pressiona os valores pedidos de locação.

Levantamento da Buildings, com dados da plataforma Buildings CRE Tool, mostra que a disponibilidade de áreas contínuas nos edifícios Corporate de alto padrão (Classe A e A+) concentra-se principalmente em metragens intermediárias.

Entretanto, conforme aumenta o tamanho da área necessária, o número de opções diminui de forma significativa.

Ao todo, os submercados analisados somam 96 edifícios com áreas contínuas disponíveis para locação (com metragem a partir de 501 m²), distribuídos em quatro faixas de metragem.

Oferta é pequena nas grandes metragens

A maior concentração de oportunidades levantada neste estudo encontra-se entre 1.001 m² e 2.000 m², faixa que reúne 33 edifícios. Ou seja, o equivalente a pouco mais de um terço de toda a oferta disponível (desconsiderando as áreas abaixo de 500 m²).

Nesse intervalo, Las Condes lidera com 15 imóveis, seguida por Vitacura, com 6, e Huechuraba, com 5. Na sequência aparecem Santiago Centro, com 3 edifícios, Lo Barnechea, com 2, além de Providencia e Recoleta, ambas com apenas uma opção.

Já na faixa entre 501 m² e 1.000 m², existem 28 edifícios disponíveis. Novamente, Las Condes concentra a maior oferta, com 13 ativos, enquanto Huechuraba e Vitacura possuem cinco imóveis cada. Santiago Centro reúne três opções, e Providencia, apenas duas.

Conforme gráfico abaixo, a redução torna-se evidente quando a necessidade supera 2.000 m².

Entre 2.001 m² e 4.000 m², o mercado oferece somente 16 edifícios. Desse total, Las Condes concentra nove imóveis, o equivalente a mais da metade da oferta disponível.

Providencia aparece com três opções, seguida por Huechuraba, com duas, enquanto Santiago Centro e Vitacura contam com apenas um edifício cada.

O cenário torna-se ainda mais restritivo para empresas que buscam áreas superiores a 4.000 m².

Nesse perfil, existem apenas 19 edifícios em toda a amostra analisada. Santiago Centro lidera a oferta com nove imóveis, praticamente metade do total disponível.

Providencia aparece na sequência, com cinco edifícios, enquanto Las Condes e Vitacura oferecem apenas duas opções cada. Huechuraba conta com um único empreendimento, e Recoleta e Lo Barnechea não apresentam disponibilidade nessa faixa.

Concentração geográfica limita alternativas

A distribuição da oferta revela uma forte concentração em poucos submercados. Enquanto Las Condes domina as metragens intermediárias, Santiago Centro concentra a maior parte das grandes lajes acima de 4.000 m².

Esse comportamento reduz a flexibilidade das empresas durante as negociações. Na prática, empresas que necessitam de grandes áreas encontram poucas alternativas, o que amplia a concorrência pelos edifícios mais modernos e bem localizados.

Além disso, a baixa disponibilidade limita estratégias de expansão e consolidação das operações corporativas. Isso ocorre especialmente entre companhias que precisam acomodar centenas de colaboradores em um único endereço.

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Escassez estrutural reforça tendência de valorização

A limitação da oferta ocorre justamente em um momento de recuperação consistente da demanda. Como consequência, o mercado passa a apresentar características típicas de escassez, sobretudo nos ativos de maior qualidade.

Durante o evento MI Comunidad Mujeres Inmobiliarias, realizado em julho, em Santiago, especialistas discutiram esse desequilíbrio entre oferta e demanda.

Em entrevista à CNN Chile, Ingrid Hartmann, gerente de Pesquisa da CBRE, destacou que o mercado registrou, em 2025, o maior volume de absorção da última década.

“Em 2025 tivemos um recorde de demanda, com uma absorção histórica que não víamos há uma década. É isso o que nos deixa hoje diante de um mercado que basicamente sofre com a escassez. O que nos falta hoje em dia são novos edifícios de escritórios, o que gera uma leitura preocupante a longo prazo, já que existe uma demanda acumulada que não encontra oferta disponível para se abastecer”, explicou a executiva.

Esse cenário indica que a pressão sobre os preços pedidos de locação tende a permanecer nos próximos anos.

Enquanto novos edifícios não chegam ao mercado, empresas deverão disputar um número cada vez menor de ativos capazes de atender operações de grande porte, consolidando uma nova fase para o mercado corporativo de Santiago.

Para ter um panorama completo do setor de escritórios no Chile, acesse a plataforma Buildings CRE Tool

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