Com dados da Buildings
Retomada do trabalho presencial reduz vacância, impulsiona locações em regiões estratégicas e força incorporadoras a investir em conforto, serviços e sustentabilidade.
São Paulo, 24 de junho de 2026 – O mercado de escritórios de São Paulo vive um novo ciclo de expansão impulsionado pela redução do home office nas grandes empresas. Matéria do Estadão aponta que, mais do que novas contratações, o movimento reflete o retorno gradual dos colaboradores aos ambientes corporativos, fortalecendo a demanda por lajes de alto padrão em regiões consolidadas da cidade.
Segundo gestores do setor, empresas que adotaram modelos remotos mais flexíveis passaram a rever suas estratégias.
O caso do Nubank tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dessa mudança ao ampliar sua presença física na capital paulista. Como resultado, regiões como Faria Lima, Paulista, Chucri Zaidan e Pinheiros registram forte absorção de espaços e enfrentam oferta limitada de novos empreendimentos.
Levantamento recente divulgado pela Suno (12/03) mostra que a vacância dos escritórios paulistanos continuou recuando ao longo de 2025 e início de 2026. O estudo atribui o movimento ao retorno gradual ao trabalho presencial e híbrido, além da busca por lajes mais eficientes.
Já análise da JLL Brasil aponta que o mercado de escritórios de alto padrão de São Paulo registrou dez quedas consecutivas na vacância. A consultoria também aponta que o crescimento da absorção líquida foi impulsionado principalmente pela volta das equipes aos escritórios.
Vacância cai e serviços ganham protagonismo
A retomada da ocupação também reduz significativamente a vacância dos edifícios corporativos.
A exemplo disso, dados da Buildings apontam que a taxa de vacância novamente registrou queda em 2026. Desta vez, de aproximadamente 1 ponto percentual em relação ao último trimestre de 2025.
Nesse sentido, o índice saiu de 14,4% (4T/2025) para 13,3% no primeiro trimestre. Em termos absolutos, a área vaga na cidade recuou de 758,1 mil m² para aproximadamente 701,3 mil m². E vem de uma trajetória acentuada de queda, conforme gráfico histórico abaixo:
Segundo o Estadão, no complexo Pinheiros One, por exemplo, a taxa de espaços vagos caiu de 30% para menos de 10% nos últimos dois anos. Dados da Buildings apontam que o empreendimento Triple A detém 16,3% de taxa de vacância atualmente.
Além disso, proprietários e gestores passaram a adaptar os empreendimentos às novas demandas dos usuários. Restaurantes, academias, cafeterias e serviços de conveniência deixaram de ser diferenciais para se tornar componentes essenciais da estratégia de ocupação.
A mudança acompanha uma rotina de trabalho mais flexível, com horários variados e diferentes formas de deslocamento.
Dessa forma, os empreendimentos precisam oferecer infraestrutura capaz de atender usuários que chegam mais cedo, saem mais tarde ou utilizam bicicletas, patinetes e transporte público.
Ainda nessa lógica, levantamento citado pelo Sindicato dos Processadores de Dados (SPD) mostra que 76% dos gestores demonstram insegurança em relação ao desempenho das equipes em regime remoto.
Cultura organizacional, integração e produtividade aparecem entre os principais argumentos para o retorno presencial.
Novo escritório prioriza experiência, mobilidade e colaboração
A retomada presencial também transformou o conceito de ambiente corporativo. Atualmente, empresas buscam espaços mais amplos, flexíveis e conectados aos principais eixos de mobilidade urbana. Sobre o tema, leia também o artigo: O escritório não acabou: ele mudou de função
A Jequiti exemplifica essa tendência. Em 2025, a companhia deixou um galpão na região da Anhanguera para ocupar duas lajes no Memorial Office Building, na Barra Funda. O novo espaço incorporou estúdio de podcast, áreas colaborativas, ambientes voltados à produção de conteúdo e laboratório de testes.
Especialistas destacam que a proximidade de estações de metrô, restaurantes e serviços figura entre os principais critérios de escolha. Ao mesmo tempo, as empresas procuram fortalecer a integração das equipes, estimular a colaboração presencial e consolidar operações em endereços mais estratégicos.
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Empreendimentos elevam padrão de conforto e sustentabilidade
Os novos projetos corporativos refletem diretamente essas transformações.
O Biosquare, futuro endereço da Amazon em Pinheiros, reúne características cada vez mais valorizadas pelo mercado, como lajes de até 2.600 m², ventilação natural, terraços privativos, controle da qualidade do ar e integração com áreas de convivência abertas ao público. Saiba mais sobre o empreendimento acessando o CRE Tool
Na mesma linha, o edifício Valente, desenvolvido pela Idea! Zarvos em parceria com o escritório FGMF, aposta em plantas flexíveis, usos mistos e arquitetura diferenciada para atender demandas contemporâneas de ocupação.
Além disso, a busca por certificações ambientais ganhou força após a pandemia.
Nesse sentido, incorporadoras passaram a investir em soluções voltadas ao bem-estar dos usuários, incluindo conforto térmico, acústico, iluminação natural e qualidade do ar interno.
O Art Tower Pinheiros, atualmente em construção, segue essa tendência ao integrar áreas verdes, ampliar a entrada de luz natural e utilizar tecnologias que reduzem a incidência de calor. O objetivo é tornar o escritório uma extensão mais confortável da experiência vivida em casa.
Mercado aposta em ativos de alta qualidade
Dados divulgados pela Catho indicam que 69% das empresas brasileiras planejam adotar o modelo totalmente presencial entre 2025 e 2026. O movimento acompanha uma tendência global observada em grandes empresas.
Diante desse cenário, especialistas avaliam que edifícios bem localizados, com elevada qualidade construtiva e ampla oferta de serviços continuarão concentrando a maior parte da demanda corporativa nos próximos anos. Leia também: Escritórios de alto padrão em SP mantém queda na vacância e alta nos aluguéis no 1T/2026
Consequentemente, a recuperação do mercado não ocorre apenas pela volta dos trabalhadores, mas também pela transformação dos escritórios em espaços mais atrativos, colaborativos e alinhados às novas expectativas dos ocupantes.
Notícia completa no Estadão
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