Com dados da Buildings
Os prazos para aprovação de projetos de galpões logísticos no Chile triplicaram, causando escassez de espaços e aumento dos custos para investidores, principalmente no e-commerce.
São Paulo, 16 de setembro de 2025 – O mercado de galpões logísticos no Chile tem enfrentado um forte impacto devido à lentidão na liberação de novos projetos de galpões. O aumento significativo dos prazos para obtenção de permissões de construção e recepções finais das edificações causa esse problema principalmente.
Um estudo realizado recentemente pela ALOG (Associação Logística do Chile) em parceria com a Cushman & Wakefield, publicada no portal Public Izimedia, revelou que esses prazos mais que triplicaram nos últimos 15 anos na Região Metropolitana. Assim, eles passaram de uma média total de 79 dias em 2009 para 221 dias entre 2021 e 2023.
Atualmente, a oferta de espaços para armazenagem chega a cerca de 5,4 milhões de metros quadrados distribuídos em 11 municípios da Região Metropolitana. Contudo, quase 55% desse espaço disponível só foi liberado após 2024, refletindo diretamente a demora no processo de aprovação dos projetos.
Além disso, o tempo para conseguir permissões de edificação, por exemplo, subiu de 61 dias em 2009 para 139 dias recentemente, representando um aumento de 127%.
Já o prazo para recepção final saltou de 18 para 82 dias no mesmo período, afetando diretamente a velocidade com que novos galpões podem entrar em operação.
Essa “permissologia” mais rígida, portanto, encarece o custo do armazenamento. Já que a escassez de espaços e a demora elevam os custos, que acabam sendo repassados aos consumidores.
Atividade construtiva no Chile
Segundo dados do Buildings CRE Tool, plataforma especializada por mapear e monitorar as ocupações em condomínios logísticos no país, o Chile possui mais de 660 mil m² de atividade construtiva logística (dados do 2T de 2025).
O setor adicionou 165,6 mil m² no período, aumentando o estoque total para 8,8 milhões de m², distribuídos em 288 condomínios e modelo Flex. Também apresentou mais de 100 mil m² de absorção líquida positiva (mais locações de espaços do que devoluções). Esse resultado é mais que o dobro do trimestre anterior. Leia também: Logístico chileno no 2º tri: setor recebe 130 mil m² de novo estoque, além de novas locações
Por fim, o setor conta com uma taxa de vacância baixíssima: de 5,43%. Leia também: Modelo Flex em destaque: condomínios multifuncionais oferecem oportunidades logísticas no Chile
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Galpões logísticos no Chile: sobe custo de oportunidade para investidores
Alexis Michel, gerente geral da ALOG, ressaltou que a falta de infraestrutura e a morosidade nas autorizações para uso e ampliação de terrenos são, sem dúvida, os principais riscos para o mercado logístico chileno.
Segundo ele, isso restringe a oferta de espaços eficientes e estratégicos para as empresas do setor, pressionando significativamente os preços para cima.
Por sua vez, Rosario Meneses, supervisora de pesquisa da Cushman & Wakefield, afirmou que a lentidão também eleva o custo de oportunidade para investidores. Afinal, estes veem seus projetos atrasados e impactados financeiramente.
Por fim, a vacância nos centros de armazenagem de última milha está em níveis muito baixos. Ao mesmo tempo, a demanda segue alta, especialmente no setor de e-commerce. Este depende de rapidez e eficiência na distribuição.
Essa combinação torna o cenário ainda mais desafiador, dificultando o acesso a galpões e aumentando o custo do armazenamento para empresas e consumidores.
Por fim, esta dificuldade de aprovação dos projetos gera preocupação ao setor. Logo, se não for resolvida rapidamente, fará com que o Chile perca oportunidades logísticas, abrindo margem para que os investidores externos acabem optando por investir em outros países da América do Sul. Para saber mais sobre o setor logístico chileno, acesse a plataforma CRE Tool.
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