O avanço da logística no Brasil se apoia em grandes ocupantes, aponta Buildings

Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa

Pré-locações bilionárias de grandes playes, absorção líquida acima de 880 mil m² e vacância em queda mostram que a logística no Brasil continua avançando.

São Paulo, 8 de julho de 2026 – O avanço da logística no Brasil segue se destacando, sobretudo no segmento de condomínios logísticos de alto padrão (Classes A e A+), que manteve um ritmo intenso no segundo trimestre de 2026, segundo dados da Buildings.

Embora tenha recebido cerca de 570 mil m² de novos empreendimentos, o setor registrou absorção líquida superior a 880 mil m². Fator este que reduziu a vacância para 5,5% (ante 6,5% do trimestre anterior).

Ao mesmo tempo, os preços médios pedidos de aluguel recuaram tanto no segmento Classe A (de R$ 30,00 para R$ 29,07) quanto na média geral do mercado (de R$ 28,64 para R$ 27,85), criando um ambiente ainda mais favorável para grandes ocupações.

Esse desempenho reforça uma tendência observada desde o segundo trimestre de 2025. Desde então, o mercado entrega mais de 700 mil m² por trimestre. Apesar disso, a velocidade das locações continua suficiente para absorver boa parte dessa nova oferta.

Como resultado, o segmento apresenta o menor nível de vacância desde 2013, início da série histórica da Buildings.

Logística no Brasil: Mercado Livre e Shopee concentram as maiores operações

O ranking das principais locações do segundo trimestre evidencia a força das empresas de comércio eletrônico na expansão da logística nacional.

Juntas, Mercado Livre e Shopee responderam pela maior parte das maiores operações registradas no período. Elas distribuíram suas ocupações de forma estratégica por diferentes regiões do país.

A maior movimentação ocorreu com a pré-locação de 163,7 mil m² pelo Mercado Livre no HGLG Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. A operação representa não apenas a maior negociação do trimestre, como também demonstra o interesse crescente pelo Nordeste como polo de distribuição.

Na sequência, a Shopee assinou a pré-locação de 133 mil m² no Parque Logístico Guarulhos II, fortalecendo sua presença na principal região logística de São Paulo e do Brasil.

Além disso, a companhia ampliou sua malha no Sul ao pré-locar 69,7 mil m² no BRZ 386 Logistics Park, em Nova Santa Rita (RS), e ainda ocupou 48,6 mil m² no Syslog Recife, ampliando sua cobertura nacional.

Mercado Livre e Amazon

Enquanto isso, o Mercado Livre diversificou sua estratégia entre novas pré-locações e contratos imediatos.

A empresa argentina locou 64,7 mil m² no Nm KSM LOG Guarulhos I, ocupou 56,5 mil m² no condomínio Markinvest, também em Guarulhos, garantiu 51 mil m² em pré-locação no HGLG Itupeva e ainda fechou contrato para 46 mil m² no Prologis Cajamar III.

Outro destaque relevante veio da Amazon, que antecipou a renovação de sua operação no BTLG Cajamar III, assegurando aproximadamente 57,9 mil m². Embora a movimentação não represente expansão de área, ela reforça a estratégia de retenção de ocupantes em ativos logísticos de alta qualidade.

Guarulhos consolida liderança, mas expansão se espalha pelo país

As maiores transações mostram que Guarulhos continua como o principal destino das grandes ocupações logísticas, concentrando operações tanto do Mercado Livre quanto da Shopee.

Entretanto, o trimestre também evidencia novos endereços.

Salvador, Itupeva, Cajamar, Nova Santa Rita, Fortaleza e Jaboatão dos Guararapes aparecem entre os principais mercados do período.

Essa distribuição geográfica indica que grandes operadores buscam reduzir prazos de entrega, ampliar a capilaridade e aproximar estoques dos principais centros consumidores.

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Demanda segue acima da oferta

O conjunto dessas operações explica por que a vacância permanece em trajetória de queda, mesmo diante de um volume expressivo de novos empreendimentos entregues.

Além disso, o segundo trimestre confirma um mercado sustentado por ocupantes de grande porte, sobretudo empresas de comércio eletrônico.

Enquanto o setor amplia seu estoque em ritmo acelerado, a demanda continua suficientemente robusta para absorver novos projetos, sustentando um cenário favorável para investidores e proprietários de ativos logísticos de alto padrão.

Para conhecer todos os indicadores do setor logístico no Brasil inteiro, acesse o Buildings CRE Tool.

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