Lojistas de shoppings sofrem com os reajustes de aluguéis

Foto: Unsplash

 

De acordo com Notícia do Diário do Comércio, apesar da retomada pós-Covid, a situação dos lojistas de shopping ainda está longe do mundo ideal. As vendas estão crescendo lentamente e os comerciantes ainda enfrentam altos aluguéis, com pouca margem para negociações.

O cenário atual certamente é melhor do que o dos últimos dois anos, quando os centros de compras ficaram fechados, mas não voltou aos níveis pré-pandemia, lamenta o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping), Alexandre Dolabella.

Alguns setores estão tendo uma performance melhor.

“O segmento de confecções e acessórios melhorou bastante, porque os eventos e festas, como as de casamento, voltaram. O setor de vestuário foi o que mais sofreu durante a pandemia e agora está indo melhor, seja ele feminino ou masculino. Mas a demanda ainda está muito devagar”, reitera Dolabella.

Os lojistas estão sofrendo também com os preços dos aluguéis.

A situação está pior para os antigos, obrigados a absorver reajustes pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) – que inclui diversas variações da cadeia produtiva, inclusive insumos, e, por isso, tem sido maior que o IPCA.

“Neste caso, os novos lojistas estão tendo uma condição melhor, o que é um disparate. Estão valorizando mais quem está chegando; e quem fechou a loja e voltou agora, conseguiu negociar melhores contratos”, diz Dolabella.

“O aluguel então ainda é alto e isso acontece em um cenário de vendas menores. Às vezes, os shoppings parcelam, diminuem alguma coisa, mas o reajuste fica em 18%, 19%, o que é um absurdo. Eles estão negociando muito pouco e com poucos clientes”, acrescenta o dirigente.

Novas alternativas para o setor

Os novos lojistas, por sua vez, estão procurando marcas melhores, franquias mais fortes, o que contribuiu para ampliar o mix dos shoppings, que está ficando mais diversificado. Mas o movimento ainda está longe do que era antes da pandemia, reforça Dolabella. Segundo ele, as medidas governamentais de incentivo pouco valeram para o comércio até agora.

“A redução do IPI, que vai para a indústria, não está baixando o preço de nada; há dificuldade de adquirir boas mercadorias, porque os industriais ainda estão receosos e ainda não contrataram para produzir a todo vapor. Os indicadores macroeconômicos, inflação e juros altos, prejudicam muito o comércio, principalmente o de produtos duráveis e semiduráveis, e corroem o salário do trabalhador, o que dificulta muito a venda, principalmente para as pessoas de menor poder aquisitivo”.

Medidas diretas de incentivo ao consumo, como o adiantamento do 13º do INSS e os saques de FGTS, ajudaram o setor. E contribuíram, de acordo com o presidente da Aloshopping, para os lojistas ficarem mais animados. As vendas melhoraram, mas ainda estão muito distantes do ideal.

“Para 2022, a expectativa do lojista não é de confiança, é de apreensão e preocupação. E ainda vamos ter uma eleição conturbada pela frente, que atrapalha muito, porque traz incertezas”, observa Dolabella.

Para melhorar mesmo, não tem outro jeito: a inflação tem que cair, os juros também e o País tem que voltar a crescer em índices mais robustos. “O que só deve acontecer lá para 2024”, conclui Dolabella.

Notícia do Diário do Comércio

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