PIB é impulsionado no 1º trimestre por varejo e serviços, mas expectativa agora é de desaceleração

Foto: Unsplash

 

Os bons resultados do varejo (2,3%) e dos serviços (1,8%) no primeiro trimestre do ano impulsionaram a atividade econômica e levaram a uma onda de revisões para o PIB no ano. Com isso, o mercado está chegando mais próximo à previsão feita pelo governo, de alta de 1,5%. Mas, para analistas, o fôlego desses dois setores deve arrefecer ao longo do ano, com impacto da alta das taxas de juros e o esgotamento dos estímulos ao consumo.

Várias instituições revisaram, para cima, as projeções de PIB para o ano. São elas: Barclays (0,3% para 1%), Bradesco (1% para 1,5%), Goldman Sachs (0,6% para 1,25%), Banco Inter (0,8% para 1,2%) e Bank Of America (BofA, 0,5% para 1,5%). Em março, o crescimento foi de 1,7% nos serviços e de 0,7% no varejo ampliado, ambos bem acima da mediana das pesquisas do Estadão/Broadcast, de 0,8% e 0,1%, respectivamente.

Para Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, o deslocamento de gastos do comércio varejista para serviços ocorreu no terceiro e no quarto trimestres de 2021. No primeiro trimestre deste ano, porém, um crescimento de 4% na massa de renda disponível foi fundamental para impulsionar o crescimento simultâneo dos setores.

O cálculo da XP leva em conta a massa de renda na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), mas também considera transferências de renda, benefícios previdenciários, abono salarial e seguro desemprego.

O desempenho melhor que o esperado da atividade no início do ano levou a XP a elevar a projeção para o PIB do primeiro trimestre de 1,1% para 1,4%. Para o crescimento anual de 2022, a estimativa subiu de 0,8% para 1,6%.

Desaceleração à frente

Segundo o economista-chefe da Vinland Capital, Aurelio Bicalho, a empresa espera crescimento de 1,3% do PIB em 2022, com avanço de 1% no primeiro trimestre, desaceleração a 0,2% no segundo, queda de 0,3% no terceiro e alta de 0,2% no quarto.

“Fatores específicos como Auxílio Brasil e FGTS ajudam agora, mas depois geram efeito contrário. Além disso, no segundo semestre devemos observar um efeito maior do aperto monetário, sobretudo no consumo de bens duráveis”, diz Bicalho.

A visão de arrefecimento da atividade na sequência do ano é compartilhada pelo mercado.

Estímulos adicionais, como a liberação de saque do FGTS e o adiantamento do décimo terceiro salário, ainda devem sustentar o consumo no segundo trimestre, mas a antecipação tende a produzir efeitos negativos na metade final do ano. As medianas são de alta de 0,2% do PIB no segundo trimestre e quedas de 0,2% no terceiro e de 0,3% no quarto, após 0,8% no primeiro, segundo a última pesquisa do Projeções Broadcast.

De acordo com Margato, da XP, a massa de renda disponível deve acelerar a um crescimento de 7% no segundo trimestre e manter o ritmo do consumo das famílias, com uma alta de 0,4% do PIB. Depois, o cenário é negativo, com recuos de 0,3% e 0,5% nos trimestres restantes.

Notícia publicada no Estadão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 + 18 =