Com R$ 280 bilhões investidos no setor em 2025 e a ampliação das concessões, tecnologias de gestão integrada ganham espaço para reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e elevar a eficiência das obras públicas e privadas.
São Paulo, 3 de setembro de 2026 — O ciclo recorde de investimentos em infraestrutura no Brasil acelera a transformação digital da construção civil. Em 2025, o setor recebeu R$ 280 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).
O valor representa o maior volume da série histórica da entidade. Como resultado, empresas e órgãos públicos ampliam a adoção de tecnologias que aumentam a produtividade, a previsibilidade e a eficiência na gestão de grandes empreendimentos.
Nesse cenário, o Building Information Modeling (BIM) ganha protagonismo. A metodologia reúne, em um ambiente digital integrado, informações de diferentes etapas de um empreendimento.
Assim, o BIM conecta arquitetura, engenharia, orçamento, cronograma, operação e gestão de ativos. Essa integração permite identificar incompatibilidades ainda no projeto, reduzir retrabalhos e melhorar a tomada de decisão.
Além disso, o uso estruturado dos dados contribui para aumentar a eficiência dos investimentos públicos e privados. Dessa forma, o BIM deixa de atuar apenas como ferramenta de projeto.
Digitalização entra em uma nova etapa de maturidade
Para a Autodesk do Brasil, líder global em tecnologia para Arquitetura, Engenharia, Construção e Operações (AECO), o mercado brasileiro alcança uma nova fase.
Agora, o principal desafio consiste em ampliar a adoção do BIM em escala. Para isso, o setor precisa combinar tecnologia, qualificação profissional e gestão integrada das informações.
“O Brasil entrou em uma nova fase da digitalização da construção. O desafio já não é demonstrar o valor do BIM, mas ampliar sua utilização de forma consistente. Isso envolve tecnologia, qualificação profissional e, principalmente, gestão integrada das informações das obras”, afirma Sylvio Mode, diretor-presidente da Autodesk do Brasil.
Leia também:
– Itaú negocia com Esther Towers locação integral do edifício
– Conheça as empresas que estão apoiando o Buildings Summit 2026
– O mercado logístico aprendeu a não construir demais?
Planejamento reduz custos e evita retrabalho
Esse princípio pode ser ilustrado pela regra 1-10-100, utilizada na indústria para demonstrar o impacto financeiro dos erros ao longo do ciclo de um projeto.
Segundo essa lógica, um problema que custa R$ 1 para corrigir durante o planejamento pode chegar a R$ 10 na execução. Quando identificado após a operação, o custo pode alcançar R$ 100.
Portanto, antecipar falhas representa uma estratégia importante para reduzir desperdícios e aumentar a eficiência dos empreendimentos. Nesse contexto, o BIM contribui diretamente para uma abordagem mais preventiva.
“Ao integrar arquitetura, engenharia, orçamento, cronograma e operação em um único ambiente digital, o BIM permite identificar incompatibilidades ainda na fase de projeto, reduzindo alterações durante a execução e custos adicionais”, explica Mode.
Integração de dados será decisiva para o futuro da construção
Diante do aumento dos investimentos em infraestrutura, o BIM ganha relevância como instrumento de transformação digital da construção civil.
Mais do que digitalizar projetos, a metodologia permite integrar informações durante todo o ciclo de vida dos ativos. Dessa maneira, empresas e órgãos públicos podem melhorar o planejamento, reduzir riscos e utilizar os recursos de forma mais eficiente.
Assim, a combinação entre BIM, gestão integrada de dados, qualificação profissional e novas tecnologias tende a acelerar a modernização do setor nos próximos anos.
Municípios ainda enfrentam desafios
Apesar dos avanços recentes, o Brasil ainda apresenta um nível de maturidade inferior ao de mercados como Reino Unido, Estados Unidos, Cingapura e Finlândia.
Entre os principais desafios estão a qualificação profissional, a padronização de processos e a transformação cultural das empresas.
No setor público, órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Exército Brasileiro, Marinha, Força Aérea Brasileira e Secretaria Nacional de Aviação Civil já utilizam a metodologia, contribuindo para sua disseminação.
A adoção, porém, ainda ocorre de forma desigual entre os municípios. A pesquisa “BIM e Cidades Inteligentes nos Municípios Brasileiros 2024”, realizada pela Câmara Brasileira de BIM (CBIM) em parceria com o BIM Fórum Brasil, aponta que 83,3% dos municípios brasileiros permanecem no nível inicial de maturidade, marcado por baixa previsibilidade e pouca padronização dos processos.
O estudo também revela desafios de capacitação: embora 66,5% dos servidores públicos afirmem conhecer a Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), 82,2% desconhecem a Carta Brasileira para Cidades Inteligentes e apenas 24,5% dominam metodologias como o City Information Modelling (CIM), voltadas ao planejamento urbano digital.
“Ampliar o BIM no Brasil depende de uma combinação entre tecnologia, formação profissional e padronização de processos, especialmente nos diferentes níveis da administração pública”, avalia Mode.
Aplicações práticas mostram ganhos de eficiência
Do Nordeste ao Sul, órgãos públicos e empresas privadas adotam soluções Autodesk para modernizar o planejamento, a execução e a gestão de obras com BIM.
Um dos exemplos envolve a TPF Engenharia, responsável pelos estudos de viabilidade da Nova Ferroeste. A ferrovia terá 1.304 quilômetros e conectará regiões produtoras de grãos do Mato Grosso do Sul e do Paraná ao Porto de Paranaguá.
Além disso, o projeto pode reduzir a dependência do transporte rodoviário em trajetos superiores a 2 mil quilômetros. Assim, a iniciativa tende a diminuir custos logísticos, ampliar a competitividade das exportações e contribuir para uma matriz de transporte mais sustentável.
Soluções digitais apoiam o planejamento urbano
No Paraná, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) criou o LaBIM, laboratório especializado em BIM. A estrutura apoia projetos de mobilidade urbana e iniciativas de planejamento da capital.
Em Pernambuco, a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) utiliza soluções Autodesk e um Ambiente Comum de Dados. A tecnologia fortalece a gestão de obras de urbanização e contenção de encostas, ampliando o controle e a previsibilidade das intervenções.
Digitalização avança também na infraestrutura privada
Na iniciativa privada, a Motiva, maior concessionária de mobilidade do Brasil, utiliza soluções Autodesk na Nova Serra das Araras, na Via Dutra (BR-116).
A obra utiliza tecnologias para integrar informações e apoiar o planejamento, a execução e o acompanhamento das atividades. Executado pela RioSP, o projeto já supera 65% de execução e antecipou o cronograma em dois anos.
Dessa forma, os projetos mostram como BIM, gestão integrada de dados e tecnologias digitais podem aumentar a eficiência em empreendimentos complexos.
Segundo Sylvio Mode, a combinação entre políticas públicas, maturidade do mercado, inteligência artificial e gestão integrada deve acelerar a digitalização da construção civil.
Nesse cenário, o BIM tende a ganhar protagonismo como ferramenta estratégica para elevar a produtividade e a competitividade do setor.
Deixe um comentário