Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa
Enquanto a Nova Faria Lima rompe a barreira dos R$ 300 de aluguel, panorama dos escritórios em 2026 aponta que regiões tradicionais, como Berrini e Chácara Santo Antônio, tentam avançar.
São Paulo, 9 de abril de 2026 – O mercado de escritórios Corporate Classe A em São Paulo atravessa um momento de reajustes. Além disso, panorama dos escritórios em 2026 apresenta dinâmicas distintas nas principais regiões da cidade.
Ao analisarmos o desempenho recente do setor, segundo dados apurados pela Buildings, e disponíveis na plataforma Buildings CRE Tool, a Nova Faria Lima consolida sua posição de soberania absoluta, liderando todos os indicadores de performance e valorização.
Nesse primeiro trimestre de 2026, a região registrou uma queda na taxa de vacância, que recuou de 7,85% para 6,5%. Esse movimento de escassez impulsionou o preço médio pedido, que saltou de R$ 283,50 para impressionantes R$ 307,66 por m².
No período, a região teve uma absorção líquida positiva de 21 mil m², ou seja, quase dobrou em relação ao trimestre anterior. Esse resultado sinalizou uma demanda voraz que ignora os custos elevados.
Além disso, houve a entrega do novo prédio Amauri 306. De propriedade da Idea Zarvos, o Amauri 306 foi entregue com 40% de sua área pré-locada (inquilino não informado) e uma locação recente de 315 metros, em março.
Pinheiros também rouba a cena
Seguindo essa trilha de valorização, Pinheiros apresenta um fôlego surpreendente no setor corporativo de alto padrão.
A região viu sua vacância despencar de 11,65% para 8,9%, refletindo uma ocupação sólida de 12,5 mil m² no período. Embora a absorção tenha sido menor que os 25,8 mil m² do trimestre anterior, o mercado reagiu com otimismo.
Consequentemente, os preços de aluguel do segmento Classe A subiram de R$ 158,50 para R$ 168,08 por m², um aumento de aproximadamente 6%. Esse fenômeno ocorre em um cenário no qual o novo estoque está zerado desde o terceiro trimestre de 2025, embora a atividade construtiva de 120,8 mil m² prometa renovar a paisagem em breve.
Panorama dos escritórios em 2026: Chucri Zaidan avança
Na sequência, a Chucri Zaidan demonstra avanço consistente que merece atenção dos investidores, e oferece oportunidade aos futuros inquilinos.
Assim, o indicador de vacância segue em queda desde 2023, atingindo agora 14,32% frente aos 16,25% registrados no quarto trimestre de 2025.
Com um estoque de 899,6 mil m² e os imóveis mais novos e modernos de São Paulo, a região absorveu 17 mil m² de espaços, superando o desempenho do período anterior.
Apesar dessa movimentação positiva e de uma atividade construtiva de 104,8 mil m², o preço médio pedido se manteve estável em R$ 110,00 por m². Assim, oferecendo um equilíbrio raro entre qualidade e custo.
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Resiliência na Paulista e desafios na Berrini
A região da Paulista mantém sua característica de porto seguro, apresentando estabilidade e crescimento orgânico moderado.
Com a entrega do edifício Paulista 1650, a região recebeu 7,7 mil m² de novo estoque, mas ainda assim manteve a taxa de vacância estável, em menos de 7%. A absorção líquida subiu para 7,3 mil m². E houve reajuste no preço médio, de R$ 144,00 para R$ 149,10 por m², um aumento de aproximadamente 3,5%.
Por outro lado, a Vila Olímpia vive um momento de ajuste de preços para garantir a ocupação. Embora a taxa de vacância tenha caído de 13,60% para 12,3%, o preço médio pedido recuou de R$ 135,75 para R$ 127,00, refletindo uma absorção mais tímida de 3,6 mil m².
Vale destacar que, nos próximos trimestres haverá, invevitavelnente, uma grande devolução de área do já liquidado Banco Master,. O banco desocupará todo o imóvel AUri Plaza, mudando mais um pouco o cenário na região.
Na sequência das regiões importantes da cidade, a Berrini enfrenta um cenário mais complexo neste início de ano.
A taxa de vacância subiu de 11,17% para 13%, influenciada pela entrega de 10 mil m² de novo estoque (que demanda certo tempo de locação). E uma absorção líquida de apenas 662 m².
Apesar disso, o preço médio pedido subiu de R$ 88,87 para R$ 95,36, desafiando a lógica de baixa ocupação.
Chácara Santo Antônio é a lanterna do campeonato
Finalmente, a Chácara Santo Antônio continua lutando contra a maior vacância da cidade de São Paulo (das regiões analisadas), embora o índice tenha caído levemente de 32% para 31,22%.
Com atividade construtiva de 111,2 mil m² em andamento, a região viu seu preço médio subir discretamente para R$ 60,65, apesar da absorção líquida de apenas 2 mil m².
Por fim, o panorama dos escritórios Classe A em São Paulo revela um mercado de duas velocidades claramente distintas.
De um lado, eixos como Nova Faria Lima e Pinheiros operam sob a lei da escassez, na qual a alta demanda valida preços recordes e absorve estoques novos quase instantaneamente.
De outro, regiões como Berrini e Chácara Santo Antônio tentam sustentar valorizações nominais enquanto lidam com vacâncias persistentes e uma atividade de locação que caminha a passos lentos.
Essa disparidade levanta um questionamento vital para investidores e ocupantes: até quando o prestígio do endereço conseguirá sustentar a alta dos preços em regiões onde as cadeiras ainda permanecem vazias? Para conhecer bem todos os indicadores de cada região, acesse o CRE Tool
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