Fontes de financiamento aquecem o mercado imobiliário

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Com juros mais baixos e diversificação de ofertas, o mercado financeiro oferece novas oportunidades ao setor imobiliário.

Toda crise econômica traz preocupações e incertezas ao empresariado e à sociedade. E com essa tensão amplificada pela Covid-19, por aqui não seria diferente. Contudo, essa crise também tem sido sinônimo de oportunidades e novas possibilidades para alguns setores. Destaca-se, entre eles, o mercado imobiliário.

Frente à pandemia vivenciada, a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, chegou a uma nova baixa histórica em março passado: atingiu 3,75% ao ano. Depois de uma sequência de novas quedas, mais recentemente, no dia 5 de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou novamente a Selic. Reduziu-a em 0,25 ponto percentual, chegando a apenas 2% ao ano.

Vale lembrar que a Selic impacta em todos os tipos de taxas de juros, incluindo de crédito imobiliário (sua redução o torna mais barato). Quando o Copom reduz juros, a tendência, ao menos em tese, é que o crédito fique mais barato. Com isso, as empresas e as pessoas produzam e consumam mais. É um jeito de estimular que a economia saia da recessão mais rapidamente.

“O setor imobiliário tem se aproveitado da redução dos juros nestes últimos anos. No BOCOM BBM, aumentamos a exposição no segmento residencial, comercial e logístico, dispondo de várias alternativas de financiamento para nossos clientes. Não temos dogmas, se a nossa opinião sobre o projeto for positiva, buscamos encaixar a demanda do cliente no banco e não encaixar o cliente num produto de prateleira. Nossa equipe encurta o caminho das empresas para alcançar o funding dos projetos”, explica Breno Campos, Gerente Geral de Crédito do Banco BOCOM BBM.

Fonte: Banco Central do Brasil

Fonte: Banco Central do Brasil

Fusão e Oportunidades

Em 2016, em uma estrutura pioneira na sua estratégia de expansão global, o Bank of Communications adquiriu 80% do capital do Banco BBM, criando o Banco BOCOM BBM como resultado da associação destes dois bancos reconhecidos por sua tradição e excelência. O banco oferece soluções e serviços financeiros nos segmentos corporativo e de wealth management.

  • Nova linha de crédito pelo FGI

De acordo com matéria publicada em 16 de julho no site do BNDES, 22 agentes financeiros foram habilitados para oferecer garantias do Programa Emergencial de Acesso a Crédito. Com isso, instituições – entre elas, o BOCOM BBM que funciona como repassador – podem oferecer crédito a pequenas e médias empresas com apoio do BNDES.

O FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) já tem disponíveis R$ 15 bilhões do Tesouro Nacional para uso do programa, que podem alavancar até R$ 100 bilhões de novos créditos. O BNDES habilitou agentes financeiros para oferecer garantias do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC). Desde o dia 1º de julho o programa está em vigor e sua vigência vai até 31 de dezembro de 2020.

Os empréstimos garantidos no âmbito do PEAC são de até R$ 10 milhões por empresa, em cada agente financeiro. As instituições podem usar a garantia para os empréstimos indiretos do BNDES ou os créditos utilizando seus próprios fundos.

O prazo de carência das operações deve ser de, no mínimo, seis e, no máximo, 12 meses, e o prazo total para pagamento do empréstimo deve ficar entre 12 e 60 meses. A taxa de juros para os empréstimos contratados com garantia será negociada entre a empresa e o agente financeiro. No entanto, a taxa média praticada não poderá exceder 1,0% ao mês, sob pena de redução da cobertura do programa.

“O PEAC criou uma nova frente, facilitamos o acesso ao crédito para grupos empresariais com faturamento anual consolidado entre R$ 50 milhões e R$ 300 milhões em 2019. Nesse momento mais incerto, é possível estruturarmos linhas com carência principal de até 12 meses e outros 4 anos para pagamento do principal.”

As empresas que desejam obter um financiamento com a garantia do PEAC (Programa Emergencial de Acesso a Crédito) podem obter mais informações no site do BOCOM BBM, clicando aqui.

  • Financiamento à construção residencial e comercial

Breno Campos também compartilha conosco sua experiência com o financiamento à construção residencial e comercial que tem sido um dos focos de atuação do banco desde o início de 2019. Os bancos comerciais desenvolveram um produto parecido com o plano empresário que é dominado pelos grandes bancos de varejo. Agora também é possível financiar todas as etapas da construção, desde a compra do terreno, passando pela obra e, eventualmente após a entrega, securitizar os recebíveis ou financiar os estoques não vendidos.

“Nosso time comercial identificou demanda de incorporadores/construtores para acessar o funding destinado à construção, antes restrito ao plano empresário dos bancos de varejo que repassam os recursos da poupança mais um spread. Com a Selic mais baixa, nós ficamos competitivos e aproveitamos nossos relacionamentos para criar um produto similar, por meio de liberações parciais na medida que a obra e as vendas evoluem”, avalia.

Ele ainda explica que esse produto não necessariamente precisa ser encerrado na entrega do empreendimento. Caso restem estoques não vendidos, seja comercial ou residencial, o banco pode empacotar o saldo devedor num prazo mais dilatado para que a venda seja feita sem queimar preço e prejudicar o produto.

Leia Também:
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– Análise do mercado imobiliário corporativo no 2T de 2020

 

  • Securitização de carteira de recebíveis

Securitização é uma prática financeira (ou processo) que consiste em converter ativos financeiros em títulos negociáveis no mercado. Nesse sentido, carteira de recebíveis imobiliários (entregues ou não), contratos de locação de longo prazo, créditos financeiros ou eventualmente um fluxo de dividendos são alguns exemplos de ativos que podem ser securitizados. Essa antecipação do fluxo futuro é útil para disponibilizar caixa no presente para um novo projeto, dando flexibilidade e capital para o empreendedor seguir em frente.

“A principal característica do nosso negócio continua sendo a agilidade. As empresas se surpreendem quando aprovamos limite de crédito em menos de 10 dias. Nós brincamos que a linha de produção do banco ganhou escala chinesa”, menciona Campos.

Em síntese, as dívidas securitizadas podem ser também distribuídas no mercado de capitais, por meio de emissões de dívidas como debêntures, notas promissórias e CRIs. O banco origina e distribui esses títulos para terceiros como fundos de crédito, family offices e investidores institucionais.

Volume coordenado de Renda Fixa pelo Banco BOCOM BBM (em milhões de reais)

O mercado imobiliário neste momento de crise econômica

Diante da pandemia que trouxe outras práticas ao mercado de trabalho, Campos ressalta que tem enxergado novos comportamentos se desenhando.

“Do home office à migração de algumas empresas ou negócios para o interior, da expansão do e-commerce que aquece o setor logístico à ampliação de residências para comportar um novo espaço de trabalho, entre outros, vejo que o mercado continua estimulado, embora tenha adotado novas práticas que se fizeram necessárias. Sinto que os escritórios comerciais têm se tornado mais um ambiente comum de ideias e troca de experiências, mas é preciso aguardar mais tempo para entender qual será o resultado disso tudo”.

Para finalizar, ele acrescenta que essa redução na taxa de juros no Brasil e as novas ofertas de financiamento oferecidas ao mercado imobiliário, devem ser vistas com cautela.

“Estamos atentos ao cenário de juros no Brasil. Passamos por uma pandemia que o arranjo encontrado para sair da crise foi por meio da injeção de liquidez e da redução de juros. A renda fixa tem perdido espaço para outros ativos e o mercado imobiliário pode se beneficiar disso tudo. A dúvida é quanto tempo permaneceremos com esse patamar de taxas, mas a janela atual parece interessante”, conclui.

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2 Comments

    1. Jucelene Oliveira Post author Reply

      Acreditamos que o impacto exista, mas que seja indireto. O programa que tem por objetivo auxiliar pequenas e médias empresas, ajudará na manutenção dos empregos e na retomada da economia, que coopera com todos os mercados financeiros, não apenas o mercado de FIIs.

      O mercado de FIIs, que está em pleno crescimento, principalmente com a exposição ao investidor pessoa física, iniciando sua experiência como investimentos em renda variável, sofreria com um déficit econômico, aumento de desemprego, queda no PIB e demais reflexos da pandemia. Com esse incentivo, a expectativa é que o impacto seja bem menor.

      Agradecemos sua pergunta. Estamos à disposição.

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