Mercado Livre x Shopee: quase 900 mil m² de novas locações na corrida por galpões no 2T

Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa

Gigantes expandem operações, reforçando o e-commerce como motor da demanda logística no Brasil.

São Paulo, 09 de setembro de 2026 – O mercado de condomínios logísticos manteve o ritmo de expansão no segundo trimestre de 2026. Nesse cenário, Mercado Livre e Shopee novamente se destacaram entre os principais ocupantes do segmento.

Segundo dados do Buildings CRE Tool, as duas empresas alugaram ou expandiram operações em aproximadamente 900 mil m² no 2T de 2026. O volume supera os 800 mil m² registrados por elas no primeiro trimestre. Além disso, evidencia a continuidade da corrida por espaço logístico no país.

Embora disputem o mesmo mercado, as estratégias das duas empresas apresentam diferenças importantes.

Enquanto o Mercado Livre combina grandes centros de distribuição com uma rede mais ampla de operações, a Shopee também avança rapidamente, mas concentra parte relevante de sua expansão em grandes empreendimentos.

Mercado Livre amplia escala logística

O Mercado Livre encerrou o segundo trimestre com 5,59 milhões de m² de condomínios logísticos mapeados pela Buildings, distribuídos em 126 ocupações.

Quando iniciou suas atividades em terras brasileiras, em 2018, locava apenas 51 mil m². Em 2019, já eram 171 mil m². Desde então, não parou mais de crescer.

Noutras palavras, em apenas oito anos, o Mercado Livre multiplicou por 109 sua presença em condomínios logísticos no Brasil, saltando de 51 mil m² em 2018 para 5,59 milhões de m² agora — um crescimento de mais de 10.800%. 

Deste total mapeado, a gigante argentina mantém cerca de 3,7 milhões de m² efetivamente ocupados. A metragem restante se deve a pré-locações já realizadas, mas ainda não ocupadas.

No segundo trimestre, a empresa alugou ou expandiu operações em mais de 800 mil m², mantendo uma estratégia de expansão territorial combinada à ocupação de grandes centros.

Grandes contratos reforçam a estratégia do Mercado Livre

Entre os principais movimentos do trimestre, dois contratos se destacaram pela dimensão. O maior deles alcançou 163,6 mil m² no HGLG Simões Filho, na Bahia, ampliando a presença da companhia em um importante eixo logístico regional.

Além disso, o Mercado Livre contratou 122 mil m² no CD Meli de São Sebastião da Bela Vista, no Sul de Minas Gerais. A movimentação demonstra que a estratégia da empresa não depende apenas da concentração em grandes mercados consumidores.

A exemplo desta pujança, notícia do InvestNews aponta que a gestora Vinci Compass está preparando a compra do que deve ser um dos principais galpões do Mercado Livre no Brasil, localizado em Campinas (SP).

A aquisição será feita pelo fundo Vinci Oportunidades Logísticas, que prepara uma captação de até R$ 250 milhões para financiar a aquisição. 

Os recursos vão bancar uma participação de até 14% no BTS MeLi Campinas, complexo logístico de 460 mil m² ainda em construção, desenvolvido em parceria com a incorporadora BTS Properties. 

Por fim, a combinação entre hubs de maior escala e diferentes pontos da malha logística permite ao Mercado Livre ampliar sua capacidade operacional. Ao mesmo tempo, essa configuração contribui para reduzir distâncias e melhorar a eficiência da distribuição.

Shopee acelera expansão e se aproxima do concorrente

A Shopee, por sua vez, também intensificou sua presença no mercado brasileiro de galpões logísticos. No segundo trimestre, a companhia alcançou 2,34 milhões de m² de área industrial, distribuídos em 121 ocupações (condomínios logísticos).

Em cinco anos, a Shopee multiplicou por quase 200 sua presença em condomínios logísticos no Brasil, saltando de 11,8 mil m² em 2021 para 2,34 milhões de m² no segundo trimestre de 2026 — um crescimento de aproximadamente 19.700%. 

Considerando a área efetivamente ocupada, a Shopee soma aproximadamente 1,5 milhão de m² em atividade.

No 2T de 2026, a companhia alugou ou expandiu operações em quase 470 mil m². Dessa forma, movimentou mais área no trimestre do que o Mercado Livre, apesar de manter uma área ocupada significativamente menor.

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Grandes centros ganham espaço na estratégia da Shopee

Os maiores contratos ajudam a explicar esse avanço. A Shopee alugou 110 mil m² no BRZ 040 Logistics Park, em Ribeirão das Neves (MG), e outros 102,5 mil m² no Parque Logístico Guarulhos II (São Paulo).

Ao concentrar operações em ativos de maior escala, a empresa consegue ampliar rapidamente sua capacidade logística em regiões estratégicas.

Esse movimento também reforça a importância do eixo de Guarulhos para o e-commerce brasileiro. A região reúne infraestrutura logística, proximidade com São Paulo e acesso a importantes corredores rodoviários e ao aeroporto.

No primeiro trimestre, a Shopee já havia demonstrado forte apetite por grandes áreas. Na ocasião, a empresa de Singapura alcançou cerca de 440 mil m² em novos contratos ou expansões.

Assim, o segundo trimestre mantém a trajetória de crescimento. 

Entretanto, os números indicam uma característica importante da estratégia da Shopee: ela consegue acelerar sua expansão por meio de contratos expressivos em empreendimentos estratégicos.

E-commerce continua impulsionando os galpões logísticos

Mais do que uma disputa entre duas gigantes do setor, os movimentos evidenciam a força do comércio eletrônico sobre o mercado imobiliário logístico brasileiro.

O crescimento das operações exige centros de distribuição maiores, localizações estratégicas e uma rede cada vez mais capilarizada. Além disso, a busca por entregas mais rápidas aumenta a importância de ativos próximos aos grandes mercados consumidores.

Nesse contexto, a expansão do Mercado Livre e Shopee gera impactos que ultrapassam seus próprios portfólios. A competição aumenta a demanda por condomínios logísticos e fortalece regiões capazes de oferecer infraestrutura, conectividade e escala.

Por isso, o avanço das duas empresas deve continuar influenciando a dinâmica de ocupação dos galpões ao longo de 2026. A disputa por eficiência logística tende a manter o e-commerce entre os principais vetores de demanda por espaços industriais no Brasil.

O que os números indicam para o mercado logístico

Os dados do segundo trimestre mapeados pela Buildings reforçam uma leitura importante para investidores, desenvolvedores e proprietários de ativos logísticos. A demanda das grandes plataformas digitais permanece elevada, mas apresenta estratégias distintas de ocupação.

O Mercado Livre combina escala, capilaridade e expansão regional. A Shopee, por outro lado, mostra maior velocidade de crescimento no trimestre e aposta em contratos de grande porte para ampliar sua infraestrutura.

Dessa maneira, a competição entre as duas empresas deve continuar movimentando o mercado de galpões logísticos. Ao mesmo tempo, a expansão das plataformas reforça o papel estratégico desses ativos dentro da cadeia de distribuição brasileira.

Por fim, diante da busca crescente por eficiência e velocidade nas entregas, essa corrida ainda deve ganhar novos capítulos ao longo de 2026.

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