William Waack | Entrevista

William Waack

William José Waack é formado em jornalismo pela Universidade de São Paulo e em ciência política, sociologia e comunicação na Johannes-Gutemberg Universitât de Mainz – com mestrado em Relações Internacionais – na Alemanha, em 1974. Durante sua carreira, atuou como professor na Fundação Alvares Penteado e na New York University. Mas a função que mais exerceu foi a de repórter, tendo iniciado a sua carreira em 1970 na sucursal do O Globo em São Paulo. Ao longo do tempo, atuou no jornal Estado de São Paulo (para o qual ainda escreve, como colunista), revista Veja e TV Globo por 21 anos. Atualmente, atua como palestrante dentro e fora do Brasil e comanda o Painel WW, que é transmitido via internet, entre outras atividades ligadas ao jornalismo e ao conhecimento especializado sobre economia e política.

William Waack  fala sobre crise, sobre o novo governo federal e sobre as perspectivas para o desenvolvimento econômico e político do Brasil.

Não importa quão turbulenta esteja a economia e nem o quanto as questões políticas interferam nos negócios, o fato é que toda e qualquer empresa, de qualquer setor, precisa batalhar, dia a dia, para se manter no mercado. É evidente que para alguns setores essa batalha tende a ser mais árdua, como é o caso do mercado imobiliário corporativo.

Seja durante a crise, seja durante os tempos conturbados das eleições presidenciais que definiram o novo governo federal do Brasil, todos os mercados se encheram de dúvidas e isso impactou diretamente no mercado imobiliário corporativo, que depende diretamente do bom desempenho dos demais setores.

Nos anos anteriores, as previsões pareceram ser ainda menos claras do que o momento presente. Por isso, não existe nada mais natural do que as empresas procurarem meios para entender os porquês e as projeções de diversas naturezas. Isso é ainda mais evidente em um setor que trabalha com ativos de médio e longo prazo, como é o caso do mercado imobiliário, incluindo o nicho corporativo.

Contudo, para esse setor existe uma certeza: se a economia melhorar, os negócios melhoram, uma  vez que as empresas novas ou em expansão precisam de espaço, seja para um escritório, seja para armazenar mercadorias. Mas, com a recente troca de governo, qual deve ser o cenário em curto, médio e longo prazo?

Para entender pontos relevantes sobre esse tema, o jornalista William Waack concedeu uma entrevista exclusiva para a revista Buildings. Como um dos mais respeitados jornalistas especializados em política e economia, William ressalta que não é um consultor para investimentos, mas passou, durante a conversa, sua visão particular sobre os temas, assim como algumas ideias do que pode acontecer no futuro. Confira a seguir!

Primeiramente, quais são as suas expectativas em relação ao novo governo federal do Brasil?

Acho que, independentemente do Bolsonaro, esse governo começou muito melhor do que o governo do Temer. Trata-se de um cenário macro favorável no curto prazo, com inflação baixa, que não afeta nem o varejo, juros relativamente baixos para os padrões brasileiros e um ambiente geral de expectativa de melhoria do custo “Brasil”, que é esse excesso de regulação, o excesso de burocracia, o bate-cabeça das agências regulatórias em todos os sentidos e o “peso” de um estado inchado e ineficiente. Essa combinação é inicialmente muito favorável ao governo Bolsonaro. Mesmo que ele fique sentado de braços cruzados, o ponto de partida dele é muito melhor do que o ponto de partida do Temer. Esse é o lado positivo. O lado complicado está um pouco lá fora. Há uma deterioração das expectativas internacionais, mas tem mais a ver com geopolítica do que com guerra comercial. A guerra comercial entre EUA e China agora está sendo vista da forma como merece ser vista, não é um problema comercial, é um problema geopolítico, é a expressão de uma situação geopolítica, portanto, não é algo que se resolva com um jantar entre presidentes. Esse é o quadro macro.

Quais são os principais entraves que o atual governo vai enfrentar para promover o desenvolvimento econômico?

A crise fiscal. É o grande desafio do governo: enfrentar uma situação de contas públicas difícil, porque é uma questão política difícil. Falar sobre crise fiscal no Brasil é a mesma coisa que falar em crise social: temos cerca de dois terços da população brasileira dependente, de uma forma ou de outra, de algum tipo de entrega por parte do governo nas suas várias instâncias. Pessoas que recebem pensões e benefícios, empresários que recebem incentivos, desonerações e por aí vai. Então, quando falamos sobre “apertar” as contas, estamos falando sobre criar perdedores por todas as partes. O item central da questão fiscal é, evidentemente, a reforma da previdência, que consome mais da metade dos gastos. É uma questão política de primeira ordem e que tem dois pés. Um deles é o relacionamento com o legislativo, que no Brasil é um poder com muitas prerrogativas e fracionado. Não há nenhuma economia grande com o número de partidos que o parlamento brasileiro abriga, e isso dá uma ideia da dificuldade de coordenação. Daí, não importa se é o Bolsonaro ou quem você quiser, nossa estrutura foi montada assim. O outro lado é realmente a capacidade, ou não, que esse governo vai demostrar de articulação política mais ampla. Os Estados estão “quebrados”. A maioria dos municípios depende de repasses do governo federal para pagar até o salário do prefeito. Então, a questão fiscal/previdência é uma questão política em dois trilhos muito difíceis. Um é o relacionamento com o legislativo e o segundo é a necessidade de uma coordenação com os outros entes da federação, que equivale, praticamente, a um “pacto federativo”. É aí que está o “nó” deste governo para garantir o desenvolvimento além desse começo auspicioso, que não foi ele que criou.

Falar sobre crise fiscal no Brasil é a mesma coisa que falar em crise social: temos cerca de dois terços da população brasileira dependente, de uma forma ou de outra, de algum tipo de entrega por parte do governo nas suas várias instâncias.

A oposição política pode atrapalhar esse desenvolvimento?

Não. No momento, não acho que isso pode acontecer. Pode ser que venha a se desenvolver assim. O principal adversário do governo Bolsonaro, hoje, é ele mesmo.

Considerando esse início de governo, temos muitas opiniões divergentes sobre a retomada da economia, em relação a quando isso deve acontecer, inclusive por causa da reforma da previdência. Qual é a sua expectativa quanto ao prazo efetivo da boa situação econômica?

Acho que se ele [presidente Bolsonaro] não fizer nada, teremos 2019 com economia melhor do que 2018. Mas, se estendermos esse horizonte mais adiante, se ele não fizer as reformas, esquece. Este ano está garantido, está entregue e ele não precisou fazer nada, herdou uma situação melhor. Se ele não atrapalhar, se não cometer nenhum erro incomensurável – que eu nem sei dizer qual poderia ser –, se ele não fizer nada, 2019 está entregue. Se a pergunta for se o governo é capaz de criar condições de desenvolvimento e geração de prosperidade sustentável em um prazo além de dois anos, daí eu volto ao meu argumento. Sim, existe uma oportunidade histórica única, um momento histórico único. A mentalidade brasileira não é liberal. O Brasil não é um país predominantemente liberal, pelo contrário. Mas as condições políticas neste instante são muito favoráveis a um governo que se atreva a fazer rapidamente essas reformas. O capital político que ele juntou nesta vitória eleitoral é importante, mas o tempo não trabalha a favor dele. De um lado, a própria crise fiscal, cujo perfil do crescimento da dívida pública é insustentável, 80% do PIB nominal – que é o que interessa, porque esse negócio de déficit primário é uma jabuticaba –, que está em uma trajetória que não dá para aguentar, porque não emitimos dólar. É o fator tempo que vai contra. Isso obriga o governo a manter uma carga tributária pesadíssima, porque é assim que ele financia isso. Cria no investidor a ideia de que ele precisa cobrar juros altos, para financiar a dívida brasileira. Em outras palavras, o governo tem que agir rápido. Se tiver essa sabedoria política, acho que estamos, sim, nesse momento histórico. Com isso, o governo consegue transformar as coisas. Do contrário, vamos ficar assim, com um setor que vai mais ou menos, outro que não vai, mas no conjunto não é bom. É o que somos, basicamente, há 30 anos. Se olharmos para trás, o Brasil cresceu muito menos do que qualquer país comparável.

O que causou essa crise nos anos anteriores?

Basicamente, o que nos levou à crise foi a falência de uma geração em construir um Estado de bem-estar social sem uma economia capaz de financiá-lo. Garantimos que os gastos sociais e públicos preteriam de maneira real, sem considerar a capacidade de economia em financiar isso. Cobrimos essa diferença com aumento de impostos e, agora, mais recentemente, com o endividamento. O segundo ponto que nos levou a essa crise – e que está diretamente ligado ao primeiro – é a baixa produtividade e capacidade de compreensão da nossa economia, o que é uma função de relativo grau do fechamento da economia brasileira com a economia mundial. Somos pouco produtivos, pouco competitivos, fechados, caros e ainda tentando financiar um Estado de bem-estar social do norte da Europa. É isso que no levou à situação econômica na qual acabamos ficando. Há fatores episódicos, como o intervencionismo da Dilma, por exemplo, no setor elétrico, no setor monetário – por meio dos decretos para abaixar os juros –, e por aí vai. São decisões políticas que causaram atrasos econômicos. A ideia de usar a Petrobras como instrumento de política industrial, por exemplo, “arrebentou” com a Petrobras e não melhorou a política industrial. As decisões pontuais também ajudam a explicar, mas teríamos chegado onde chegamos de qualquer maneira.

Embora muitas empresas tenham fechado as portas, uma  boa parte da iniciativa privada resistiu à crise. Como foi esse processo segundo a sua análise?

Tivemos uma espécie de demonstração do agrobusiness que é muito mais importante do que a venda de commodities. O agrobusiness tem esse dinamismo porque, em primeiro lugar, ele é conectado com o mundo e, em segundo lugar, é inovador do ponto de vista tecnológico, muito inovador. Existe um investimento em tecnologia que é algo de grande admiração internacional. Em terceiro lugar, a modernidade do agrobusiness brasileiro está associada, também, à formação de uma mão de obra específica muito importante. Vivemos no Brasil urbano e, se você olhar essas áreas de expansão no Centro-Oeste, todas elas estão associadas a institutos técnicos, estão associadas à formação de mão de obra, à compra e à aplicação de maquinário moderno e a toda parte de desenvolvimento tecnológico ligado à agricultura. O fato de o Brasil não ter sido atingido ainda mais pela crise se deve a essa experiência do agronegócio que, por sua vez, não está associada ao boi solto no pasto ou à plantação de cana que vai até o horizonte e, sim, à capacidade de investimento em inovação tecnológica. É uma demonstração de como um setor da economia passa pelo processo pelo qual nós passamos e ainda se expande.

Basicamente, o que nos levou à crise foi a falência de uma geração em construir um Estado de bem-estar social sem uma economia capaz de financiá-lo. Garantimos que os gastos sociais e públicos preteriam de maneira real, sem considerar a capacidade de economia em financiar isso.

Durante esse tempo de crise, ouvimos muito falar que o Brasil estava passando, historicamente, pela pior recessão do país. É correto dizer que essa foi a maior crise que tivemos?

Sem dúvida nenhuma. Na comparação internacional não há nenhum país que não tenha passado por uma guerra que teve uma redução do rendimento per capita tão brutal, em tão pouco tempo, como a que foi registrada no Brasil. Tivemos um recuo de 10% em dois anos e pouco. Nenhum país que não esteve em guerra passou por essa brutal retirada de renda das pessoas como nós passamos. Daí as pessoas ficaram surpresas com a eleição de outubro! Você acha que uma situação dessas fica sem consequências na cabeça das pessoas? É devastador.

Escutamos muitas coisas sobre a redução da máquina pública. O novo governo indica um pouco dessa intenção, até mesmo por meio da unificação de ministérios. Qual pode ser o impacto real dessa redução na governabilidade e no desenvolvimento do país?

Enxugar a máquina pública no Brasil é uma promessa que todos os políticos que assumiram fizeram, sem exceção. Pega quem você quiser: o Sarney, na saída do regime militar, passando pelo Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma até o Bolsonaro, todos falaram sobre enxugar a máquina pública. Até hoje não aconteceu, vamos ver se esse governo consegue, ainda não dá para saber. O que posso dizer é que o governo está criando dificuldades políticas para si mesmo, porque ele está separado em núcleos diferente, o que é normal se considerarmos a onda política que levou o Bolsonaro para onde ele está. Não é uma onda Bolsonaro, é uma onda antipetista, de indignação com a situação, de “vamos mudar o país”. São várias correntes que convergiram em uma coisa: tirar o PT e colocar outra coisa lá. Tudo bem. Agora é que vamos ver essa divisão, particularmente no peso do corporativismo. Não é o judiciário que consegue defender os penduricalhos do corporativismo, é também a classe empresarial. Importantes segmentos da classe empresarial se organizam para defender o que consideram ser dos seus interesses. O que sempre foi possível no Brasil foi acomodar esses interesses distribuindo a partir do Estado, mas agora o cofre quebrou. Esses interesses não são ilegítimos, ilegais ou ilícitos. É certo uma empresa defender o interesse dela se ela acha que pode competir melhor, faz parte do jogo. O problema é ter uma articulação política que é muito mais ampla do que conseguir os 308 votos na câmara dos deputados, o que já não é fácil. É daí que vem a minha insistência – tenho palestrado muito pelo Brasil, no ano passado fiz mais de 70 palestras –  na questão política. Quando você menciona o enxugamento da máquina pública, em teoria e falando abstratamente, é claro que melhora as condições, quem vai dizer que não? Mas isso está acontecendo? Não! Não acontece por causa de uma questão política.

Como está a atratividade do capital estrangeiro para o Brasil?

No ano passado fui palestrar em Nova York, entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial, para gente que não era ligada diretamente ao Brasil. Em uma das plateias tinha um grupo de gestores de fundos institucionais que têm que fazer um mix de carteiras, ponderando valores mais seguros, convencendo uma velinha aposentada em Tókio a comprar um bond brasileiro, por exemplo. O julgamento deles é muito prático e imediato: o governo vai lidar com a crise fiscal ou não? No investimento direto, o Brasil oferece extraordinárias oportunidades no momento, como no setor de óleo e gás, de commodities e de agrobusiness. Até mesmo no setor de mineração, se o governo for capaz de fazer esse código de mineração. Temos um déficit vindo para a estrutura que é espantoso, sem que o Estado tenha capacidade de investimento próprio, então isso vai ficar com alguém. Não é preciso ser nenhum gênio para perceber o que eles vão julgar para trazer dinheiro para o Brasil, é o lado de quem compra bonds brasileiros. Esse governo vai pagar o que deve? Ele é capaz de lidar com a crise fiscal? O lado de quem traz o dinheiro direto – seja para construir aeroporto, seja para comprar terra para plantar soja, seja para comprar toda a nossa rede de fibra ótica, como os chineses fizeram – é saber se as regras do jogo e do custo Brasil ficarão um pouco melhores ou não, mais previsíveis e menos custosas. Esse é o desafio do Bolsonaro, dele e do Paulo Guedes. Eles precisam conseguir substância  para o palavreado. O palavreado que o investidor estrangeiro está escutando é empático ao ouvido dele, eles estão achando bacana isso tudo, mas ninguém é bobo. Eles vão querer ver isso com ações e quanto mais rápido essas ações vierem, maior será, eu acredito, o fluxo de investimentos. Está na mão do governo mesmo. No setor imobiliário, por exemplo, você tem a questão do distrato, que está no STF. E daí você fala o que para o investidor estrangeiro? Se tem alguém interessado em real estate que quer fazer um empreendimento de luxo no litoral da Bahia e precisa mobilizar de 15 a 20 milhões de dólares para comprar o terreno, ele questiona se o terreno vai ser dele. Se não tiver índio, é dele. Depois, o Ibama vai deixar ele construir lá? Vai. Terceiro ponto: certo, mas e o ministério público? Daí você fala que eles estão mais comportados, agora são parte do governo. Depois, quem comprou não gostou e quer devolver, vou ter que pagar tudo que ele pagou? É nessa parte que entra o problema do distrato. Tudo isso chama insegurança jurídica: tem índio onde eu quero construir? Tem ministério público onde eu quero empreender? A questão fundiária está resolvida? Aliás, o maior apoio para o Bolsonaro no setor agrícola é fundiário. Não é posse de arma ou se criança usa azul ou rosa. O maior problema é fundiário, é saber se a propriedade dele é dele mesmo. No setor urbano, a questão do distrato parou o setor. Por quê? A postulação geral da justiça brasileira é do Procon, você nem precisa de tribunal. Coloque-se em uma situação em uma companhia aérea: atrasou o avião, multa! No caso distrato, se a pessoa comprou o apartamento, pagou um pedaço mas não quer mais o apartamento e quer o que já pagou, como é que fica para o incorporador? Se o investidor quer investir no real estate amplo, ele vai se questionar qual é o risco e qual é o risco do risco brasileiro. É o risco da insegurança, e isso “pegou” muita gente, parou um monte de coisas no Brasil por causa disso.

Na sua opinião, esse governo vai aumentar a privatização?

Boa parte está pendurada no Supremo. Os instintos, as posturas, o diagnóstico e as soluções propostas pelo time econômico do governo – que é de primeira –, tudo isso está correto, mas tudo esbarra nas questões políticas e na capacidade e na sabedoria do próprio Bolsonaro. Não sei o que posso falar de diferente do que o Paulo Guedes falou quando ele assumiu. O discurso de posse dele foi um ótimo diagnóstico do Brasil. A descrição que ele fez do Estado brasileiro, das amarras que o empreendedor sente, da ignorância dos corporativismos industriais, que no fundo acabam prejudicando eles mesmos… Aquele discurso foi primoroso. Sei que foi escrito acho que a oito mãos, mas é algo que mostra para os economistas sérios quanto tempo que a gente precisou ver passar para ouvir um ministro da economia do Brasil dizer as coisas certas. Parece um disco só rachado que tenho tocando, mas o problema é político. Em relação às privatizações, os impactos dependem do setor do qual estamos falando. No setor de distribuição elétrica, por exemplo, muda, mas o tempo de maturação é grande. Acho que a privatização vai chegar mais rapidamente no setor de infraestrutura. Neste caso, o impacto na economia é imediato, tanto na geração de empregos quanto nas melhorias que uma boa infraestrutura traz. Por exemplo: privatizar rapidamente portos, aeroportos, rodovias e estradas. Isso provoca uma mudança imediata. Claro, inicialmente não, porque no caso de uma estrada, por exemplo, tem pedágio. Mas barateia o custo, porque o caminhão não vai quebrar, não vai furar o pneu, a entrega vai ser mais rápida, etc. Este é só um exemplo pequeno do benefício. Falando sobre os cofres públicos, a privatização vai além do valor que se vende, gera uma redução geral de custos. E, como trata-se de uma infraestrutura moderna, isso atrai negócios e cria polos de desenvolvimento. Isso me parece extraordinariamente positivo e é o que eles querem fazer.

Qual é a importância do mercado imobiliário corporativo para a economia?

Primeiramente, existe uma geração de emprego direta enorme e que se irradia para vários setores industriais. Quando falamos em construção civil, estamos falando sobre a produção de vários tipos de materiais. No auge da crise, temos, por exemplo, o setor de revestimentos cerâmicos que estava se dando bem. Além disso, mobiliza o mercado de capitais e o investidor. O segmento da incorporação corporativa é, na verdade, um espelho de como a economia está.

E qual é a dica para os players desse setor sobre o momento do país?

Para ser honesto, não sou um especialista em aconselhar investimentos, sou um analista político. O que as pessoas fazem com as minhas análises é uma questão delas, não sou um consultor de investimentos e não tenho essa capacitação profissional. Eu seria um charlatão se fizesse isso e tento sempre me comportar da maneira mais profissional e correta possível em relação ao público que presta atenção ao que eu digo. O que eu posso dizer, de maneira geral e levando em consideração o cenário mais amplo da situação brasileira, é que tudo dependerá da capacidade do governo de lidar com as contas públicas. Se tivermos um governo hábil e forte politicamente, teremos uma situação estabilizada e que trará desenvolvimento e expansão dos negócios em todos os setores em um horizonte mais longínquo. O que eu digo sob a rubrica “conselho” é: prestem atenção à questão política da reforma da previdência. Ela dirá qual é a capacidade que esse governo tem de – a partir das questões políticas que nos afligem – romper as barreiras que impedem que a economia do país preencha o seu potencial. Falando isso me sinto razoavelmente confortável e estou colocando um grande sinal de alerta para as pessoas.                    

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