Estado registra 277 mil m² de novos galpões no segundo trimestre e ganha espaço entre os mercados mais atrativos para projetos especulativos, aponta JLL.
São Paulo, 13 de agosto de 2026 – O mercado de galpões logísticos de Santa Catarina alcançou um marco no segundo trimestre de 2026. Pela primeira vez, o estado superou São Paulo na entrega de novos empreendimentos.
Dados da JLL, em matéria do Metro Quadrado, apontam que Santa Catarina adicionou 277 mil m² de galpões no período, volume acima dos 193 mil m² registrados em São Paulo.
Dados da Buildings mostram resultado um pouco diferente: 189,1 mil m² de novo estoque entregue em Santa Catarina no segundo trimestre (condomínios logísticos) do segmento de alto padrão. Já São Paulo recebeu 193,3 mil m² no período.
O movimento também revela uma mudança importante no perfil dos projetos. Com a demanda mais forte, os desenvolvedores catarinenses passaram a enxergar maior espaço para empreendimentos especulativos, construídos sem ocupante previamente contratado.
Santa Catarina ganha espaço para projetos especulativos
Durante anos, o mercado catarinense concentrou projetos built-to-suit e pré-locados. As condições do solo no litoral elevavam os custos de construção e aumentavam o risco de projetos sem locatário definido.
Além disso, os valores de aluguel nem sempre compensavam o investimento necessário para desenvolver novos galpões. Agora, porém, esse cenário começou a mudar.
“Santa Catarina já está mais viável para fazer empreendimentos especulativos. Já existe demanda para isso, preço alto e o mercado já interiorizou esse preço”, afirma André Romano, gerente da divisão industrial e logística da JLL.
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Demanda do e-commerce muda a equação
O avanço do e-commerce ajudou a elevar a demanda por espaços logísticos no estado. Como resultado, os preços de locação alcançaram um nível capaz de melhorar a relação entre risco e retorno dos novos empreendimentos.
Segundo a Buildings, a absorção líquida permaneceu positiva, somando 58 mil m² no período. Embora inferior aos 120 mil m² registrados anteriormente, o resultado demonstra que a demanda continua ativa, mesmo diante do aumento da oferta.
Além disso, o preço médio pedido avançou de R$ 27,30 para R$ 28,00 por m², indicando que os empreendimentos de maior qualidade seguem sustentando a valorização dos ativos.
Em São Paulo, ocorre um movimento diferente. A escassez de terrenos bem localizados e o alto custo dessas áreas dificultam novos projetos especulativos.
Por isso, incorporadores e desenvolvedores paulistas têm priorizado empreendimentos com ocupação garantida. Santa Catarina, por outro lado, ganhou espaço justamente pela combinação entre demanda, infraestrutura e custos.
Estoque catarinense se aproxima do Rio de Janeiro
O avanço das entregas também aproxima Santa Catarina dos principais mercados brasileiros de galpões logísticos.
Dados da Buildings apontam que o estado já soma aproximadamente 2,9 milhões de m² de estoque (condomínios de todas as classes) e 1,9 milhão para o segmento Classe A e A+. Com isso, começa a se aproximar do Rio de Janeiro, que ocupa atualmente a terceira posição nacional.
O mercado fluminense possui cerca de 3,1 milhões de m² (todas as classes), enquanto São Paulo e Minas Gerais continuam à frente no ranking.
Assim, Santa Catarina consolida uma posição cada vez mais relevante no mapa logístico brasileiro. A combinação entre infraestrutura portuária, crescimento do e-commerce, importações e maior viabilidade de projetos especulativos tende a sustentar essa expansão.
Notícia do Metro Quadrado
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