Do global ao local: a resiliência do mercado imobiliário em tempos de volatilidade

Artigo Exclusivo escrito por Washington Botelho, CEO da JLL Brasil

Apesar da complexidade do cenário global, as expectativas para o mercado imobiliário são positivas. Nesse sentido, estamos falando de um ambiente dinâmico, cheio de nuances. Além disso, que combina macro interferências – com conflitos fiscais e guerras – com questões extremamente locais.

Com esse cenário dicotômico, de análises não lineares, é preciso fazer o exercício contínuo de “olhar para fora” enquanto “olhamos para dentro”.

Relatório recente da JLL mostra um mercado resiliente e positivo.

Apesar de ajustes para baixo no PIB, espera-se para 2027 um crescimento superior a este ano na maioria dos países. O ambiente financeiro está aquecido globalmente, puxado por grandes transações.

“Embora os conflitos geopolíticos e o potencial para taxas de juros mais altas continuem a preocupar os investidores, eles não estão prejudicando os níveis de atividade ou o funcionamento dos mercados de capitais, uma vez que os investidores consideram cada vez mais a volatilidade como estrutural, e não episódica”, aponta o estudo.

Escritórios, galpões industriais e data centers vivem, particularmente, um bom momento no mundo e no Brasil.

A taxa de vacância global de espaços corporativos tem registrado consecutivas quedas (hoje, está em 16,5%), fruto do crescimento da atividade de locação. Registramos, no segundo trimestre do ano, recorde de absorções de escritórios no período pós-pandêmico.

Em São Paulo, não tem sido diferente. A taxa de vacância é a menor dos últimos 17 anos e o volume de locações acima de 5 mil metros quadrados e 10 mil metros quadrados tem sido elevado.

Levando, inclusive, a baixa oferta de lajes com essas metragens. Empresas que precisam de espaços volumosos estão tendo que se planejar com mais antecedência ou buscar por eixos alternativos às regiões mais nobres da cidade.

Outro levantamento da JLL aponta que esse movimento deve se intensificar à medida que as companhias avançarem na adoção de soluções de IA. Isso porque é esperado um ganho de eficiência e aumento da produtividade, fazendo com que as empresas ampliem a quantidade de colaboradores e, consequentemente, precisem de mais espaços corporativos.

Resiliência do mercado imobiliário: entre logística, IA e data centers

O mercado de galpões logísticos e industriais não fica atrás.

O e-commerce e as empresas de logística são as grandes ocupantes desses ativos. O destaque vai para Estados Unidos e Europa, com crescimento das absorções de 46% e 20% respectivamente.

No Brasil, a taxa de vacância é mínima já registrada: 5,5%. Nossos especialistas acompanham, diariamente, uma disputa pelos principais empreendimentos e a escassez da oferta. O que entra no mercado, muitas vezes, já chega pré-locado, mesmo com o alto custo de construção e com a elevada taxa de juros que temos enfrentado.

No cenário de longo prazo, a automação das linhas de produção e a adoção massiva da IA, seja nos escritórios ou nas indústrias, tem levado atenção para mais um mercado ascendente: os data centers.

A demanda global é crescente. O relatório Global Data Centers Outlook da JLL mostra que a capacidade de processamento deve dobrar até 2030, exigindo cerca de U$ 3 trilhões de investimentos.

No Brasil, esse mercado registrou recorde de novos empreendimentos em 2026 e atraiu cerca de U$ 8 bilhões de investimentos, mesmo que estejamos à espera do Redata. A vacância por aqui é de só 4%.

Parece que meu lema nunca fez tanto sentido. There’s no one-size-fits-all.

De maneira geral, o real estate global segue com bons ventos a favor, apesar de algumas tempestades. Ao longo do tempo, temos mostrado resiliência ao nos mantermos firmes mesmo em águas atribuladas e estratégicos mesmo em momentos de bonança.

Seguimos em frente, redobrando nossa capacidade analítica sobre cenários globais e locais, colocando em prática o famoso “glocal”, que não é exclusividade do mercado imobiliário, mas que virou uma lente essencial para nossos negócios.

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