FIIs de lajes corporativas apresentam oportunidades no pós-pandemia

Foto: Matthew Henry (Unsplash)

 

Fernando Didziakas, sócio-diretor da Buildings, participou do evento FII Experience em São Paulo. Notícia da Suno Notícias.

Com movimentos contrários durante estes dois últimos anos de pandemia, os mercados de fundos imobiliários (FIIs) de logística e de lajes corporativas devem se ver mais uma vez separados no pós-pandemia.

Em evento realizado pela Suno no último sábado (9), o FII Experience, Fernando Didziakas, sócio-diretor da consultoria Buildings, falou sobre a tendência do mercado imobiliário neste pós-pandemia. Segundo o especialista, a expansão do mercado logístico deve arrefecer, enquanto o fim das restrições trará o retorno aos escritórios.

No ano de 2021, o setor de condomínios logísticos alcançou uma absorção recorde de 1 milhão de m² locados em um único trimestre, enquanto a média até então era de 550 mil m². Já neste primeiro trimestre de 2022, o especialista conta que esse número caiu bruscamente, para 450 mil m².

Segundo Didziakas, essa queda na absorção apresenta um cenário preocupante por dois motivos: a grande quantidade de galpões que estão em construção e devem ser entregues ao longo de 2022, e o risco de aumento na taxa de vacância que irá influenciar nos preços de locações e, consequentemente, no pagamento de dividendos pelos FIIs.

“3,8 milhões de m² em condomínios logísticos estão em desenvolvimento. Com isso, dois cenários podem se desenhar: se a absorção voltar para 1 milhão de m² por trimestre, fechamos o ano com uma taxa de vacância razoável. Mas, se continuar em 450 mil m² trimestrais, o mercado não irá absorver e a vacância vai aumentar”, explica Didziakas.

A taxa de vacância do mercado logístico brasileiro atualmente está em 11,4%. Segundo o especialista, o nível equilibrado para o indicador é de 10%. Muito acima, o poder de negociação fica na mão do inquilino, pela alta oferta, enquanto muito abaixo fica na mão do proprietário, pela falta de opções.

Oportunidades à vista para FIIs de lajes corporativas

Enquanto o setor de logística absorveu muito estoque ao longo destes dois anos e foi o queridinho dentre os FIIs de tijolo, o contrário foi verdadeiro para o setor de escritórios.

Segundo Didziakas, no início de 2020 as lajes corporativas viviam um ótimo momento, com taxa de vacância em torno de 10%, grande absorção por parte das empresas e um equilíbrio nas entregas de novos estoques – visto que muitos imóveis ficaram prontos trimestres antes.

Mas a pandemia chegou e tudo mudou. Houve devolução de espaços, entrega de alguns novos projetos e, junto com a incerteza de quanto tempo a crise sanitária iria durar, a vacância superou os 25%.

“A boa notícia é que a absorção pelas empresas voltou e já fechou três trimestres seguidos de alta, ao passo que o pior da pandemia ficou para trás”, diz o sócio-diretor da Buildings. Segundo ele, o setor de lajes corporativas de São Paulo é o mais promissor para os fundos imobiliários.

São Paulo deve ser foco dos fundos imobiliários

Atualmente, a taxa de vacância em São Paulo está em 18,5%, porém, algumas localizações apresentam perspectivas diferentes. A região da Faria Lima é a mais concorrida, com vacância inferior a 10%, preços de aluguel mais altos e forte demanda pelas empresas, conta Didziakas.

Já a Chucri Zaidan é o que o especialista chama de “Cajamar das lajes corporativas”, por apresentar preços mais razoáveis, taxa de vacância pouco maior do que 10% e mais possibilidades para o desenvolvimento de novos estoques.

Didziakas acredita que, para os fundos imobiliários, a oportunidade é grande para o setor neste pós-pandemia.

“O setor de escritórios sofreu por dois anos seguidos. Neste ano, ainda temos incertezas com as eleições e a guerra, mas o empresário não vai mais esperar o momento perfeito para voltar. O momento é agora”.

Ele acredita que as empresas vão investir em crescimento, contratação de novos funcionários e retorno para os parâmetros anteriores. Com isso, no médio prazo, os FIIs também devem demonstrar recuperação.

Notícia da Suno Notícias

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