Imóveis comerciais em destaque: logística lidera as transações no primeiro semestre de 2026, enquanto escritórios e varejo seguem atraindo capital.
São Paulo, 20 de julho de 2026 – O mercado brasileiro de imóveis comerciais movimentou R$ 13,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 57% em relação ao mesmo período de 2025. Em relação ao ano passado, as negociações somaram R$ 8,4 bilhões.
Essas informações são do Estadão em conversa com a consultoria Cushman & Wakefield.
Apesar do avanço expressivo, o segundo trimestre perdeu força. As transações totalizaram R$ 4,8 bilhões, volume 42% inferior ao registrado entre janeiro e março e 14% abaixo do mesmo período do ano passado.
Segundo a Cushman & Wakefield, o desempenho continua sustentado pelos fundamentos do mercado.
A redução da vacância e o aumento dos aluguéis fortalecem a atratividade dos ativos e estimulam investidores, mesmo em um cenário de crédito mais caro.
Nesse sentido, dados da Buildings, disponíveis na plataforma Buildings CRE Tool, apontam que no setor de escritórios Classe A, a taxa de vacância caiu de 13,33% para 12,70% entre o primeiro e o segundo trimestre.
Além disso, o preço médio pedido de locação avançou 5,08%, passando de R$ 128 para R$ 134,50 por m².
Da mesma forma, a absorção líquida manteve-se em mais de 90 mil m² de resultado (92,3 mil m²), resultado próximo ao primeiro trimestre: 92,8 mil m².
Ainda segundo dados da Buildings, a cidade de São Paulo também recebeu quase 70 mil m² de novo estoque, distribuído entre três regiões: Paulista, Pinheiros e Chucri Zaindan.
Leia mais aqui: Escritórios Classe A em São Paulo: vacância cai no 2T de 2026, enquanto aluguéis avançam
Galpões concentram quase metade das negociações
O segmento logístico permaneceu como principal destino dos investimentos. No segundo trimestre, os galpões responderam por 15 operações e movimentaram R$ 2,9 bilhões, equivalente a 60% do volume negociado.
No acumulado do semestre, o setor alcançou R$ 6 bilhões, ou 47% de todas as transações.
A demanda crescente do comércio eletrônico continua impulsionando esse mercado. Entre os principais negócios, fundos imobiliários sob gestão da XP investiram mais de R$ 1 bilhão na aquisição de ativos logísticos. Incluindo aqui os condomínios GLP I e II, em Jundiaí (SP).
Sobre o avanço da logística no Brasil, sobretudo no segmento de condomínios logísticos de alto padrão (Classes A e A+), dados da Buildings aponta, que, embora o setor tenha recebido cerca de 570 mil m² de novos empreendimentos, registrou absorção líquida superior a 880 mil m². Fator este que reduziu a vacância para 5,5% (ante 6,5% do trimestre anterior).
Ao mesmo tempo, os preços médios pedidos de aluguel recuaram tanto no segmento Classe A (de R$ 30,00 para R$ 29,07) quanto na média geral do mercado (de R$ 28,64 para R$ 27,85), criando um ambiente ainda mais favorável para grandes ocupações. Leia mais aqui: O avanço da logística no Brasil se apoia em grandes ocupantes, aponta Buildings
Sobre os ativos de varejo, ainda segundo o Estadão, estes registraram sete transações, que somaram R$ 1,3 bilhão. Já o segmento de escritórios contabilizou seis negociações, com volume de R$ 531 milhões.
Juros elevados tornam investidores mais seletivos
Após o forte desempenho observado entre o fim de 2025 e o início de 2026, o mercado perdeu ritmo diante da permanência dos juros em níveis elevados. A expectativa de redução da taxa básica não se confirmou. Por isso, muitos investidores adiaram novas aquisições.
A tendência para os próximos meses aponta um mercado mais seletivo, com preferência por imóveis que apresentem baixa vacância. Além de contratos sólidos e geração previsível de receita.
Assim, especialistas avaliam que o volume de negócios dificilmente repetirá o resultado de 2025, quando o setor movimentou R$ 26,6 bilhões.
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Segundo semestre deve entrar em compasso de espera
Além do custo elevado do capital, a proximidade das eleições tende a ampliar a cautela dos investidores durante o segundo semestre. Nesse cenário, parte das decisões de compra deve permanecer em espera até que o ambiente econômico apresente maior previsibilidade.
Por outro lado, o segmento hoteleiro desponta como uma oportunidade.
O aumento do turismo nacional e internacional impulsiona a ocupação e as diárias, enquanto desperta o interesse de investidores estrangeiros por ativos localizados nas principais capitais e destinos turísticos do país.
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