Gigantes do e-commerce disputam metro a metro por espaços logísticos no Brasil

Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa

E-commerce impulsiona a busca por espaços logísticos no Brasil; estoque total alcança 41,3 mi m² no segundo trimestre. Mercado Livre lidera, enquanto Shopee e Via Varejo disputam o 2º lugar.

São Paulo, 13 de agosto de 2025 – Realizada há uma semana (05/08) no Goodman Jaguaré, a 18ª edição do Buildings Exclusive, um dos eventos mais importantes do mercado imobiliário corporativo, trouxe como tema central da conversa a efervescência do e-commerce em São Paulo, além da expansão logística em todo o Brasil.

Numa disputa acirrada sobre quem aluga mais espaços, entrega mais rápido, ocupa áreas mais estratégicas e ganha a preferência dos consumidores brasileiros, Mercado Livre, Shopee, Amazon, Shein e tantas outros players têm movimentado o setor.

Dados do Buildings CRE Tool, compartilhados durante o encontro, apontam que o atual cenário logístico no Brasil é dominado por gigantes do e-commerce e do varejo. Elas utilizam vastas estruturas logísticas para sustentar suas operações de alta capilaridade.

Além disso, os dados recentes confirmam essa tendência de crescimento: o estoque total de condomínios logísticos no Brasil alcançou 41,3 milhões de m² no segundo trimestre de 2025. Do mesmo modo, atingiu uma taxa de vacância histórica de apenas 7,55%.

Por conseguinte, o levantamento demonstra o protagonismo de players digitais na demanda por galpões e centros de distribuição, com o Mercado Livre se destacando como líder absoluto no setor. Para obter informações e dados do setor logístico, acesse o Buildings CRE Tool clicando aqui.

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Mercado Livre lidera o ranking logístico

A gigante argentina detém a impressionante marca de 2.892.000 m² de área locada em todo o Brasil. Nesse sentido, o Mercado Livre não apenas lidera o ranking, mas o faz com uma margem avassaladora da segunda colocada. Leia mais aqui: Mercado Livre alcança marca de 2,8 milhões de m² de espaços logísticos alugados no Brasil

Sua pegada logística é quase três vezes maior que o segundo colocado: a Shopee.

Isso evidencia um investimento maciço em infraestrutura para garantir agilidade nas entregas e consolidar sua posição dominante no mercado latino-americano.

Além disso, as 77 unidades de ocupação industrial sugerem uma rede complexa e pulverizada, projetada para otimizar os prazos de entrega em um território continental. Leia mais: Oeste versus Leste logístico: qual lado vai crescer mais no raio de 15 km da capital Paulista?

A disputa pelo segundo posto: varejo e e-commerce

Segundo dados do Buildings CRE Tool, que monitora todas as ocupações em condomínios logísticos no Brasil, a competição pela segunda posição é acirrada, metro a metro, entre Via Varejo e Shopee.

Nesse sentido, a Shopee ocupa 1.046.706 m², demonstrando uma expansão agressiva e rápida no país, iniciada em 2020. Já a Via Varejo vem no seu encalço, ocupando 984,8 mil m². Com isso, demonstra a força de sua operação multicanal, que integra o varejo físico tradicional com uma crescente presença digital.

Suas 18 ocupações indicam centros de distribuição de grande porte e mais centralizados.

O dado mais notável, no entanto, é o número de ocupações da Shopee: 94. Isso sugere uma estratégia de entregas altamente distribuída, com múltiplos hubs menores e pontos de trânsito para acelerar a entrega final ao consumidor.

Espaços logísticos no Brasil: o pelotão dos gigantes digitais e do varejo

Logo atrás, encontramos outros players de peso que formam um bloco competitivo.

Na esteira de ocupações logística, surge o Magazine Luiza, com 721,6 mil m² ocupados, e a Amazon, com 711,3 mil m².

Vale observar que a Amazon opera por meio de muitos operadores logísticos sem que estes carregam sua “bandeira”. Logo, a gigante americana detém muito mais espaços locados e não identificados.

De igual maneira, ambas investem pesadamente para expandir suas redes e reduzir os tempos de entrega, sendo players fundamentais na configuração atual do mercado.

Outra empresa, a Ambev, ocupa 479,2 mil m². Ela aparece como a primeira empresa fora do varejo/e-commerce, com uma pegada logística expressiva, o que é esperado dada a natureza de seu negócio de distribuição de bebidas em escala nacional.

Setores estratégicos: farmacêutico, logístico e atacadista

Neste grupo, encontramos empresas com operações especializadas, mas de grande relevância. Surgem aí:

  • O Grupo SantaCruz (431,4 mil m²) que se destaca como o principal player do setor farmacêutico na lista, demonstrando a necessidade de uma logística robusta e especializada para a distribuição de medicamentos;
  • A DHL ocupando 413,2 mil m² de condomínios logísticos monitorados na plataforma CRE Tool (além de diversos galpões isolados, não monitorados). A ID Logistics vem em seguida, alugando 371 mil m². Ambas representando os operadores logísticos puros, empresas que fornecem a infraestrutura e a inteligência para outras companhias. Além disso, a presença robusta destas empresas indica a maturidade do mercado, que cada vez mais terceiriza suas operações logísticas;
  • A Luft Logistics ocupa 324,6 mil m² e também se enquadra nesta categoria, reforçando a importância dos operadores especializados;
  • Por fim, o Assaí Atacadista ocupa 301,2 mil m² e representa o setor de atacado de autosserviço, que exige grandes centros de armazenamento para abastecer sua rede de lojas.
Espaços logísticos no Brasil: players relevantes com foco específico

Completando a lista, há empresas de outros perfis logísticos, embora menores em comparação com os líderes:

  • Fedex Express (261,1 mil m²): gigante global de entregas expressas, com uma operação focada no transporte rápido de encomendas;
  • Coca-Cola (249,9 mil m²): similar à Ambev, necessita de uma rede de distribuição capilar para seus produtos;
  • RD – RaiaDrogasil (249,6 mil m²): outro forte representante do setor farmacêutico, com uma logística voltada para o abastecimento de sua vasta rede de farmácias;
  • B2W Digital (244,5 mil m²): embora apareça no final desta lista, representa uma operação de e-commerce consolidada (parte do grupo Americanas). Isso indica a alta competitividade do setor.

Os dados confirmam que a corrida pela eficiência e rapidez na entrega é o principal motor da expansão logística no Brasil. Leia também: Oeste versus Leste logístico: qual lado vai crescer mais no raio de 15 km da capital Paulista?

O e-commerce não apenas lidera, mas redefine as estratégias de ocupação de espaço. Além disso, atendem modelos que variam de grandes centros centralizados a redes pulverizadas de “last mile”.

Por fim, a dimensão da operação do Mercado Livre o posiciona em uma categoria própria. Na outra ponta, a acirrada competição entre Shopee, Via Varejo, Magazine Luiza e Amazon continuará a aquecer a demanda por galpões logísticos nos próximos anos. Para obter informações e dados do setor logístico, acesse o Buildings CRE Tool clicando aqui.

Será que o setor logístico dobrará de tamanho nos próximos 20 anos?

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