Mercado de escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro consolida retomada

O mercado teve absorção líquida positiva de 75 mil m² em São Paulo e  45 mil m² no Rio de Janeiro.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, vimos o mercado imobiliário corporativo de alto padrão em São Paulo e Rio de Janeiro passar por um período de incertezas. Com o home office expandindo e as devoluções de espaços comerciais acontecendo, os números de retração do mercado foram turbulentos ao longo de 2020 e também nos dois primeiros trimestres de 2021.

Contudo, conforme análises e projeções recentes da Buildings – atuante no mercado imobiliário desde 2007 – as expectativas de retomada do mercado de escritórios se concretizaram no final de 2021, trazendo resultados expressivos de absorção líquida – indicador de crescimento ou retração do mercado imobiliário trimestre a trimestre.       

Prova disso são os números da absorção líquida positiva do fechamento do 4T de 2021, no mercado de alto padrão (classe A, AA e AAA), que dita a tendência. O resultado deles demonstra que o pior momento da crise sanitária, de fato, já passou. Desde o 3T de 2021 houve reação do mercado de escritórios nas duas maiores cidades comerciais do Brasil. 

De acordo com Jonas Libardi, Gerente de Pesquisa da Buildings, o mercado imobiliário já começa a apresentar dados de uma forte recuperação.

Jonas Libardi

“Após este período mais intenso de pandemia que passamos, agora podemos dizer que o mercado imobiliário já começa a apresentar dados de uma forte recuperação. Esse sentimento pode ser notado não só por meio dos dados do nosso fechamento, mas também durante nossas atualizações. Temos notado os players animados com as novas locações e entregas, ocorridas no último semestre de 2021. Isso trouxe uma certa expectativa já para este primeiro trimestre de 2022”, explica Jonas Libardi, Gerente de Pesquisa da Buildings.

Para entender melhor o que mudou do terceiro para o quarto trimestre de 2021 e o que isso representa para o mercado de escritórios de alto padrão, trouxemos os dados apurados pelo time de pesquisa da Buildings para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Mercado de alto padrão em São Paulo

Os dados do fechamento do 4T de 2021 apontam um total de 250 edifícios comerciais de alto padrão na cidade paulista. Para obter mais informações e dados do mercado imobiliário, acesse a plataforma CRE Tool.

O principal destaque está na absorção líquida, que fechou positiva dois trimestres consecutivos. Se no 1T e 2T de 2021 ela foi negativa em mais de 41 mil m² e 44 mil m², respectivamente, no 3T e 4T os números mudaram consideravelmente.

No 3T/2021 a absorção líquida foi positiva em 15,179 mil m² e no 4T/2021 em 75,697 mil m². Isso significa que o mercado de escritórios paulista mais entregou do que devolveu espaços comerciais, dois trimestres seguidos.

Esse volume somado do 3T e 4T de 2021, inclusive, supera os dois primeiros de 2021 em quase 10 mil m². Ou seja, o mercado recuperou as devoluções do primeiro semestre de 2021.

Vale destacar, inclusive, que este número do 4T de 2021 é o melhor de absorção líquida positiva desde o 3T de 2019.

Taxa de vacância

Outro índice que merece destaque no mercado de escritórios de alto padrão diz respeito à taxa de vacância, que neste 4T/2021 também sofreu redução: de 23,05% (3T/2021) para 21,55% (4T/2021). Embora ainda seja um índice alto e que requer atenção, não deixa de ser um indicador positivo de melhora para este momento.

No 1T/2021 o número correspondia a 20,32%. No 2T/2021 subiu mais um pouco, para 22,55%.

Fernando Didziakas

“Mesmo sendo bastante otimista com o mercado paulista, os números do 4 trimestre não deixaram de ser surpreendentes. Esperávamos uma retomada para o mercado de escritórios, porém não ainda com esta força nesse trimestre. O fato das entregas de novos empreendimentos nos próximos anos serem menores que nesses últimos que passaram, nos tornam mais confiantes para uma retomada no ciclo de baixa vacância”, explicou Fernando Didziakas, sócio diretor da Buildings.

Mercado de alto padrão no Rio de Janeiro

Os dados apurados apontam que o mercado imobiliário carioca sofreu alteração em alguns números neste 4T/2021 – em comparação ao 3T/2021 – no que se refere ao número de empreendimentos e estoque total.

O número total de edifícios comerciais de alto padrão no Rio de Janeiro é de 124 prédios. No 3T/2021 ele possuía 125, mas um deles passou por reclassificação (de A para B) em razão do tempo de construção (superior há 20 anos).

Para obter mais informações e dados do mercado imobiliário, acesse a plataforma CRE Tool.

Quanto ao estoque ocupado, houve aumento nos números: de 1,034 milhões de m² (3T/2021) para 1,057 milhões de m² (4T/2021).

Quanto ao novo estoque, após sete trimestres seguidos sem nenhuma entrega (desde o 1T/2011), neste 4T/2021 foram adicionados ao mercado carioca 24,800 mil m².

Outro destaque positivo é a absorção líquida. Se nos dois primeiros trimestres de 2021 ela foi negativa em mais de 12 mil m² e 15 mil m², respectivamente, no 3T e 4T os números mudaram e surpreenderam.

No 3T a absorção líquida foi positiva (mais tímida) de 1,830 mil m². Já no 4T ela foi positiva em mais de 45 mil m² – um número muito importante.


A taxa de vacância também apresentou redução, embora pequena: de 41,4% (3T/2021) para 40% (4T/2021).

 

“Os números do 4 trimestre são uma excelente notícia para o mercado carioca. Apesar de não sofrer com aumento de vacância fruto de novas construções, o mercado do Rio de Janeiro ainda precisa absorver toda a sobra entregue nos últimos anos, que elevou tanto a taxa de vacância. Ainda estamos longe de uma solução definitiva, mas esses números são um bom começo”, avaliou Fernando Didziakas, sócio diretor da Buildings.

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