Além do Mercado Livre, Amazon, Shopee e Shein ampliam operações no país, atraídos pelo potencial de crescimento da logística nacional.
São Paulo, 8 de junho de 2026 – O Brasil continua atraindo investimentos bilionários de gigantes do comércio eletrônico, mesmo diante de desafios históricos relacionados à infraestrutura, mão de obra e logística.
Em 2026, o Mercado Livre anunciou aporte recorde de R$ 57 bilhões no país, enquanto Amazon, Shopee e Shein reforçam estratégias de expansão para ampliar presença e capacidade operacional.
Em matéria do portal Mundo Logística, Celso Queiroz, especialista do setor logístico, diz que o principal atrativo do Brasil está na combinação entre dimensão territorial, população e atividade econômica.
Segundo ele, poucos países no mundo reúnem simultaneamente mais de 200 milhões de habitantes, um PIB superior a R$ 12 trilhões e território acima de 8 milhões de quilômetros quadrados.
Nesse contexto, o executivo destaca que apenas Estados Unidos, China e Brasil possuem características semelhantes.
Além disso, o consumo responde por cerca de 63% do PIB brasileiro. Ao mesmo tempo, essa demanda distribui-se por um território continental, criando oportunidades permanentes para operadores logísticos e plataformas de e-commerce.
Mercado Livre amplia liderança com novo ciclo de expansão
Entre os maiores anúncios do ano, o Mercado Livre confirmou investimento de R$ 57 bilhões em 2026, valor 50% superior ao registrado no ano anterior. Os recursos financiarão a expansão logística, o fortalecimento do marketplace e o crescimento dos serviços financeiros.
Atualmente, o Brasil responde por 52,6% da receita líquida da companhia, que totalizou R$ 84,5 bilhões em 2025. Segundo a empresa, o país continua sendo um dos mercados mais estratégicos da América Latina devido ao potencial de crescimento do comércio eletrônico.
A companhia destaca que o e-commerce representa cerca de 17% do varejo nacional, percentual ainda inferior ao observado em mercados mais maduros, como Estados Unidos, com 27%, e China, com 32%.
Levantamento da Buildings aponta que o Mercado Livre e a Shopee somaram 5,8 milhões de metros quadrados ocupados no Brasil. E fecharam mais de 800 mil metros quadrados em novos contratos apenas no primeiro trimestre de 2026.
O Mercado Livre lidera a ocupação de condomínios logísticos no país, com 4 milhões de m² distribuídos em 96 operações.
Apenas entre janeiro e março deste ano, a companhia adicionou 377 mil m² em novas locações e expansões. A maior operação ocorreu em Jacareí, com 134,2 mil m².
Já a Shopee encerrou o trimestre com 1,8 milhão de m² ocupados em 113 operações logísticas. Segundo o levantamento, a estratégia da empresa prioriza estruturas regionalizadas para reduzir prazos de entrega e ampliar a capilaridade da malha logística.
Novos centros de distribuição do Mercado Livre
Como parte da estratégia, o Mercado Livre abrirá 14 novos centros de distribuição fulfillment. Com isso, a empresa elevará para 42 o número de unidades desse tipo no Brasil e ampliará em 50% sua capacidade instalada.
Além disso, a companhia criará 10 mil empregos, principalmente nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros. Ao final de 2026, o quadro de colaboradores deverá superar 70 mil profissionais no país.
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Amazon e Shopee aceleram expansão logística
A Amazon também mantém o Brasil como prioridade global de investimento. A empresa informa ter aplicado mais de R$ 55 bilhões no país ao longo da última década em infraestrutura, tecnologia e capacitação.
Hoje, a companhia opera mais de 300 centros logísticos distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. Desse total, 19 são centros de distribuição localizados em sete estados, sendo sete inaugurados no último ano.
Segundo a Buildings, a Amazon ocupa 874 mil m² de condomínios logísticos no país, distribuídos em 30 operações.
Por sua vez, a Shopee ampliou sua rede de 13 para 22 centros de distribuição em menos de um ano. Atualmente, a operação reúne 17 unidades de cross-docking, cinco fulfillment, mais de 200 hubs logísticos, 3 mil agências e cerca de 45 mil motoristas parceiros.
Os investimentos permitiram à empresa superar 1 milhão de metros quadrados dedicados às operações logísticas e reduzir o prazo médio de entrega em 1,5 dia no quarto trimestre de 2025.
Shein evidencia desafios da operação brasileira
Enquanto Mercado Livre, Amazon e Shopee avançam na expansão logística, a experiência da Shein demonstra parte da complexidade operacional do mercado brasileiro.
Em 2023, a varejista anunciou plano para investir US$ 150 milhões em produção local e estabelecer parcerias com 2 mil fábricas brasileiras até 2026. Entretanto, dificuldades relacionadas ao transporte, à logística, à localização das unidades produtivas e às regulamentações trabalhistas desaceleraram a estratégia.
Por fim, em comunicado divulgado em 2026, a empresa reconheceu que as diferenças estruturais da indústria brasileira tornaram o processo mais lento e desafiador.
Matéria do portal Mundo Logística
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