Apresentamos abaixo as notícias mais recentes do mercado imobiliário corporativo, de 04/03 a 10/03, além de artigos e conteúdos com temas relacionados.
Mercado já vê inflação a 7% e Selic a até 14% com guerra na Ucrânia e disparada do petróleo
As projeções para a inflação brasileira deste ano já chegam a 7% (o dobro do centro da meta para este ano) por causa da alta do petróleo e dos alimentos. Isso está sendo provocada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
Desde o início do confronto até a última terça-feira, dia 08, o índice CRB, que mede a inflação global das commodities em dólar, subiu 15,2%.
Há consultoria que espera alta de até 25% nos preços em dólar das matérias-primas em 2022, o que piora a inflação e amplia o esforço para conter preços. O mercado vê a taxa básica de juros, hoje em 10,75% ao ano, acima de 13% ao final do ciclo de alta, podendo chegar a 14%.
Por conta dos desdobramentos da guerra, o Bank of America (BofA), por exemplo, foi a instituição que fez a maior revisão de expectativa de inflação para o ano: elevou em um ponto e meio, de 5% para 6,5%, a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O BNP Paribas subiu de 6% para 7% e está no topo das projeções de IPCA para 2022 ao lado Credit Suisse, que aumentou de 6,2% para 7%.
O chefe de Economia para Brasil e Estratégia para América Latina do BofA, David Beker, cita o aumento de preços de fertilizantes e alimentos para a revisão da inflação. Segundo ele.
“Estimamos que o impacto total da alta de preços de grãos deve ser sentido no fim do primeiro semestre de 2022 no IPCA, e revisamos nossa expectativa de inflação de alimentos no fim do ano para 11%, de 7,5% antes”.
Julia Passabom, economista do Itaú Unibanco, lembra que o impacto do conflito nas cadeias de suprimentos é muito grande. A Rússia responde por 11% das exportações de petróleo e, junto com a Ucrânia, detém 28% das exportações de trigo e 20% de milho.
Nesta semana, o banco que projetava o IPCA de 5,5% deve revisar para cima esse número por conta da alta dos alimentos e dos combustíveis. Diante das incertezas, a economista considera a possibilidade de o barril de petróleo ir a US$ 200 dólares no curto prazo.
“Mas não é o cenário mais provável”, ela disse.
Apple, Microsoft, Meta e Google preparam retorno aos escritórios
Grandes empresas de tecnologia – que mantêm escritórios modernos e de grandes dimensões, anunciaram como será a volta de seus funcionários aos escritórios.
Em home office praticamente desde março de 2020, Apple, Microsoft, Meta e Google estão aos poucos se preparando ou já colocando em prática os planos para a volta ao ambiente físico.
A Microsoft foi uma das empresas mais transparentes nessa área. Ainda em outubro de 2020, ela adotou o home office como opção permanente, mas dependendo do setor e das funções do colaborador.
Ao todo, a empresa criou um plano de seis etapas que envolve o nível de flexibilização do expediente. No início do ano passado, a empresa começou a retomada de maneira mais restrita e, em julho, chegou a pagar até um bônus de US$ 1,5 mil dólares para funcionários.
Desde o dia 28 de fevereiro, ela chegou ao último estágio da retomada, com os funcionários do escritório confirmando com os gestores como será a sua rotina e as preferências de trabalho que serão adotadas, como as flexibilizações e horas passadas no escritório ou em casa.
Já o Google confirmou o retorno dos funcionários aos escritórios nos Estados Unidos para o dia 4 de abril. Essa nova data é tida como definitiva pela empresa após um adiamento: a ideia original era fazer isso em 10 de janeiro, plano descartado com o aumento de casos da variante Ômicron.
O retorno será um modelo híbrido com preparação prévia de cada equipe, sendo que a ideia é que cada pessoa trabalhe três vezes por semana no regime presencial.
Para a Apple a data para o retorno presencial será no dia 11 de abril, com um planejamento de volta gradual que começa com um dia de trabalho por semana no escritório. Em 23 de maio, o regime híbrido será implementado em definitivo.
O tempo que cada funcionário passará no campus depende das condições sanitárias da região, mas a ideia é que todos tenham a opção de passar até quatro semanas por ano em casa.
Por fim, a Meta, empresa que engloba Facebook, Instagram e WhatsApp, também adiou os planos de volta ao escritório. Mas a nova data também está definida: 28 de março, ao menos nos Estados Unidos.
A empresa fez várias alterações nas regras remotas e presenciais ao longo da pandemia, mas elas agora parecem ser as definitivas. Os funcionários devem estar vacinados, inclusive com eventuais doses de reforço.
Petros reduz vacância de imóveis pela metade durante a pandemia
A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, reduziu pela metade, durante a pandemia, o índice de vacância de seus imóveis: de 41,7% em dezembro de 2019 foi para 20,6% em dezembro de 2021.

Fundo de pensão da petroleira fechou 23 contratos de locação desde 2019 Foto: Paulo Whitaker/Reuters
O principal motivo foi o aumento da demanda por condomínios logísticos pelas empresas de e-commerce.
Desde o fim de 2019, a Petros fechou 23 contratos de locação, a maioria com empresas de grande porte. Entre os novos negócios estão o galpão frigorificado Alfredo Braz, em São José dos Pinhais (PR), e o Edifício da Lavradio, no centro do Rio.
Shoppings da carteira (Vitória e Iguatemi Fortaleza) também teriam apresentando melhora.
A carteira de imóveis do fundo de pensão soma R$ 3,5 bilhões de reais, 3,5% do patrimônio de cerca de R$ 100 bilhões de reais do fundo. O Petros tem investido na qualificação das equipes para atuar de forma mais ativa no mercado imobiliário. Além disso, destinou mais recursos à tecnologia, com a contratação de plataforma de dados do mercado.
Número de brasileiros investindo em FIIs cresce 660% em 3 anos
A presença dos investidores brasileiros nos Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) cresceu 660% de dezembro de 2018 a janeiro de 2022, segundo dados da B3.

Crédito: Getty Images
De acordo com os analistas, a redução da taxa de juros (movimento que ocorreu até 2021) e o aperfeiçoamento da qualidade dos produtos dessa classe de ativos foram as principais causas para o grande interesse do mercado.
No fim de 2018, eram 208 mil pessoas presentes nesse tipo de investimento. Pouco mais de três anos depois, esse número subiu para mais de 1.583 milhão. O salto de 660% tem suas razões.
Segundo Laércio Boaventura, diretor de investimento da Vectis Gestão, o aumento do interesse por essa classe de ativos está muito relacionado às melhorias e à mudança de percepção do investidor para os produtos do mercado nos últimos anos.
“No início, os fundos imobiliários eram classificados como investimentos alternativos. Naquela época (2005 e 2007), quando se falava em investimento alternativo, as pessoas achavam que era um negócio de altíssimo risco. Não é”, afirma Boaventura.
Ele explica que os primeiros FIIs eram destinados apenas para os investidores qualificados. Com o tempo, essa restrição mudou. “De lá para cá (2022), fundos lançados foram destinados para o público geral. Então, é um produto que com R$ 100 reais você consegue participar”, acrescenta.
As condições das taxas de juros também foram importantes para a atratividade dos FIIs entre os investidores. De acordo com os dados do Banco Central (BC), de julho de 2017 até o início de fevereiro deste ano, a taxaSelic esteve abaixo dos dois dígitos, tendo como o período de menor patamar entre os meses de agosto de 2020 a março de 2021, quando a taxa estava a 2% ao ano.
“A realidade é que, com a queda da taxa de juros, o investidor naturalmente para de aumentar dinheiro em CDI (renda fixa) e busca alternativas de investimento”, avalia Alessandro Vedrossi, sócio-diretor da Valora Investimentos.
Como os produtos passaram a apresentar bons retornos financeiros, o interesse nesse tipo de investimento cresceu. “É um produto que paga dividendo e tem segurança porque investe em imóveis ou em ativos ligados a imóveis”, ressalta Vedrossi.
O amadurecimento desse segmento de mercado também contribuiu para a alta do número de investidores. Segundo a B3, o primeiro fundo imobiliário foi lançado em 1995. Após 27 anos, outros 393 FIIs foram criados no mercado.
BB Investimentos aumenta peso de galpões e recomenda FII Pátria Logística (PALT11) na carteira deste mês
A carteira recomendada “Ganho de Capital”, do BB Investimento, trouxe uma novidade neste mês: a inclusão do fundo imobiliário (FII) Pátria Logística (PALT11), do segmento de galpões logísticos.

Imagem: Unsplash/Anton Maksimov
Com isso, o setor logístico aumentou seu peso na carteira para 40%. Os fundos de escritórios, shoppings e fundos de fundos ocupam 30%, 20% e 10%, respectivamente.
Richardi Ferreira e Victor Penna, analistas que assinam o relatório, destacaram que o índice que acompanha o mercado de fundos imobiliários, o IFIX, encerrou fevereiro com queda de 1,3%, aos 2.741 pontos. Com essa nova perda, o índice já acumula uma desvalorização de 2,3% no ano.
Apesar do cenário desfavorável, a carteira “Ganho de Capital” “vem mantendo uma vantagem significativa em relação ao IFIX”, afirmam os analistas.
ARTIGOS BUILDINGS
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