Crescimento do PIB favorece o mercado de imóveis comerciais no Brasil?

Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa

O crescimento do PIB brasileiro em 2025 tende a estimular a demanda por imóveis comerciais, com aumento na absorção líquida e redução na vacância de escritórios de São Paulo e Rio de Janeiro.

São Paulo, 25 de agosto de 2025 – Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,4% em relação a 2023, alcançando o total de R$ 11,7 trilhões. No primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,4% em comparação ao último trimestre de 2024, com forte destaque para a agropecuária, que avançou 12,2%.  

Nesse sentido, o crescimento do PIB brasileiro exerce um impacto positivo no mercado imobiliário comercial. Ao estimular a geração de empregos, elevar a renda da população e intensificar a atividade empresarial, o avanço econômico aumenta a demanda por espaços comerciais. Tanto para instalação, como expansão e criação de novas operações empresariais.

Além disso, a confiança renovada no mercado impulsiona investimentos e financiamentos no setor imobiliário, fazendo-o crescer.

Segundo dados recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a previsão de crescimento do PIB em 2025 permanece firme em 2,3%. Essa estimativa aparece mesmo diante do aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

Embora a indústria tenha sua expectativa reduzida ligeiramente de 2% para 1,7%, o setor agropecuário surpreende positivamente, elevando sua projeção de crescimento de 5,5% para 7,9%.

Por conseguinte, este cenário, aliado a um mercado de trabalho aquecido, sustenta a perspectiva otimista para a economia nacional.

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Crescimento do PIB versus absorção líquida do mercado de escritórios

A correlação entre o crescimento do PIB e o desempenho do mercado imobiliário corporativo é um termômetro da saúde econômica e da confiança empresarial.

Quando o PIB avança, a atividade empresarial tense a se intensifica, ocasionando maior demanda por espaços de escritórios.

A absorção líquida – que corresponde à diferença entre a metragem de escritórios ocupados e desocupados em um período – é um indicador fundamental para avaliar essa movimentação.

Nesse sentido, dados recentes do Buildings CRE Tool apontam que no segundo trimestre de 2025, São Paulo registrou mais de 90 mil m² de absorção líquida positiva em escritórios Corporate Classe A, consecutivamente pelo nono trimestre.

Este resultado representa uma reação robusta após a retração sofrida durante a crise sanitária de 2020 e 2021, quando o mercado acumulou 220 mil m² de absorção líquida negativa.

Considerando todas as classes de escritórios (A, B e C), o volume de absorção líquida positiva foi ainda maior: alcançou quase 150 mil m² no segundo trimestre de 2025.

Paralelamente, a taxa de vacância em São Paulo caiu para cerca de 17% no segundo trimestre, tanto para a categoria Classe A quanto para o mercado geral. Isso reflete o equilíbrio entre oferta e demanda diante do cenário econômico favorável.

No Rio de Janeiro, o movimento é igualmente positivo, embora menos expressivo numericamente.

A absorção líquida de escritórios Corporate foi de aproximadamente 4,5 mil m² no período. Esse resultado positivo vem de uma sequência de sete trimestres consecutivos, de escritórios de todas as classes.

Apesar dos desafios específicos em alguns segmentos, como os imóveis Classe A, a taxa de vacância geral do segmento Corporate reduziu para 23%. Ela aparece como a menor dos dois últimos trimestres.

Construção civil e valorização dos imóveis comerciais

O avanço do PIB também impulsiona o setor da construção civil. Com isso, eleva o setor a mais lançamentos de imóveis comerciais com infraestrutura moderna, que aumentam a competitividade do mercado.

Nesse sentido, São Paulo conta com mais de 640 mil m² de imóveis Corporativos em construção, sendo 585 de imóveis perfil Classe A. Além disso, o mercado recebeu no trimestre mais de 40 mil m² de novo estoque. Saiba mais aqui: Escritórios Classe A de SP: taxa de vacância cai para 16,65% e preço de aluguel sobe no 2º trimestre

O Rio de Janeiro, por outro lado, apresenta um resultado mais modesto: 118 mil m² de novas construções em andamento.

A valorização dos imóveis comerciais é uma consequência natural desse movimento, refletida tanto na elevação dos preços de aluguel quanto no crescente interesse de investidores nacionais e internacionais.

Assim, o aquecimento econômico abre novas oportunidades para o mercado imobiliário, tornando-o mais dinâmico e atraente.

Relação entre o PIB do Brasil e a absorção líquida nacional

 

Os picos de crescimento do PIB, no entanto, nem sempre correspondem aos picos de absorção líquida, conforme mostra o gráfico acima.

Enquanto o PIB do Brasil teve um forte crescimento no 2º trimestre de 2022 e 2024, a absorção líquida teve seus maiores picos no 4º trimestre de 2023 e no 3º trimestre de 2024. Isso pode ser influenciado por fatores como o ciclo de entrega de novos edifícios e a confiança do mercado.

A tendência de crescimento do PIB a partir do 2º trimestre de 2023 parece ter se traduzido em um aumento sustentado da confiança do mercado, resultando em uma absorção líquida consistentemente alta a partir do 4º trimestre de 2023 e ao longo de todo o ano de 2024.

Por conseguinte, a estabilidade no crescimento econômico incentiva as empresas a investirem em novos espaços.

Por fim, o crescimento do PIB brasileiro em 2025 tende a atuar como motor para a expansão do mercado imobiliário corporativo. O aumento da absorção líquida de escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro revela o otimismo das empresas.

Da mesma forma, aponta a necessidade crescente de espaços comerciais, enquanto a queda das taxas de vacância confirma a saúde do setor.

Com estímulos também vindos da agropecuária e da construção civil, o mercado de imóveis comerciais está em trajetória de fortalecimento, como os indicares mais recentes comprovam. 

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