Mercado cresceu 30% em 2025 e interiorização consolida uma nova geografia dos escritórios flexíveis; São Paulo segue como principal polo.
São Paulo, 22 de setembro de 2026 – A expansão dos escritórios flexíveis no Brasil já não está concentrada apenas nos grandes centros urbanos. Pela primeira vez, a maior parte dos coworkings do país está localizada fora das capitais.
Isso reflete um movimento de descentralização impulsionado pela busca por estruturas mais eficientes. Bem como pelo fortalecimento econômico de cidades médias.
É o que revela o Censo Coworking 2026, realizado pela Woba, maior ecossistema de soluções para escritórios flexíveis da América Latina.
O levantamento mostra que o mercado brasileiro de coworkings cresceu 30% em 2025. Esse resultado alcançou 3.886 espaços em operação.
Ao mesmo tempo, a participação das capitais caiu de 58,5% em 2023 para 41,8% em 2025. Além disso, o interior e as regiões metropolitanas passaram a concentrar 58,2% dos empreendimentos.
O resultado evidencia uma mudança estrutural na distribuição dos escritórios flexíveis no país.
“O mapa do coworking brasileiro está se preenchendo de dentro para fora. As empresas perceberam que faz mais sentido estar próximas de onde as pessoas vivem e trabalham. Enquanto isso, os operadores encontraram no interior uma oportunidade de crescer com menos concorrência e custos mais competitivos. A janela para chegar cedo nesses mercados ainda está aberta”. Essa afirmação é de Pedro Vasconcellos, cofundador da Woba.
Coworkings do interior alcançam rentabilidade semelhante à das capital
Os dados também mostram que, embora os coworkings das capitais apresentem taxas de ocupação mais elevadas — 55% operam acima de 76% de ocupação. Isso ocorre ante 31% no interior. Nesse sentido, a rentabilidade é praticamente a mesma entre os dois mercados.
Assim, cerca de 32% dos operadores registram lucro tanto nas capitais quanto nas cidades do interior. Esse dado indica que custos operacionais menores compensam a diferença na ocupação.
“Na capital, a ocupação costuma acontecer mais rapidamente, mas o custo da operação também é significativamente maior. No interior, existe mais espaço para desenvolver demanda local e construir relacionamentos com empresas da região, o que torna o negócio igualmente rentável para quem tem uma estratégia consistente de crescimento”, explica o executivo.
Embora o movimento de interiorização avance, São Paulo segue como o principal mercado do país e concentra sozinho 34% de todos os coworkings e escritórios flexíveis brasileiros.
A capital funciona como um polo de inovação para o setor, enquanto cidades como Campinas e São José dos Campos se consolidam como extensões estratégicas das operações corporativas. Isso vem acompanhado da descentralização das empresas e da necessidade de oferecer estruturas de trabalho mais distribuídas.
Leia também:
– Itaú fecha locação bilionária no Esther Towers e consagra guinada da Chucri Zaidan
– 19º Buildings Exclusive: mercado imobiliário entra em nova fase de transformação
– Do global ao local: a resiliência do mercado imobiliário em tempos de volatilidade
Coworkings tornam gestão inteligente cada vez mais estratégica
Para a Woba, que conecta empresas e operadores de escritórios flexíveis em mais de 3 mil espaços parceiros e desenvolve tecnologias para gestão do setor, o avanço dos coworkings para além das capitais também aumenta a complexidade da operação.
O desafio é ainda maior porque o próprio Censo mostra que um em cada seis operadores ainda não monitora indicadores de desempenho. Isso ocorre mesmo em um mercado cada vez mais distribuído.
Nesse cenário, acompanhar ocupação, receita, precificação e demanda em tempo real deixa de ser apenas uma boa prática. Nesse sentido, passa a ser decisivo para manter a competitividade e a rentabilidade.
“Mais do que uma expansão geográfica, estamos vendo uma mudança de mentalidade. O coworking deixa de ser uma solução pontual e passa a fazer parte da estratégia imobiliária das empresas”, explica Vasconcellos.
Além disso, ele sinaliza que operar em rede oferece mais flexibilidade para acompanhar o crescimento do negócio, reduzir ociosidade e levar a operação para onde a demanda realmente está.
“Ao mesmo tempo, esse novo cenário exige uma gestão muito mais inteligente. É por isso que, na Woba, temos investido em inteligência artificial para transformar dados em decisões mais rápidas e precisas, ajudando operadores a identificar oportunidades, otimizar preços, antecipar tendências de demanda e preservar a lucratividade em um ambiente cada vez mais competitivo”, conclui.
Fundada em 2017, a Woba centraliza contratação, gestão e inteligência de dados de espaços de trabalho de grandes companhias como Cielo, XP, Prudential e iFood. A Woba se posiciona como a plataforma que vai entregar a camada de inteligência artificial do workplace corporativo — do contrato à experiência do colaborador.
Deixe um comentário