Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa
Com R$ 57 bilhões em investimentos e 20 novas operações logísticas previstas para 2026, companhia amplia infraestrutura para sustentar entregas em até 60 minutos.
São Paulo, 25 de setembro de 2026 – O Mercado Livre acaba de adicionar uma nova dimensão à disputa pela eficiência logística no Brasil. Além de ampliar sua rede de operações, a empresa argentina passou a testar entregas em até 60 minutos em São Paulo.
O anúncio ocorreu durante o Mercado Livre Experience, realizado na última quinta-feira (24). A nova modalidade, chamada de Envios Agora, atende inicialmente produtos de até 15 quilos em áreas selecionadas da capital paulista.
A estratégia acompanha uma expansão expressiva da infraestrutura logística. Em 2026, o Mercado Livre prevê investir R$ 57 bilhões no Brasil, contra R$ 38 bilhões no ano anterior. Leia mais aqui: Mercado Livre acelera aposta no Brasil e projeta R$ 57 bilhões em 2026
Além disso, a companhia pretende inaugurar 20 novas operações logísticas de grande porte até o fim do ano. Com isso, sua rede chegará a 72 estruturas no país, 39% acima do número registrado em 2025.
Mercado Livre amplia a escala da infraestrutura logística
A expansão ganha ainda mais relevância quando observada sob a ótica imobiliária. Para se ter ideia, a empresa encerrou o segundo trimestre com 5,59 milhões de m² de condomínios logísticos mapeados pela Buildings, distribuídos em 126 ocupações.
Quando iniciou suas atividades em terras brasileiras, em 2018, locava apenas 51 mil m². Em 2019, já eram 171 mil m². Desde então, não parou mais de crescer.
Noutras palavras, em apenas oito anos, o Mercado Livre multiplicou por 109 sua presença em condomínios logísticos no Brasil — um crescimento de mais de 10.800%.
Deste total mapeado, ela mantém cerca de 3,7 milhões de m² efetivamente ocupados. A metragem restante se deve a pré-locações já realizadas, mas ainda não ocupadas.
Esse dado se aproxima da estrutura logística atual divulgada pela própria empresa: mais de 3,3 milhões de m² no Brasil.
Apenas no segundo trimestre, ainda segundo a Buildings, o Mercado Livre alugou ou expandiu operações em mais de 800 mil m². O movimento consolidou a companhia como um dos principais vetores da demanda por galpões logísticos no país.
A trajetória também mostra a velocidade dessa expansão. Para conhecer todos os dados e indicadores do setor, acesse o Buildings CRE Tool.
Capilaridade passa a ser tão importante quanto escala
A estratégia atual combina grandes centros de distribuição com estruturas menores e mais próximas dos mercados consumidores.
Até o fim de 2026, o Mercado Livre projeta chegar a 30 centros de fulfillment, ante 21 unidades atualmente.
Além dos fulfillment centers, a rede reúne unidades de recebimento, cross docking, centros de triagem e estruturas menores instaladas em áreas metropolitanas.
Essas operações cumprem funções diferentes dentro da cadeia. Ao mesmo tempo, permitem aproximar estoque, vendedores e consumidores.
Segundo o Mercado Livre, sua rede logística já soma quase 7 mil agências autorizadas, distribuídas por aproximadamente um terço dos municípios brasileiros. Em média, essas unidades ficam a menos de três quilômetros dos consumidores.
Portanto, a expansão não ocorre apenas pela construção ou locação de grandes galpões. Ela também envolve uma malha cada vez mais capilarizada de pontos de apoio.
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Entrega em 60 minutos muda a lógica da última milha
A nova modalidade de entrega acrescenta outra variável à estratégia imobiliária da companhia.
O Envios Agora prevê entregas em até 60 minutos e, inicialmente, atende produtos de pequeno porte, com peso máximo de 15 quilos. A operação começa em uma área restrita de São Paulo e utiliza uma rede própria de entregadores parceiros, conforme notícias recentes.
A proposta aproxima o Mercado Livre de um modelo de logística urbana baseado na disponibilidade imediata do produto.
Para isso, a localização do estoque ganha ainda mais importância. Afinal, quanto menor o prazo prometido ao consumidor, menor precisa ser a distância entre o produto e o destino final.
Nesse cenário, estruturas menores dentro das regiões metropolitanas podem assumir um papel estratégico. Elas complementam os grandes centros e ajudam a reduzir o percurso da última milha.
Farmácias reforçam a demanda por proximidade
A expansão para o setor farmacêutico reforça essa tendência.
A partir de 25 de setembro, a farmácia própria do Mercado Livre em São Paulo passa a vender medicamentos sujeitos a prescrição e retenção de receita. A operação inclui categorias como antibióticos e medicamentos à base de GLP-1.
Além disso, a companhia pretende incorporar farmácias terceiras ao marketplace a partir de outubro.
O projeto começa com três redes, ainda não divulgadas, e a empresa espera chegar a 20 farmácias parceiras até o fim de 2026.
Nesse caso, a logística ultrarrápida deixa de atender apenas produtos de consumo e passa a alcançar uma categoria cuja disponibilidade e tempo de entrega possuem importância ainda maior.
Ao integrar farmácias ao marketplace, o Mercado Livre também amplia a possibilidade de utilizar estoques distribuídos em diferentes pontos da cidade.
Esses movimentos ajudam a explicar a dimensão da infraestrutura necessária para sustentar o crescimento do marketplace.
Além disso, a expansão geográfica reduz a dependência de poucos polos logísticos. A empresa consegue, dessa forma, distribuir estoques e aproximar produtos de diferentes mercados consumidores.
O que a expansão significa para o real estate logístico
O novo ciclo do Mercado Livre reforça uma transformação importante no mercado de condomínios logísticos.
Durante anos, grandes centros de distribuição concentraram boa parte da estratégia das empresas de e-commerce. Agora, a velocidade das entregas aumenta a necessidade de complementar essa estrutura com operações mais próximas das cidades.
Por isso, a demanda tende a alcançar diferentes formatos de ativos. Grandes galpões continuam importantes para armazenagem e distribuição, enquanto estruturas metropolitanas ganham relevância na etapa final da cadeia.
Além disso, localização, conectividade e acesso aos consumidores passam a pesar ainda mais nas decisões de ocupação.
A estratégia do Mercado Livre mostra, portanto, que a expansão logística não depende apenas de aumentar a metragem ocupada. Também exige redesenhar a distribuição espacial dos estoques.
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