Locação do Esther Towers pelo Itaú Unibanco reduz a oferta de grandes áreas corporativas e pode acelerar um novo ciclo no mercado paulistano.
São Paulo, 28 de setembro de 2026 – A locação integral do Complexo Esther Towers, na Chucri Zaidan, pelo Itaú Unibanco, marca uma nova etapa para o mercado de escritórios de São Paulo. Como trouxemos em conteúdo recente, o ativo de 91,4 mil m² representa a maior locação imobiliária da história do Brasil.
A intermediação contou com a CBRE, pela Eztec, proprietária do empreendimento, e a Binswanger Brazil, pelo Itaú.
Segundo os consultores envolvidos na negociação, em conversa com o InfoMoney, o negócio pode antecipar um ciclo de escassez de grandes áreas corporativas na capital.
“Essa é uma virada de chave para o mercado de lajes corporativas de São Paulo”, afirmou Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger.
Para Felipe Giuliano, diretor sênior de locação da CBRE, a oferta de grandes edifícios tende a diminuir nos próximos anos. Além disso, muitos projetos em construção já possuem contratos firmados.
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Itaú ocupa duas torres e reduz oferta de grandes áreas
O contrato contempla as duas torres do Esther Towers, com área equivalente a cerca de 12 campos de futebol.
Até então, o maior contrato havia sido o do Banco do Brasil, em 2013. Na ocasião, a instituição ocupou o Green Towers, em Brasília, com 86 mil m².
Outro negócio de grande porte ocorreu no Centro Empresarial Senado, no Rio de Janeiro. O complexo possui 96 mil m², mas foi desenvolvido sob medida para a Petrobras.
Já o Esther Towers chegou ao mercado sem ocupante definido. Portanto, a operação do Itaú também reforça a força da demanda por grandes áreas especulativas.
Além disso, a metragem contratada equivale aproximadamente ao volume trimestral de locações registrado em São Paulo. Nesse sentido, a operação gerará uma receita estimada em R$ 1,17 bilhão na primeira década.
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Grandes empresas voltam a ocupar escritórios
A operação ocorre em meio à recuperação do mercado corporativo paulistano. Durante a pandemia, muitas empresas reduziram seus espaços ou devolveram imóveis.
A partir de 2022, entretanto, a demanda começou a reagir. Inicialmente, pequenas e médias empresas lideraram esse movimento. Mais recentemente, grandes companhias também passaram a ampliar sua presença física.
Nubank, Amazon e Uber estão entre as empresas que reduziram o home office e voltaram a ocupar áreas corporativas maiores.
Como resultado, a vacância média dos escritórios caiu de aproximadamente 22%, durante a pandemia, para 15% atualmente.
Nos edifícios de alto padrão (Classes A e A+), a taxa chega a 12,6%, segundo dados da Buildings. Para os imóveis de padrão Triple A, vacância é ainda menor: 10,6%.
Por sua vez, regiões como Paulista, Faria Lima e JK apresentam vacância entre 5% e 9%. Assim, a disponibilidade de grandes áreas nesses eixos já se tornou limitada.
Chucri Zaidan ganha força como hub corporativo
De acordo com levantamentos da Buildings, a Chucri Zaidan vive uma recuperação estrutural acelerada.
Antes, apresentava uma situação diferente, com vacância de 14,4%. A locação do Esther Towers, contudo, reduz esse índice para aproximadamente 13,2%.
Sem o contrato do Itaú, a entrega do empreendimento adicionaria uma grande área disponível e elevaria a vacância da região para cerca de 22%, segundo as consultorias.
Para Eduardo Cardinali, diretor de transações de escritórios da Binswanger, o movimento muda a posição da região no mercado.
A Chucri Zaidan, segundo o executivo, deixa de funcionar apenas como alternativa de menor custo à Faria Lima. A região passa a consolidar-se como um hub corporativo de São Paulo.
Grandes lajes ficam cada vez mais raras
A disponibilidade de grandes áreas também preocupa empresas que precisam concentrar operações em um único empreendimento.
Segundo a CBRE, quem procura mais de 50 mil m² encontra atualmente apenas o Esther Towers e o Alto das Nações como alternativas relevantes.
Além disso, existem somente cinco imóveis triplo A com mais de 10 mil m² disponíveis.
“Estamos vendo os últimos empreendimentos de grande metragem disponíveis na cidade”, afirmou Giuliano, da CBRE.
A tendência também aparece nos novos contratos. No ano passado, a Amazon ocupou 39,2 mil m² no Biosquare antes da entrega do empreendimento.
Da mesma forma, o Nubank contratou dois edifícios ainda durante as obras: o Capote 201 e o Cyrela Corporate, que somam aproximadamente 50 mil m².
A CBRE estima que São Paulo receberá mais de 180 mil m² de escritórios no próximo ano. Entretanto, cerca de metade dessa área já possui contrato.
Legislação limita novos empreendimentos de grande porte
Além da demanda crescente, a legislação urbanística cria outro desafio para a oferta futura.
Segundo Gabriela Gregori, gerente sênior de pesquisa de mercado da CBRE, o Plano Diretor limita o aproveitamento de grandes terrenos para empreendimentos comerciais.
A legislação também exige o parcelamento de terrenos de grande porte. Consequentemente, novos projetos tendem a apresentar áreas menores.
Para empresas que precisam de grandes operações, esse cenário pode aumentar a necessidade de distribuir escritórios entre diferentes edifícios.
Portanto, a combinação entre demanda, baixa vacância e menor oferta de grandes empreendimentos pode acelerar as decisões de ocupação.
Por fim, o Esther Towers representa mais do que uma grande locação. A operação sinaliza uma mudança na relação entre demanda e oferta de grandes escritórios em São Paulo.
Notícia do InfoMoney
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