Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa
Epicentro financeiro de São Paulo, a Nova Faria Lima chama atenção pelo aumento gradual na taxa de vacância e pelo volume relevante de novos empreendimentos em construção.
São Paulo, 14 de agosto de 2025 – Não apenas a efervescência do e-commerce em São Paulo e a expansão do setor logístico no Brasil foram destaques na 18ª edição do Buildings Exclusive, realizada no da 05/08, no Goodman Jaguaré (SP).
A Nova Faria Lima também roubou a cena diante de 350 executivos presentes no encontro. Afinal, a região continua sendo o epicentro do mercado corporativo financeiro de São Paulo, portanto, ditando tendências e preços.
Os dados apresentados no evento e disponíveis na plataforma Buildings CRE Tool, revelam um mercado de escritórios Classe A em São Paulo em fase de reprecificação, e realocação de demanda, com performances distintas nas chamadas regiões primárias.
Do mesmo modo, a combinação entre preço médio pedido, taxa de vacância e pipeline de novos projetos em andamento cria um cenário de contrastes: de um lado, eixos premium que continuam a ditar o teto de valor de aluguel; de outro, submercados com preços mais competitivos e forte capacidade de absorção, sob influência de entregas relevantes no curto e médio prazo.
Nova Faria Lima: o eixo premium e o novo ponto de equilíbrio
Os dados do segundo trimestre levantados pela Buildings reafirmam o papel da Faria Lima como referência de valor para o mercado de escritórios.
Nesse sentido, o preço médio pedido de aluguel avançou de R$ 195,23/m² (2023) para R$ 269,57/m² (2025) na região, um salto de aproximadamente 38% em dois anos. Esse movimento consolida a percepção de escassez de imóveis na região e a preferência corporativa por localizações de ponta.
“A combinação entre entregas previstas e algumas desocupações programadas indica que haverá mais espaço disponível nos próximos anos. Esse cenário não representa uma crise, mas sim uma fase de maior oferta, que o mercado deve acompanhar com atenção para se ajustar de forma saudável e estratégica”, explica Fernando Didziakas, sócio-diretor da Buildings.
Além disso, a taxa de vacância crescendo de 6,55% (2023) para 9,41% (2025), acompanhada por um pipeline robusto de 112.200 m² de imóveis em construção, deixa o mercado em alerta para um futuro próximo.
Esse indicador é um sinal claro de ajuste fino: mesmo com demanda resiliente, a nova oferta pede tempo de absorção.
Ainda assim, patamares de vacância abaixo de dois dígitos continuam saudáveis para ativos prime, especialmente quando o diferencial de preço captura a preferência por qualidade e endereço.
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Absorção consistente e valorização por escassez
Na apresentação dos dados da 18ª edição do Buildings Exclusive, três regiões se destacaram pela trajetória de melhora na ocupação, sugerindo um ciclo de consolidação do estoque Classe A existente:
- Vila Olímpia: a taxa de vacância recuou de 17,11% (2023) para 11,46% (2025), queda de 5,65 p.p. (cerca de -33%);
- Paulista: de 20,51% para 11,56%, redução de 8,95 p.p. (aprox. -44%), com sinal de estabilização ou leve valorização do preço pedido;
- Berrini: de 22,40% para 12,27%, recuo de 10,13 p.p. (aprox. -45%).
Esses movimentos apontam um “flight-to-quality” dentro das regiões primárias. Ou seja, empresas migram para edifícios melhores e consolidam áreas. Além disso, capturam ganhos de eficiência sem necessariamente pagar o que se pratica de aluguel na Faria Lima.
Já Pinheiros se mantém entre os polos de preço mais elevado fora do eixo Faria Lima. Com R$ 155,21/m² (2025) e taxa de vacância de 13,79%, supera Vila Olímpia e Berrini, por exemplo. Para conhecer todos os dados do setor, acesse o Buildings CRE Tool clicando aqui.
Novos polos com preço competitivo: potencial de longo prazo
As regiões primárias na zona sul da capital exibem uma equação diferente. Por lá, os preços estão mais acessíveis, com altos volumes de construção e uma curva de vacância que vem caindo.
- Chucri Zaidan: a taxa de vacância caiu de 32,67% (2023) para 17,15% (2025), uma redução de 15,52 p.p. (quase -47%), com a maior atividade construtiva em andamento na cidade para imóveis Classe A: 115.800 m²;
- Chácara Santo Antônio: de 50,54% (2023) para 39,62% (agora), queda de 10,92 p.p. (-22%), com 111.400 m² em construção.
A mensagem central aqui é “capacidade futura”. Assim, essas regiões oferecem metragem moderna em escala, com padrões recentes de especificação, a valores mais competitivos.
A contrapartida é a necessidade de tempo para a maturação: a absorção avança, mas requer estratégia de locação ativa (pré-locação, ofertas customizadas, espaços flexíveis) e customizações para capturar empresas que buscam eficiência de custo sem abrir mão de qualidade técnica.
Por fim, vale destacar que, quando os valores de aluguel sobem, parte das empresas buscam alternativas em regiões secundárias ou terciárias. Esse movimento ajuda a manter i equilíbrio no mercado sem grandes oscilações no médio prazo. Para saber mais, consulte o Buildings CRE Tool clicando aqui.
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