O que os dados do 1TRI em São Paulo trazem ao mercado imobiliário

No dia 26/03 trouxemos a prévia dos dados apurados referente ao 1Tri de 2021. Na ocasião, havíamos feito a checagem de 80% dos dados. Hoje trazemos algumas percepções mais sólidas a partir de mais dados apurados. Basicamente temos uma notícia boa e uma não tão boa sobre o mercado imobiliário corporativo de alto padrão em São Paulo.

Embora a pesquisa ainda esteja em processo de revisão final dos dados, já conseguimos identificar algumas informações claras referente aos edifícios classe A na capital paulista.

Algumas percepções valiosas

Houve a entrega de duas novas torres do Parque da Cidade dentro do mesmo empreendimento da BR Properties. Eram três que estavam em construção, mas a primeira delas foi entregue e já ocupada pela Enel, ainda no 4T de 2020.

Neste 1Tri de 2021 essas duas torres entregues ainda estão com 100% de disponibilidade. Quando falamos sobre estoque total, estamos perto dos 250 edifícios de alto padrão na capital paulista.

O estoque total subiu cerca de 70 mil m², ou seja, o mercado cresceu com essas novas entregas.

Por consequência, claro, a taxa de vacância também subiu: cerca de 2,5 pontos percentuais. Isso não gera grandes preocupações já que era prevista em razão dessas construções que seriam absorvidas pelo mercado.

A notícia ruim neste 1TRi se refere ao estoque ocupado, que continua nesse processo de queda. Isso gera uma absorção liquida negativa. O mercado classe A, historicamente falando, nunca teve dois trimestres seguidos de absorção líquida negativa. Mesmo que encerrasse negativo em um trimestre, no seguinte se recuperava.

Desde que começou a pandemia, em março do ano passado, no entanto, essa realidade acometeu o mercado, principalmente no 3Tri de 2020.

Agora neste 1Tri tivemos uma devolução de muitos metros no edifício Rochaverá: o Banco Votorantin devolveu uma parte grande de sua operação. Também no Edifício Paulista, dentro do JS Real Estate, houve a devolução da Caixa Econômica e do grupo OLX, no total de um andar e meio. Ambos estavam dentro da estrutura de fundos imobiliários. Esta devolução representou cerca de 10 mil m² cada uma.

No entanto, uma forma positiva de olhar para o mercado, é considerando que este não foi o pior trimestre de devoluções. Como dito antes, continua sendo o 3T de 2020 que passou de 60 mil m² de absorção líquida negativa.

Claro que se comparar com o 4Tri de 2020, essa devolução deve aumentar ainda em 2021. E qualquer mudança vai depender, inevitavelmente, do cenário econômico do Brasil, do avanço da vacina, da retomada das atividades nos escritórios etc.

Contudo, vale destacar também que, quanto mais o mercado avança, mais empresas mudaram suas percepções: algumas que achavam que não precisariam mais de seus escritórios passaram a perceber que é necessário manter uma estrutura comercial, ainda que de forma reduzida. O escritório agrega ao ambiente de trabalho, gera interação das equipes, trocas de ideias e projetos etc.  Ou seja, o mercado imobiliário corporativo segue em alta.

Confira o vídeo completo no nosso canal no Youtube:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

12 + dez =