Santander adquire complexo da GTIS para estabelecer nova sede em São Paulo

Segundo a Colliers, a operação levou cerca de um ano para ser concluída e envolveu a análise de diferentes alternativas disponíveis no mercado.

São Paulo, 25 de fevereiro de 2026 – O Banco Santander fechou a compra do Campus JK, complexo corporativo da GTIS Partners em construção no Itaim Bibi, São Paulo. Matéria do Metro Quadrado aponta que a instituição pretende transferir sua sede administrativa, também na região, para o novo endereço, a partir do segundo semestre de 2028.

“Esse foi um processo longo e complexo, que exigiu avaliação de diversas opções, regiões e projetos. Encontrar um ativo com essa escala, nesse padrão e nessa localização é algo raro em São Paulo”, explica Ricardo Betancourt, CEO da Colliers.

Localizado na Avenida Juscelino Kubitschek, o empreendimento ocupa o terreno do antigo hipermercado Extra e terá 3 torres. O projeto contempla 58,1 mil metros quadrados de área locável em padrão Triple A.

Segundo a Colliers, líder global em serviços imobiliários que intermediou a compra do novo campus corporativo, a decisão do Santander reflete uma estratégia de longo prazo e um racional específico, pouco comum em um cenário de juros elevados e custo de capital mais alto.

“Não é uma operação usual. O padrão do mercado continua sendo a locação, especialmente em regiões como Faria Lima e JK. Esse caso é exceção e exige uma análise muito cuidadosa”, afirma o executivo.

A ocupação atual do Santander tem 72 mil m² de área privativa, o prédio principal do banco, segundo dados do CRE Tool, e está situado a apenas 1,5 quilômetro de distância. Vale destacar que o banco possui outros endereços, e esse novo complexo tende a ser uma expansão de suas instalações.

Segundo dados do Buildings CRE Tool, a Avenida Juscelino Kubitschek é o endereço de outros imóveis comerciais de destaque na cidade, como o International Plaza, JK Financial Center, Condomínio São Luiz I, II e III, JK 1600 e outros.

Além disso, de acordo com o executivo, bancos e instituições financeiras possuem particularidades que podem tornar a aquisição de ativos imobiliários estratégicos mais viável do que para outros setores.

“Em alguns casos, o imóvel passa a fazer parte da estratégia patrimonial da companhia, com impactos inclusive na estrutura de balanço. Ainda assim, são decisões raras e muito específicas”, explica.

Detalhes financeiros e estratégia de mercado

Embora o Santander não revele o valor oficial da transação, o mercado estima cifras próximas de R$ 2 bilhões.

Avaliações recentes de outros interessados projetavam preços entre R$ 30 mil e R$ 35 mil por metro quadrado. A decisão de compra surpreendeu consultores imobiliários, pois grandes corporações costumam priorizar o aluguel em regiões valorizadas como a Faria Lima.

O movimento assemelha-se à estratégia do Itaú, que adquiriu o edifício Faria Lima 3500 por R$ 1,5 bilhão.

Segundo o CEO do banco, Mario Leão, a mudança alinha-se ao conceito global do grupo para espaços colaborativos e modernos. Atualmente, o banco abriga cerca de 5,2 mil funcionários em seu escritório central na capital paulista.

Já do lado do vendedor, a transação também reflete o contexto atual do mercado imobiliário. O aumento do custo do dinheiro e a maior seletividade na concessão de crédito têm levado desenvolvedores a buscar alternativas que reduzam riscos e viabilizem projetos de grande porte.

“Em operações como essa, a pré-compra ajuda a financiar a obra e traz mais previsibilidade ao desenvolvimento”, diz Betancourt.

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Arquitetura moderna e conceito de campus urbano

Outro fator decisivo para a escolha do Campus JK foi a qualidade do projeto, que adota um conceito mais horizontal, com torres baixas e amplas áreas de convivência.

“Hoje, os imóveis corporativos evoluíram muito. Assim como os carros, eles incorporam tecnologia, sustentabilidade e eficiência. Esse projeto atende a padrões elevados de qualidade ambiental, gestão de resíduos, redução de carbono e bem-estar dos usuários”, destaca o CEO da Colliers.

O escritório aflalo/gasparini assina o projeto, que integra três torres corporativas conectadas por áreas de convivência.

O complexo terá seis pavimentos de escritórios, rooftop privativo e fachadas ativas com restaurantes e serviços. A Racional Engenharia executa as obras, enquanto a GTIS permanece no desenvolvimento até a entrega final.

Segundo Betancourt, empresas de origem europeia tendem a liderar esse movimento de valorização de critérios ambientais e de sustentabilidade nos empreendimentos corporativos. “Existe uma preocupação maior com qualidade do ar, materiais de alto desempenho e impacto ambiental. Isso pesou de forma relevante na decisão”, afirma.

Para a GTIS Partners, a venda reforça seu processo de desinvestimento no Brasil após a pandemia.

A gestora americana já comercializou outros ativos icônicos, como o Infinity Tower e o Vista Faria Lima. Por outro lado, o Santander ainda avalia o destino do prédio atual, ocupado há quase duas décadas pela instituição.

Com informações do Metro Quadrado

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