Artigo escrito por Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil
São Paulo, 14 de maio de 2026 – O mercado paulistano de escritórios corporativos dos padrões A e A+ passa por um momento de inflexão, com efeito cascata dos altos preços e da baixa vacância da Faria Lima nas demais regiões. Além de pouca disponibilidade de negociação de valores por parte de proprietários de imóveis em boa parte da capital paulista.
Essa avaliação é da Binswanger Brazil.
Do lado da oferta, não se espera um volume grande de novo estoque de edifícios comerciais, no curto prazo. Ao mesmo tempo em que a demanda por áreas segue elevada em decorrência do aumento dos dias de trabalho presencial, e do crescimento das empresas.
Nesse sentido, levantamento recente da Binswanger aponta que a taxa de vacância consolidada do mercado paulistano de escritórios caiu de 13,8%, no fim de 2025, para 12,8% no fechamento de março.
Desde antes da pandemia de Covid-19, quando a vacância chegou a 12,5%, o indicador não atingia nível tão baixo.
No primeiro trimestre, o maior mercado imobiliário do país recebeu novo estoque de apenas 26 mil metros quadrados de escritórios. Enquanto a absorção líquida – diferença entre novas locações e devoluções – chegou a 75 mil metros quadrados.
Nossa percepção, diante dos números apurados e, a partir das conversas com proprietários e inquilinos, demonstra que o alarmismo em relação ao risco esvaziamento dos escritórios – surgido no período de isolamento por conta da crise pandêmica – não se sustentou.
Pelo contrário: nas regiões consolidadas, a balança pende a favor dos donos de imóveis.
Presencial continua a ganhar força
Um exemplo de que o presencial continua a ganhar força é o caso Nubank, cujo sistema de trabalho remoto ficou bastante conhecido nos últimos anos. A plataforma de serviços financeiros digitais dará início ao modelo híbrido a partir de meados de 2026. Já sinalizaram a ida dos funcionários duas vezes por semana aos escritórios. De janeiro de 2027 em diante, a parcela de dias “in loco” aumentará para três vezes por semana.
Em janeiro, o Nubank anunciou R$ 2,5 bilhões em investimentos, a serem distribuídos em cinco anos. O objetivo é aprimorar e ampliar sua rede de escritórios no Brasil. Ocupará, por exemplo, o Cyrela Corporate by Pininfarina na esquina da Oscar Freire com a Avenida Doutor Arnaldo, a partir de janeiro.
Assim, segundo apuração da Binswanger, no primeiro trimestre, a contratação de 12.693 metros quadrados pela Uber no JK Square, localizado na região Itaim/JK, foi a principal movimentação de escritórios da capital paulista.
Na sequência, ficou a locação de 7.054 metros quadrados realizada pela Shopee, no Birmann 32, na Faria Lima. Além do aluguel de 6.189 metros quadrados pela Novartis, no WT Morumbi – Ala B, na Chucri Zaidan.
Com a dificuldade de se encontrar áreas disponíveis acima de 5 mil metros quadrados na Zona Centralizada, a demanda por escritórios tem se expandido para regiões descentralizadas.
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Proprietários e investidores apostam no retrofit
De janeiro a março, a absorção líquida das regiões consolidadas somou 43 mil metros quadrados, com a taxa de vacância de 8%. Já na Zona Descentralizada, foi de 32 mil metros quadrados, com disponibilidade de 18%.
Na Zona Descentralizada, os preços pedidos por metro quadrado locado são inferiores aos das regiões consolidadas, e há oferta de áreas maiores.
Enquanto na Centralizada, o preço médio pedido por metro quadrado ficou em R$ 237,41, no primeiro trimestre, na Descentralizada, foi de R$ 96,49 – maior patamar desde 2015.
Assim, no consolidado da cidade de São Paulo, registramos valor médio pedido por metro quadrado locado de R$ 144,42.
Em um cenário com poucos terrenos disponíveis nas regiões mais demandadas no mercado paulistano, juros altos e demanda por parte de potenciais inquilinos, mais proprietários e investidores apostam no retrofit de imóveis.
É o caso da Barzel Properties. A empresa já divulgou intenção de comprar, em regiões como as das avenidas Faria Lima e Paulista, prédios antigos com lajes maiores do que 800 metros quadrados para atualização e locação a preços mais elevados do que os atuais.
Mas em regiões mais afastadas, como a Chucri Zaidan, cuja vacância segue elevada, a busca por áreas se relaciona mais à qualidade dos prédios do que à localização, tornando a estratégia de retrofit desafiadora.
Para conhecer o trabalho da Binswanger Brazil, acesse aqui.
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