Resumo da Semana: notícias do mercado imobiliário corporativo #21

Apresentamos abaixo as mais recentes notícias do mercado imobiliário corporativo nesta segunda semana de janeiro, além de artigos com temas relacionados.

Com IGP-M nas alturas, Câmara avança para definir IPCA como teto para reajuste de aluguéis

13/04 – Estadão

A Câmaradeve votar nos próximos dias uma nova regulamentação para o reajuste de aluguéis no País.

Faixa de aluga-se em prédio em Barueri – FOTO DANIEL TEIXEIRA/AE

O projeto, do deputado Vinícius Carvalho, do Republicanos de SP, determina o IPCA, o índice oficial de inflação, como o teto para os reajustes anuais de contratos residenciais e comerciais. Hoje, a maior parte é corrigida pelo IGP-M.

O texto já ganhou prioridade na fila de votação da Casa. Um requerimento de urgência foi aprovado na semana passada. Apesar disso, o tema é polêmico e encontra resistência em parte do mercado, que defende a livre negociação entre as partes.

O texto prevê que o índice de reajuste nos contratos de locação residencial e comercial não poderá ser superior ao índice oficial de inflação.

Segundo justifica o deputado do projeto:

“É permitida a cobrança de valor acima do índice convencionado, desde que com anuência do locatário. É uma forma justa de reajuste de contratos, pelo real custo de vida, porém deixamos a porta aberta para a livre negociação”.

A Lei do Inquilinato de 1991 não define qual índice deve reger os contratos. O proprietário e o locatário podem chegar a um acordo entre eles para esta negociação.

A tradição no mercado há décadas, porém, faz uso do IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas. Com isso, no começo deste ano, muitos locatários tomaram um susto ao receber um boleto com um reajuste 23,14%.

Cielo devolve 5 de 11 andares de escritórios – um péssimo sinal para fundos imobiliários

12/04 – Você S/A

A Cielo entregou 5 dos 11 andares que ocupava em um prédio de Alphaville, Barueri, e existe a possibilidade de que mais uma laje seja desocupada. Ou seja, a área locada deve cair mais da metade.

Se ainda havia a ilusão de que algum dia voltaríamos aos escritórios de segunda a sexta, o passo da empresa de maquininhas de cartão ajuda a entender que não.

O plano da Cielo é que exista uma escala de trabalho presencial e remoto com pelo menos dois dias por semana na sede da companhia e três de casa. Isso vai valer para a maioria dos funcionários.

Segundo afirmou o presidente da empresa, Paulo Caffarelli:

“Você vai ter que estar na empresa, sim, mas é por meio de uma escala de participação. É para a gente poder ser mais ágil e poder ter mais empregados fora de São Paulo”.

A decisão, segundo o executivo, deve gerar uma economia de 58% nos gastos recorrentes. As despesas gerais e administrativas, onde são incluídos gastos com aluguel nas demonstrações de resultados, somaram R$ 457 milhões em 2020. A alta na comparação com 2019 foi de 26,8%.

Fernando Pinto Lima, head de Gente, Gestão e Performance da companhia, afirmou que a decisão de adotar o modelo híbrido foi baseada em pesquisas com os funcionários da empresa – cerca de 4.000.

Nesses levantamentos internos, 95% do time disse considerar positiva a experiência de trabalhar remotamente e 92% sugeriu pelo menos três dias de remoto.

Home office ainda não assusta fundos imobiliários, mas está no radar do setor

13/04 – Estadão

Por um lado, a adoção do home office ou de um modelo híbrido de trabalho a partir da pandemia acendeu um sinal amarelo no mercado imobiliário de março do ano passado para cá.

FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

Por outro lado, os fundos imobiliários que investem em lajes corporativas observam este alarme com atenção, mas sem desespero.

Entre gestores de fundos e consultores, a opinião é semelhante: regiões mais valorizadas, o que em São Paulo inclui a Faria Lima, tendem a mostrar resiliência na ocupação de espaços corporativos.

Para Felipe Solzki, sócio e gestor de fundos imobiliários da Galapagos Capital, o mercado negocia com desconto pela incerteza no cenário, mas não tem observado devoluções de imóveis por conta da migração de empresas para o modelo não presencial.

“Há exceções, certamente, mas o que está virando consenso é que o modelo de home office e as outras ferramentas vão ser adotados como complemento. Ninguém está tomando a decisão, ainda, de qual será o modelo. Quem está devolvendo é porque faz parte da estratégia, ou está reduzindo funcionários”.

Alberto Ajzental, coordenador do curso de Desenvolvimento de Negócios Imobiliários da Fundação Getúlio Vargas, estima que para as empresas, cada funcionário custe entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês em escritórios localizados em lajes corporativas nobres em São Paulo.

A conta inclui despesas gerais e com aluguéis de cerca de R$ 100 reais por metro quadrado, considerando uma área de 12 metros quadrados por pessoa nos espaços corporativos.

O professor acredita que o layout dos escritórios deve mudar.

“Os escritórios são importantes para a criatividade e as reuniões presenciais são melhores que as virtuais. As empresas vão abrir mão de parte da área, vão otimizar o que tiverem”.

Trabalho híbrido é desafio de comunicação corporativa

14/04 – Valor Econômico

O crescimento exponencial das teleconferências, o estresse das jornadas duplas, o gerenciamento de equipes a distância, a necessidade de administrar o tempo e conciliar a rotina de trabalho com o dia a dia das tarefas domésticas.

Esses são apenas alguns dos desafios que os trabalhadores — e as empresas — vêm enfrentando desde o início das restrições impostas pela pandemia em 2020. E que, para muitas organizações, vieram para ficar.

Os modelos de trabalho remoto ou híbrido, com jornadas mais flexíveis serão adotados total ou parcialmente por muitas empresas, mesmo quando a pandemia deixar de ser uma ameaça.

Moisés Marques, diretor de recursos humanos da farmacêutica Novo Nordisk, observa que houve um agravamento do estresse entre os funcionários com a crise da saúde e explica algumas medidas adotadas pela companhia para enfrentar o problema.

“Criamos o Novo Elo, um programa voltado para o trabalho em equipe e socialização entre funcionários e com a liderança da empresa”.

O programa também incluiu atividades de suporte à saúde e combate ao estresse, além de medidas como flexibilização de jornada e benefícios como transporte por meio de aplicativos como o Uber, para os funcionários no retorno ao escritório. Ele diz não crer que o trabalho será 100% remoto, mas em um modelo híbrido.

Já a PPG Industries adotou algumas orientações para ajudar os colaboradores a lidarem com o chamado “novo normal”.

Além de palestras com psicólogos sobre temas como ansiedade, a empresa instruiu os funcionários a respeitar períodos de descanso, realizar pausas curtas, respeitar o horário de almoço e forneceu orientações sobre como manter um ambiente de home office mais confortável.

Além disso, a empresa adotou medidas como flexibilização de horário e locais de trabalho.

Com 96% dos funcionários em home office, o Bradesco Seguros, por sua vez, tenta manter a saúde física e emocional dos trabalhadores durante a pandemia.

Isso incluiu palestras sobre autoconhecimento, saúde, qualidade de vida e bem-estar, além de conteúdos especiais sobre meditação e gestão de tempo, e atendimento psicológico, profissional e confidencial visando o bem-estar dos funcionários.

DNA logístico: BlueCap terá fundo de R$ 215 mi de reais para desenvolver galpões

08/04 – Exame

BlueCap, gestora de fundos imobiliários dedicados a galpões logísticos, vai entrar no mercado de desenvolvimento de projetos.

Não há, no ramo imobiliário, nada mais badalado no momento. O motivo, claro, é o boom do e-commerce Brasil adentro, com a urgente demanda do varejo por capilaridade.

O desenvolvimento equivale basicamente a uma operação de mais risco e mais retorno do que os tradicionais fundos de renda.

Nas próximas semanas, vai para rua o segundo fundo da casa, agora com plano para investir R$ 215 milhões de reais na compra de terrenos, planejamento, construção e locação de galpões destinados a serem centros de distribuição.

O ciclo do fundo se fecha com a venda dos ativos. É diferente das carteiras de renda, em que os fundos compram os ativos já prontos para locação.

A BlueCap foi fundada em 2019 por profissionais que juntos participaram do desenvolvimento de nada menos do que 1,6 milhão de metros quadrados em projetos logísticos, num total de R$ 2,8 bilhões de reais investidos.

O primeiro portfólio, voltado à renda, têm R$ 200 milhões de reais captados em duas rodadas. Os recursos estão investidos em galpões em Cabreúva,  a menos de uma hora de distância da capital paulista, e Extrema, a cidade mineira de menor distância de São Paulo — a taxa de vacância na região está próxima de zero.

O mercado de galpões logísticos, que já vinha em crescimento, simplesmente explodiu na pandemia, acompanhando a expansão do e-commerce e de todo o redesenho das estratégias de distribuição das companhias — algo que atinge desde varejistas até mesmo às próprias indústrias.

ARTIGOS BUILDINGS

Antes de finalizar, também te convido para conferir os artigos e outros conteúdos na Revista Buildings e também no nosso canal no Youtube.

Nesta semana produzimos um novo vídeo sobre o mercado de escritórios em Curitiba.

Este é o quinto vídeo da nossa Série Cidades: já analisamos o mercado de escritórios de Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Recife. Se você se interessa e perdeu algum desses conteúdos, estão todos disponíveis no canal da Buildings no Youtube.

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