Setor logístico chileno dá sinais de fôlego curto no 1T de 2026

Conteúdo Exclusivo – Por Ellen Costa

Setor logístico chileno mantém expansão e baixa vacância no 1T de 2026, mas desaceleração da absorção acende sinal de atenção para oferta excessiva.

São Paulo, 27 de abril de 2026 – O setor de condomínios logísticos e empreendimentos flex chileno apresenta uma trajetória de expansão acompanhada por sinais recentes de desaceleração pontual.

Conforme dados da Buildings, empresa brasileira de pesquisa imobiliária corporativa, presente no Chile desde 2021, apesar do avanço na oferta futura, o novo estoque entregue no 1T de 2026 (29,3 mil m²) foi inferior ao registrado no trimestre anterior (36,6 mil m²), indicando possível ajuste no ritmo de entregas.

Hoje, o setor logístico conta com um estoque total de 8,9 milhões de m² em condomínios industriais e flex. Na comparação com o 4T de 2025, observa-se que  no 1T de 2016, além do crescimento de estoque, houve aumento relevante da atividade construtiva. Esta passou de 860,6 mil m² para 1 milhão de m².

Um ponto de atenção, no entanto, é que no início de 2026 houve a reversão da absorção líquida, um dos principais indicadores do setor, que saiu de um resultado positivo de 22,3 mil m² no 4T de 2025 para uma absorção negativa de 11,3 mil m² agora. Ou seja, foi regustrada uma redução da ocupação dos condomínios nos últimos três meses.

Esse movimento sugere enfraquecimento momentâneo da demanda, ainda que a taxa de vacância tenha se mantido relativamente estável, com leve aumento de 4,40% para 4,82%.

Já o preço médio pedido de locação apresentou uma pequena queda (de UF 0,17/m² para UF 0,16/m²), possivelmente refletindo maior cautela dos proprietários diante do cenário de menor absorção.

Neste momento, o mercado demonstra sinais mistos. 

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Novas entregas e absorções desacelerando no período 

Por um lado, houve entregas relevantes no 1T de 2026. Com destaque para os empreendimentos Centro de Bodegaje Miraflores (16,6 mil m²), Condomínio Megaflex (7 mil m²) e El Peñon (5,7 mil m²), reforçando a contínua expansão do estoque. Para mais detalhes, acesse o CRE Tool

No ano passado, o volume logístico entregue ao longo de 2025 foi expressivo, totalizando 229,2 mil m². Resultado que evidencia o forte crescimento da oferta no último ano.

Por outro lado, a absorção líquida anual vem desacelerando. Após um resultado bastante robusto em 2024 (253,5 mil m²), houve queda significativa em 2025 (116,8 mil m²), praticamente reduzindo pela metade o volume absorvido.

Esse comportamento pode indicar um descompasso entre oferta e demanda, especialmente diante do elevado volume de novas entregas.

Apesar disso, no último ano, a taxa de vacância se manteve estável, em patamares baixos: 4,95% no 1T de 2024 e 4,82% agora.

Em síntese, o setor logístico apresenta fundamentos positivos, como crescimento do estoque, manutenção de baixa vacância e histórico recente de absorção.

Contudo, há pontos de atenção relevantes: a desaceleração da absorção líquida é uma delas. Além disso, episódios pontuais de absorção negativa indicam que o ritmo de expansão da oferta pode estar à frente da demanda no curto prazo.

Por fim, esse cenário exige monitoramento, especialmente quanto à evolução da vacância e à pressão sobre preços. Afinal, eles já demonstraram leve ajuste no passado e podem voltar a refletir condições mais desafiadoras do mercado. Para saber mais sobre o setor logístico chileno, acesse o CRE Tool

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