Ciclo de alta dos juros inibe investidores do setor de shoppings e 2025 tem apenas seis transações até o momento.
São Paulo, 04 de agosto de 2025 – A recente alta da taxa Selic impactou o ritmo das fusões e aquisições em shopping centers brasileiros, segundo levantamento da KPMG.
Notícia do Valor Econômico aponta que, até o momento, foram realizadas apenas seis operações. Esse número é inferior às 11 registradas em 2024 e às 17 de 2023, considerando apenas companhias abertas, operadoras e fundos imobiliários com informações rastreáveis.
Em abril, Iguatemi e parceiros adquiriram as participações da Brookfield no Shopping Pátio Higienópolis e Shopping Pátio Paulista. A transação envolveu o desembolso de R$ 2,58 bilhões, dos quais a Iguatemi investiu diretamente R$ 700 milhões.
Nesse sentido, a companhia passou a deter 29% do Pátio Higienópolis e ingressou no Paulista com 11,5%.
A negociação envolveu também fundos como BB Premium Malls, XP Malls, Shopping Pátio Paulista e FIP Braz Participações, viabilizada por consórcio de investidores sob coordenação da Iguatemi.
Por fim, a Iguatemi também movimentou o lado vendedor, alienando 49% dos shoppings Market Place (SP) e Galleria (Campinas) para um fundo da gestora Genesis, mantendo-se com 51% nas operações, em negócios que somaram R$ 500 milhões, objetivando reduzir sua alavancagem.
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Movimentações relevantes do setor de shoppings
Em meio ao cenário restritivo de crédito, destacou-se a fusão entre Argo e Replan, dando origem à Argoplan. Agora, a companhia administra 30 empreendimentos entre próprios e de terceiros em nove estados, totalizando mais de 850 mil m² de área bruta locável.
Nesse sentido, o plano estratégico da Argoplan envolve novas aquisições e valorização dos ativos sob gestão.
A Hedge Investments capitaneou aquisições expressivas entre 2023 e o início de 2024, aproveitando demanda aquecida para imóveis do segmento. Com isso, adquiriu fatias relevantes em shopping centers como Capim Dourado (TO), Bauru Shopping (SP) e Jardim Sul (SP), além de adquirir posteriormente 25% do Shopping Jaraguá (SP).
“A taxa de juros é a principal concorrente dos fundos imobiliários. Quando sobe, impacta a capacidade de captação e o valor de mercado das cotas”, afirma Alexandre Machado, sócio diretor da Hedge Investments ao Valor.
Recentemente, a gestora iniciou a venda de 10% do Jardim Sul para a Ancar Ivanhoe, operação pendente de conclusão.
Por fim, a RBR prepara o lançamento público do fundo RBR Malls, focado em shoppings maduros e estrategicamente localizados.
O fundo já detém participações no Plaza Sul e Eldorado. Além disso, negocia aquisição de parte do Pátio Higienópolis da Iguatemi, mostrando que as oportunidades seguem no radar de investidores atentos, apesar da concorrência direta da Selic. Para obter informações e dados do setor de shoppings, acesse o Buildings CRE Tool clicando aqui.
Notícia do Valor Econômico
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